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Em 1962, um incêndio em um lixão atingiu o carvão sob uma cidade dos Estados Unidos e, mais de 60 anos depois, o fogo continua queimando debaixo da terra
Centralia tem um incêndio subterrâneo desde 1962, e o carvão continua queimando mais de seis décadas depois
Centralia, na Pensilvânia, entrou para a história por um incêndio que atravessou gerações sem ser extinto. Desde maio de 1962, o fogo consome carvão em antigas galerias de mineração sob a região. A explicação mais aceita aponta para uma queima de lixo que alcançou depósitos próximos. Em 2026, o episódio completa 64 anos e permanece como um problema ambiental subterrâneo.
Como a queima de lixo teria iniciado o incêndio de Centralia?
O local usado para descartar resíduos ocupava uma antiga escavação de mineração a céu aberto. Segundo a descrição oficial das autoridades ambientais da Pensilvânia, uma queima intencional de lixo doméstico teria atingido materiais com carvão e, depois, trabalhos mineiros próximos. A origem é apresentada como provável, pois os detalhes do início ainda são discutidos.
A ausência de uma barreira adequada de material não combustível teria permitido essa passagem. Assim, o problema deixou de estar limitado aos resíduos visíveis e alcançou a camada de carvão conhecida como Buck Mountain. O combustível passou a estar debaixo da terra, em espaços que não podiam ser acessados e resfriados como um incêndio comum na superfície.
Por que o carvão consegue continuar queimando por tantas décadas?
A mineração deixou passagens subterrâneas, enquanto as fraturas nas rochas permitem a circulação de ar. Com combustível disponível e entrada de oxigênio, a combustão pode continuar em pontos separados. A propagação também depende das características do terreno e das antigas escavações. Entre os fatores envolvidos estão:
- Carvão remanescente nas camadas e estruturas das minas;
- Galerias conectadas que permitem a circulação de ar;
- Fraturas que ligam o subsolo à superfície;
- Diferenças geológicas que alteram o avanço das frentes de combustão.

O que aconteceu com os moradores da cidade?
O incêndio de Centralia provocou uma transformação gradual na ocupação urbana. Os perigos incluíam gases nocivos e afundamentos do solo. Em 1984, o Congresso dos Estados Unidos destinou US$ 42 milhões à aquisição voluntária de imóveis e à transferência de moradores e atividades comerciais afetados pelo problema.
Entre 1985 e 1991, foram adquiridas 545 propriedades residenciais e comerciais, segundo a cronologia estadual. A retirada da população foi acompanhada pela demolição de construções. A infraestrutura também sofreu: um trecho da rodovia Route 61 apresentou danos por afundamento e acabou fechado em 1993. O deslocamento deixou de ser apenas uma precaução individual e passou a reorganizar a comunidade inteira.
Por que não basta jogar água ou cobrir as entradas?
Extinguir um incêndio subterrâneo exige alcançar suas frentes de combustão. No caso dessas minas, inundar toda a área é considerado impraticável e potencialmente perigoso. Escavar o material em queima também exigiria uma operação extensa e cara. As dificuldades ajudam a explicar por que soluções aparentemente simples não resolvem o conjunto:
Fatores que dificultam o combate ao fogo em áreas subterrâneas
- 1A água pode não alcançar todas as partes do carvão em combustão;
- 2Elevar o nível de água nas minas pode criar riscos adicionais;
- 3Bloquear completamente a entrada de ar exigiria uma vedação difícil de manter;
- 4Retirar o material queimando demandaria escavações de grande dimensão.
O perigo permanece mesmo quando a superfície parece tranquila
Centralia não precisa apresentar chamas visíveis para oferecer risco. As autoridades estaduais alertam para gases perigosos e possibilidade de colapso repentino do terreno, desaconselhando a entrada na área diretamente afetada. A aparência do chão não permite avaliar a segurança do subsolo. Uma paisagem sem fumaça evidente não funciona como confirmação de que aquele ponto está livre de perigo.
O acompanhamento ambiental inclui observações da superfície e medições subterrâneas. Enquanto o carvão continua queimando, a história permanece ligada ao passivo das antigas minas e às consequências da ocupação sobre áreas instáveis. Mais de seis décadas após o início, o incêndio mostra como uma ocorrência na superfície pode produzir um problema duradouro em galerias e camadas minerais fora do alcance da limpeza ou do combate convencional.