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Em 1968, duas tartarugas deram a volta na Lua antes de qualquer ser humano e, cerca de 6 dias depois, retornaram vivas à Terra, tornando-se os primeiros animais a completar uma viagem circumlunar
Duas tartarugas chegaram a cerca de 1.950 quilômetros da Lua e sobreviveram à viagem de volta dentro da sonda Zond 5
Em setembro de 1968, a sonda soviética Zond 5 levou duas tartarugas em uma viagem ao redor da Lua. A cápsula passou pelo lado oculto do satélite e retornou à Terra cerca de seis dias após o lançamento. Até então, nenhum ser humano havia feito esse percurso. A missão mostrou que seres vivos podiam enfrentar a travessia e sobreviver à reentrada na atmosfera.
Como duas tartarugas chegaram tão perto da Lua?
A Zond 5 partiu do cosmódromo de Baikonur em 15 de setembro de 1968, impulsionada por um foguete Proton. Dentro da cápsula viajavam duas tartarugas das estepes, além de outros organismos, como moscas, vermes e plantas. Não havia tripulação humana: os animais integravam uma missão que testava a ida ao entorno da Lua e a volta à Terra.
As tartarugas eram passageiras adequadas para uma cápsula pequena. Podiam permanecer vários dias sem alimentação durante o voo, enquanto os responsáveis pela missão acompanhavam o funcionamento da nave. O desafio não terminava ao alcançar a Lua. A cápsula também precisava encontrar o caminho de volta e proteger sua carga viva na descida pela atmosfera.

O que aconteceu durante os seis dias de voo?
A viagem reuniu três momentos decisivos. Entre o lançamento e a chegada à Terra, a sonda percorreu o espaço próximo à Lua sem pousar em sua superfície:
- Em 15 de setembro, a Zond 5 decolou com as duas tartarugas a bordo;
- Em 18 de setembro, passou pelo lado oculto da Lua, a cerca de 1.950 quilômetros de sua superfície;
- Em 21 de setembro, a cápsula desceu de paraquedas e caiu no oceano Índico.
A Zond 5 entrou em órbita lunar?
Não. A sonda contornou a Lua e seguiu de volta à Terra, sem permanecer girando ao redor dela. Essa diferença ajuda a entender o feito: as tartarugas completaram uma viagem circumlunar, mas não passaram dias em órbita lunar. Mesmo assim, foram os primeiros animais a dar a volta no satélite e retornar vivos.
O trajeto exigia acertar a passagem pelo lado distante da Lua e manter uma rota que permitisse o retorno. Em 1968, cada etapa trazia uma pergunta concreta para as equipes em solo: a nave chegaria ao destino, seus sistemas resistiriam à viagem e a cápsula conseguiria atravessar a atmosfera terrestre com os animais a bordo?
Por que levar animais nessa missão espacial?
Antes de enviar astronautas por um percurso semelhante, era preciso observar o que aconteceria com seres vivos durante a viagem e após o retorno. As tartarugas e os demais organismos permitiam avaliar a missão para além do desempenho dos equipamentos:
Questões observadas durante e após a missão
- 1Se seres vivos resistiriam aos dias de voo fora da Terra;
- 2Se a cápsula ofereceria proteção durante a reentrada;
- 3Como os animais estariam após a recuperação da nave.
Como foi o retorno das tartarugas à Terra?
Uma falha no sistema de orientação alterou a descida prevista, e a Zond 5 caiu no oceano Índico, longe do território soviético. Marinheiros recuperaram a cápsula. Quando as tartarugas foram examinadas mais tarde, haviam perdido um pouco de peso, mas estavam vivas e em boas condições gerais. O pouso fora do lugar planejado dificultou o resgate, sem apagar o resultado mais esperado da missão: trazer de volta seus passageiros.
O voo que antecedeu a chegada dos humanos à Lua
Meses antes de astronautas fazerem sua própria viagem ao redor da Lua, duas tartarugas já tinham passado por seu lado oculto e regressado à Terra. A Zond 5 não levou pessoas nem pousou no solo lunar. Seu marco foi completar o percurso com organismos vivos dentro da cápsula, em uma época em que o retorno ainda precisava ser demonstrado.
Em dezembro daquele ano, a Apollo 8 levou os primeiros humanos à órbita lunar. A viagem das tartarugas permaneceu como um capítulo anterior dessa sequência: começou em Baikonur, passou a poucos milhares de quilômetros da Lua e terminou com uma cápsula resgatada no oceano Índico. Para aqueles dois pequenos passageiros, a travessia de cerca de seis dias terminou de volta à Terra.