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Em 2014, um navio foi apreendido transportando 32 milhões de cigarros ilegais e, anos depois, acabou no fundo do mar, servindo de superfície para esponjas e outros organismos

Navio com 32 milhões de cigarros contrabandeados é afundado e, dois anos depois, começa a ganhar vida marinha

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Em 2014, um navio foi apreendido transportando 32 milhões de cigarros ilegais e, anos depois, acabou no fundo do mar, servindo de superfície para esponjas e outros organismos
A embarcação ficou quase uma década parada antes de ganhar um novo destino (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Um navio apreendido com 32 milhões de cigarros ilegais em 2014 ganhou uma função inesperada depois de passar quase uma década parado em portos da Irlanda. A embarcação MV Shingle, que transportava uma carga de contrabando, foi afundada propositalmente em setembro de 2024 para formar um recife artificial. Dois anos depois, imagens submarinas revelaram o crescimento de esponjas, cracas e outros organismos sobre sua estrutura metálica, mostrando como uma embarcação abandonada pode se transformar em habitat para diferentes espécies marinhas.

Como um navio com 32 milhões de cigarros ilegais foi apreendido em 2014?

A história começou em junho de 2014, quando autoridades irlandesas interceptaram o MV Shingle no porto de Drogheda. A embarcação, registrada na Moldávia, havia transportado uma carga originária da Eslovênia, passando por Portugal antes de chegar à Irlanda. Durante a operação, agentes encontraram mais de 32 milhões de cigarros e aproximadamente 4,5 toneladas de tabaco para narguilé.

O carregamento foi avaliado em cerca de 14 milhões de euros. Após os procedimentos judiciais, o governo irlandês assumiu o controle da embarcação, que possuía aproximadamente 60 metros de comprimento. Entretanto, o estado de conservação dificultou sua venda ou reaproveitamento convencional, dando início a um problema que se prolongaria durante anos.

Em 2014, um navio foi apreendido transportando 32 milhões de cigarros ilegais e, anos depois, acabou no fundo do mar, servindo de superfície para esponjas e outros organismos
A embarcação ficou quase uma década parada antes de ganhar um novo destino (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Por que o navio ficou quase dez anos parado antes de ser afundado?

Depois da apreensão, o MV Shingle permaneceu atracado principalmente no porto de Dublin, acumulando despesas de armazenamento e manutenção. A presença de ferrugem, amianto e outros materiais que exigiam remoção especializada dificultava o descarte. Em 2023, a embarcação foi transferida para New Ross, enquanto avançavam os preparativos para um destino diferente. Entre os fatores que influenciaram a decisão estavam:

  • Os custos contínuos para manter a embarcação atracada;
  • A dificuldade de encontrar compradores interessados no navio;
  • A necessidade de remover amianto e resíduos de óleo;
  • O interesse em criar um novo ponto de mergulho na costa irlandesa;
  • A possibilidade de utilizar a estrutura como habitat marinho artificial.

Segundo os registros divulgados pelas autoridades locais, as despesas acumuladas ultrapassaram 2 milhões de euros, considerando manutenção, permanência em portos e trabalhos preparatórios.

Como o MV Shingle foi transformado em um recife artificial?

O afundamento ocorreu em 18 de setembro de 2024, na baía de Killala, próxima ao condado de Mayo, na costa oeste da Irlanda. Antes disso, a embarcação passou por trabalhos de descontaminação para retirar substâncias capazes de prejudicar o ambiente marinho. O navio foi posicionado a aproximadamente quatro quilômetros da costa e afundado de maneira controlada, ficando a cerca de 30 metros de profundidade. O projeto envolveu diferentes etapas:

Etapas para criar um recife artificial

Passos envolvidos na preparação, no afundamento e no acompanhamento da embarcação

  • 1Remoção de materiais perigosos e resíduos de óleo;
  • 2Preparação da estrutura para permanecer submersa;
  • 3Escolha de uma área adequada para o recife artificial;
  • 4Transporte e posicionamento da embarcação no local definido;
  • 5Afundamento controlado por meio da abertura de válvulas;
  • 6Acompanhamento posterior da colonização por organismos marinhos.

Quais animais começaram a ocupar o navio depois de dois anos?

Em outubro de 2026, registros submarinos mostraram que diferentes partes da embarcação já estavam sendo ocupadas por organismos marinhos. Entre eles apareceram cracas, esponjas, vermes e ascídias, animais filtradores que vivem presos a superfícies submersas. Peixes também passaram a frequentar a região, aproveitando os espaços e os recursos alimentares disponíveis ao redor da estrutura.

O ecologista marinho José María Fariñas-Franco, da Atlantic Technological University, destacou que algumas partes ainda apresentam pouca colonização, enquanto outras mostram crescimento mais avançado. A presença desses organismos aumenta a disponibilidade de alimento para outras espécies, favorecendo o desenvolvimento gradual de uma comunidade marinha.

Por que estruturas metálicas afundadas podem atrair tanta vida marinha?

Em determinadas regiões do fundo do mar, superfícies rígidas oferecem locais onde organismos fixos conseguem se estabelecer. Cracas, esponjas e ascídias encontram espaço para crescer, enquanto pequenos animais utilizam frestas e aberturas como abrigo. Com o passar do tempo, essa comunidade pode atrair peixes em busca de alimento e proteção. Entretanto, um recife artificial não substitui integralmente um ambiente natural, e o afundamento de embarcações exige avaliação ambiental criteriosa.

O que aconteceu com o navio que antes transportava cigarros contrabandeados?

A transformação do MV Shingle também despertou interesse turístico. O local passou a atrair mergulhadores e visitantes interessados em conhecer a embarcação submersa. Representantes do condado de Mayo relataram aproximadamente 12 mil visitantes anuais à região relacionada ao projeto, enquanto pesquisadores acompanham as mudanças ecológicas observadas na estrutura.

O navio apreendido em 2014 e afundado em 2024 representa um exemplo incomum de reaproveitamento de uma embarcação sem condições de voltar a navegar. Sua história começou com uma operação contra o contrabando e ganhou um novo capítulo no fundo do Atlântico. A colonização por esponjas e outros organismos demonstra como superfícies artificiais podem oferecer oportunidades para a vida marinha, desde que sua instalação seja cuidadosamente planejada e acompanhada.