Especialista em comportamento felino afirma: “A pessoa favorita do gato não é quem mais o pega no colo, é quem respeita os limites dele e transmite segurança” - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Especialista em comportamento felino afirma: “A pessoa favorita do gato não é quem mais o pega no colo, é quem respeita os limites dele e transmite segurança”

Pesquisas nos Estados Unidos e no Reino Unido mostram que dar escolha ao animal e ler seus sinais gera mais confiança e menos agressividade

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
O gato tende a se apegar a quem respeita seus limites e transmite segurança, não a quem mais o pega no colo
O gato tende a se apegar a quem respeita seus limites e transmite segurança, não a quem mais o pega no colo - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A pessoa preferida do gato doméstico nem sempre é a que mais o enche de colo. Especialistas em comportamento felino e etólogos defendem que o bichano se apega a quem respeita os limites dele e passa segurança. Essa ideia tem apoio em estudos feitos nos Estados Unidos e no Reino Unido. Para quem divide a casa com um felino, no Rio ou em qualquer canto, isso muda o jeito de fazer carinho.

O que a ciência mostra sobre o vínculo do gato com o tutor?

A ciência mostra que a maioria dos gatos usa o tutor como fonte de segurança. Em 2019, pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon publicaram no periódico Current Biology um teste adaptado de estudos com bebês e cães.

No experimento, cada animal passava dois minutos numa sala nova com o tutor, dois minutos sozinho e mais dois no reencontro. Entre 38 gatos adultos, 65,8% mostraram apego seguro, índice próximo dos cerca de 65% observados em bebês humanos. Entre os filhotes, a taxa ficou em 64,3%.

Segundo a pesquisadora Kristyn Vitale, autora principal do trabalho, o gato depende do tutor para se sentir seguro quando está estressado. Ou seja, o vínculo com o tutor se apoia na sensação de proteção, e não na quantidade de colo recebida ao longo do dia.

Estudo de 2019 mostrou que 65,8% dos gatos adultos têm apego seguro ao tutor, índice próximo ao dos bebês
Estudo de 2019 mostrou que 65,8% dos gatos adultos têm apego seguro ao tutor, índice próximo ao dos bebês – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Por que respeitar os limites do gato aumenta o carinho dele?

Respeitar os limites aumenta o carinho porque o gato passa a controlar o contato. Um estudo publicado em 2021 no periódico Frontiers in Veterinary Science testou essa ideia com 100 gatos à espera de adoção na Battersea Dogs and Cats Home, em Londres, e 120 voluntários.

Os pesquisadores, ligados também à Universidade Nottingham Trent, treinaram os participantes com as diretrizes chamadas CAT. A sigla em inglês resume três pilares: escolha e controle para o animal, atenção aos sinais e toque concentrado na cabeça.

Depois do treino, os gatos mostraram mais comportamentos amistosos, como se esfregar, abanar o rabo e amassar pãozinho, além de menos agressividade. O tempo de contato físico até diminuiu, num efeito que os autores resumiram como “menos é mais”.

Quais sinais da linguagem corporal felina pedem uma pausa?

Os sinais que pedem pausa incluem tensão no corpo, afastamento e gestos rápidos de desconforto. Já o gato satisfeito fica relaxado e costuma seguir a pessoa quando o carinho para.

Corpo tenso e afastamento indicam que o gato quer uma pausa, e o melhor é não insistir no carinho
Corpo tenso e afastamento indicam que o gato quer uma pausa, e o melhor é não insistir no carinho – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A linguagem corporal felina é detalhada no guia de interação da Battersea Dogs and Cats Home. Estes são os pontos que a instituição britânica manda observar:

  • Desconforto: corpo tenso, afastamento, lambida repentina no pelo, cabeça sacudida, orelhas girando ou nariz lambido.
  • Regiões mais aceitas: bochechas, cabeça e queixo.
  • Regiões sensíveis: barriga e base do rabo, evitadas pela maioria dos gatos.
  • Regra dos três segundos: pause o carinho e, se o gato não se esfregar pedindo mais, ele provavelmente já cansou.

Grunhido, chiado, tapa ou mordida são o recado mais direto para parar ou mudar a abordagem. O guia também aconselha não segurar o animal, não pegá-lo no colo à força e deixar o caminho livre para ele sair quando quiser.

A cauda é outro termômetro importante dessa conversa silenciosa. Tem uma matéria do Super Rádio Tupi que ajuda a interpretar esse gesto:

Como virar a pessoa de confiança do gato dentro de casa?

Virar a pessoa de confiança do gato depende mais de constância do que de grandes gestos. Oferecer a mão e esperar que ele venha, não acordar o bichano para fazer carinho e não insistir quando ele se afasta seguem as diretrizes testadas em Londres.

As preferências variam de um felino para outro, então observar o próprio animal é a melhor bússola. Mudanças bruscas de comportamento merecem consulta com o veterinário. Mais do que decorar lição de etólogo, que tal começar hoje: ofereça a mão, espere o convite e deixe seu gato dizer quanto carinho quer.

Se o seu felino costuma mudar de humor em dia de temporal, o Super Rádio Tupi também explica esse comportamento: