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Em 1984, a NASA enviou 12,5 milhões de sementes de tomate ao espaço e, quase 6 anos depois, elas voltaram à Terra para um experimento que envolveu milhões de estudantes
NASA leva 12,5 milhões de sementes de tomate ao espaço e quase 6 anos depois estudantes descobrem o resultado
Em 1984, a NASA enviou 12,5 milhões de sementes de tomate ao espaço a bordo do ônibus espacial Challenger. O plano era recuperá-las depois de dez meses em órbita, mas elas só voltaram à Terra em janeiro de 1990. Quando os recipientes foram abertos, cerca de 3,3 milhões de estudantes participaram de um experimento para descobrir se as sementes ainda germinavam e como cresciam em comparação com as que haviam ficado na Terra.
O que a NASA colocou em órbita junto com as sementes?
As sementes da variedade Rutgers viajaram dentro de cinco recipientes selados de alumínio. Eles foram instalados na plataforma Long Duration Exposure Facility (LDEF), uma estrutura que o Challenger deixou em órbita. Ao todo, a plataforma carregava 57 experimentos para investigar o que acontecia com diferentes materiais e amostras após uma longa permanência no espaço.
Os recipientes mantinham as sementes secas durante a viagem. Elas passaram todo esse tempo armazenadas, sem água para iniciar a germinação. A pergunta que os estudantes responderiam anos depois começava justamente aí. Depois de tanto tempo guardadas em órbita, quantas sementes ainda conseguiriam brotar quando recebessem água e fossem semeadas?

Por que as sementes de tomate ficaram quase seis anos no espaço?
A NASA esperava recuperar a plataforma cerca de dez meses após o lançamento. Mudanças no calendário dos voos adiaram a operação, e o acidente com o Challenger em 1986 interrompeu as missões dos ônibus espaciais. Quando outra tripulação finalmente recolheu a estrutura, as sementes já tinham passado 69 meses em órbita. Três datas ajudam a acompanhar a viagem.
- 6 de abril de 1984. O Challenger decola na missão STS-41C. No dia seguinte, a tripulação coloca a plataforma em órbita.
- 12 de janeiro de 1990. A tripulação do Columbia recolhe a plataforma com o braço robótico durante a missão STS-32.
- 20 de janeiro de 1990. O Columbia pousa na Califórnia e traz de volta os recipientes com as sementes.
Como o projeto SEEDS chegou a milhões de estudantes?
De volta à Terra, as sementes foram distribuídas pelo projeto educacional SEEDS. Cerca de 132 mil kits chegaram a todos os estados dos Estados Unidos e a outros 30 países. A atividade envolveu turmas da educação infantil ao ensino superior. Cada kit levava sementes que haviam viajado ao espaço e sementes da mesma variedade que tinham ficado em um depósito com condições controladas.
Plantar os dois lotes lado a lado dava aos alunos uma referência. Se uma semente vinda do espaço brotasse, eles saberiam que ela continuava viável. Para investigar se a viagem tinha afetado a germinação, porém, precisavam observar também o lote terrestre. A comparação mostrava, por exemplo, se um grupo começava a brotar antes do outro ou se ambos levavam praticamente o mesmo tempo.
O que os alunos observaram depois do plantio?
O trabalho começava na semeadura e continuava à medida que as mudas cresciam. Para que a comparação fizesse sentido, era importante oferecer condições semelhantes aos dois lotes. Se um deles recebesse mais água ou luz, ficaria mais difícil entender de onde vinha uma eventual diferença. As observações podiam ser organizadas em etapas.
Registros para comparar o início dos brotos, a proporção de germinação e o desenvolvimento das mudas
- 1Registre a data da semeadura e marque quando aparecerem os primeiros brotos de cada lote;
- 2Conte quantas sementes germinam em cada grupo para comparar a proporção de brotos;
- 3Acompanhe o crescimento das mudas e verifique se alguma diferença observada nos primeiros dias persiste.
Os tomateiros cresceram de forma parecida
O relatório final do projeto SEEDS registrou pouca diferença entre os dois grupos na germinação e no crescimento. As sementes de tomate recuperadas da órbita conseguiram brotar e formar mudas, e o desenvolvimento das plantas foi semelhante ao das que vieram do lote mantido na Terra.
O experimento mostrou que sementes mantidas secas em recipientes selados podiam conservar a capacidade de germinar após quase seis anos em órbita. O cultivo aconteceu em solo terrestre, depois do pouso. Foi ali, ao contar os brotos e acompanhar os tomateiros, que os estudantes descobriram o que a longa viagem havia preservado.