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Alunos de uma escola técnica de Buenos Aires criaram sensores que medem temperatura do ar, umidade do solo e vento para alertar sobre risco de incêndio e estão na final de um prêmio mundial

Projeto FireNova, do Instituto Técnico Nuestra Señora de Fátima, já garantiu US$ 25 mil e disputa US$ 150 mil com escolas do Canadá e da Colômbia em Abu Dhabi

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Criado por alunos de Buenos Aires, o FireNova é finalista das Américas em um prêmio mundial de sustentabilidade
Criado por alunos de Buenos Aires, o FireNova é finalista das Américas em um prêmio mundial de sustentabilidade - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quatro alunos do Instituto Técnico Fátima, escola técnica de Villa Soldati, bairro da zona sul de Buenos Aires, criaram o FireNova, um sistema de alerta precoce para incêndios florestais. O projeto está entre os três finalistas das Américas na categoria Escolas Secundárias Globais do Zayed Sustainability Prize, premiação dos Emirados Árabes Unidos. O resultado sai em 12 de janeiro de 2027, numa cerimônia em Abu Dhabi.

Como funcionam os sensores do FireNova contra o fogo?

O FireNova usa sensores instalados no campo para medir a temperatura e a umidade do solo. A velocidade do vento entra no cálculo com dados do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina. Os aparelhos enviam as leituras por LoRa, uma tecnologia de rádio de longo alcance que dispensa internet em cada ponto.

Um receptor conectado à rede recebe tudo e leva as medições para uma plataforma criada pelos próprios alunos. Ali, os dados aparecem num mapa, e o sistema pode avisar os órgãos de emergência quando o risco sobe. A proposta é ter um equipamento barato, pensado para zonas rurais com pouca conectividade.

Para disparar o alerta, a equipe adotou um critério conhecido como regra dos trinta. O risco é considerado alto quando três condições aparecem ao mesmo tempo:

  • temperatura acima de 30 °C;
  • vento acima de 30 km/h;
  • umidade do solo em 30% ou menos.

Segundo a lista oficial de finalistas do Zayed Sustainability Prize, a proposta inclui ainda detecção de fumaça com inteligência artificial, mapa interativo de calor e aplicativo de celular. A câmera com inteligência artificial ainda está nos planos, e o protótipo foi testado por um período em Córdoba.

Os sensores enviam medições por rádio LoRa, sem precisar de internet em cada ponto do campo
Os sensores enviam medições por rádio LoRa, sem precisar de internet em cada ponto do campo – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

De onde veio a ideia dos alunos de Villa Soldati?

A ideia nasceu de uma frustração numa viagem escolar a Córdoba. Os estudantes, então no quarto ano, foram proibidos de acender uma fogueira em Casa Grande, perto de La Falda, por causa do alto risco de incêndio na região.

Daí surgiu a pergunta: dava para medir esse risco com sensores? A equipe reúne Maximiliano Occhiuzzi, Ailén Mier, Mayra Equice e Brenda Cardozo, do sexto ano de Técnico em Computação. Os professores Sebastián Muñoz e Mariano Eito orientaram o trabalho, com apoio de Tomás Sarkis, formado em Proteção Civil e Emergências.

Em 2025, o projeto foi apresentado na Feira de Educação, Arte, Ciência e Tecnologia de Buenos Aires. O site do Instituto Técnico Nuestra Señora de Fátima destaca o FireNova como um dos três finalistas das Américas. Fundada em 1958, a escola faz parte da Rede Educativa Marianista desde 2013.

Calor forte e tempo seco também ajudam a explicar por que certas regiões do Brasil sofrem mais com queimadas. A matéria abaixo mostra o caso de Cuiabá.

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O que está em jogo na final do Zayed Sustainability Prize?

A vaga na final já garante US$ 25 mil para a escola, e o vencedor da categoria leva US$ 150 mil. Segundo os organizadores, a edição de 2027 bateu recorde, com 10.233 inscrições de 177 países.

Se vencer o prêmio, a equipe pretende fabricar dez aparelhos no primeiro ano para áreas rurais vulneráveis
Se vencer o prêmio, a equipe pretende fabricar dez aparelhos no primeiro ano para áreas rurais vulneráveis – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Na disputa das Américas, a escola argentina enfrenta a École Secondaire Lacombe Composite High School, do Canadá, e a Escuela Tayrona de Bunkwímake, da Colômbia. A organização paga a viagem de um professor e dois alunos até Abu Dhabi. Se vencer, a equipe quer fabricar dez aparelhos no primeiro ano, com código aberto, para áreas rurais vulneráveis.

O combate aos incêndios florestais já rendeu prêmio a outra escola nessa mesma competição. No canal oficial da premiação, o vídeo abaixo apresenta a Bodrum Anatolian High School, da Turquia, vencedora de 2026 na região Europa e Ásia Central.

Que lição o FireNova deixa para escolas e para o Rio?

A grande lição do FireNova é que prevenir sai mais barato do que apagar. Um sensor simples, que avisa antes de o fogo começar, dá tempo a brigadistas e a moradores de áreas rurais.

Para quem mora no Rio e no estado, o assunto é conhecido: na estiagem, fogo em mata e encosta vira rotina no noticiário. Projetos como esse mostram que ciência aplicada cabe na sala de aula. Que tal mostrar essa história para um estudante aí da sua casa e torcer junto pelos argentinos em janeiro?

Muitas invenções também nascem de tentativas que não deram certo. A história abaixo conta como uma pesquisa feita durante a guerra virou um brinquedo famoso.