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Especialistas em psicologia explicam: “Quem costuma rabiscar durante reuniões pode não estar apenas entediado, mas usando o desenho repetitivo para manter a atenção e ajudar a memória a reter informações”

Rabiscar durante reuniões pode ajudar algumas pessoas a manter a atenção e lembrar melhor do que foi dito

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Especialistas em psicologia explicam: “Quem costuma falar sozinho em voz alta pode não estar apenas distraído, mas usando a própria fala para organizar pensamentos, planejar ações e processar emoções”
Rabiscar durante reuniões pode ajudar algumas pessoas a lidar com a monotonia (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

As pessoas que costumam rabiscar durante reuniões, aulas ou conversas podem estar fazendo mais do que preencher espaços vazios no papel. Embora desenhos repetitivos sejam frequentemente interpretados como sinais de tédio ou distração, a psicologia sugere que esse comportamento pode ajudar algumas pessoas a manter a atenção durante atividades monótonas. Traçar círculos, linhas e pequenas figuras enquanto escuta alguém pode funcionar como uma atividade secundária de baixo esforço, reduzindo a tendência de deixar os pensamentos se afastarem completamente do assunto principal.

O que a psicologia diz sobre quem costuma rabiscar durante reuniões?

Na psicologia cognitiva, a atenção é compreendida como um conjunto de processos que permite selecionar e acompanhar informações relevantes. Manter atenção ao longo do tempo é particularmente difícil em tarefas simples e monótonas, segundo uma revisão meta-analítica da Psychological Bulletin. Durante reuniões prolongadas, especialmente quando existe pouca interação, a concentração pode oscilar. Algumas pessoas começam a pensar em outros assuntos, enquanto outras realizam movimentos simples, como desenhar formas repetitivas no papel.

A reflexão destaca que rabiscar pode funcionar como uma estratégia espontânea de manutenção da atenção. Isso acontece porque movimentos simples podem ocupar parte dos recursos mentais sem exigir concentração intensa. Entretanto, o efeito depende da tarefa, da complexidade do desenho e das características individuais, não sendo possível afirmar que todos aprendem melhor enquanto rabiscam.

Por que desenhos repetitivos podem ajudar a manter a concentração?

Durante atividades pouco estimulantes, a mente pode começar a divagar. Quando isso acontece, pensamentos sobre compromissos, preocupações e acontecimentos pessoais competem com as informações apresentadas. Uma atividade motora simples pode ajudar algumas pessoas a permanecer envolvidas com a situação, diminuindo a sensação de monotonia.

Em 2010, a psicóloga Jackie Andrade publicou um estudo na revista Applied Cognitive Psychology com 40 participantes. Aqueles que preenchiam formas simples enquanto ouviam uma mensagem telefônica monótona recordaram, em média, 29% mais informações em um teste posterior. Entretanto, pesquisas posteriores não reproduziram consistentemente esse benefício, indicando que o resultado depende das condições experimentais.

Especialistas em psicologia explicam: “Quem costuma rabiscar durante reuniões pode não estar apenas entediado, mas usando o desenho repetitivo para manter a atenção e ajudar a memória a reter informações”
Rabiscar durante reuniões pode ajudar algumas pessoas a lidar com a monotonia (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Quais tipos de rabiscos podem acompanhar a atenção durante uma reunião?

Nem todos os desenhos exigem o mesmo esforço mental. Formas simples e repetitivas costumam demandar menos planejamento do que ilustrações detalhadas, que exigem escolhas de cores, proporções e composição. Quando o objetivo é acompanhar uma conversa, atividades gráficas pouco complexas podem ser mais adequadas. Entre os exemplos estão:

  • Desenhar círculos pequenos repetidamente nas margens do caderno;
  • Preencher quadrados e outras formas geométricas simples;
  • Repetir linhas paralelas ou padrões ondulados;
  • Criar pequenos desenhos abstratos sem detalhes elaborados;
  • Fazer contornos simples enquanto acompanha uma explicação;
  • Combinar rabiscos discretos com anotações sobre o assunto apresentado.

Como os rabiscos podem influenciar a memória durante atividades longas?

A memória depende, entre outros fatores, da atenção dedicada às informações no momento em que são recebidas. Quando uma pessoa se desconecta completamente da conversa, pode deixar de registrar detalhes importantes. Por isso, manter algum nível de envolvimento com a atividade pode favorecer a lembrança posterior, embora desenhar não garanta melhor memorização.

Algumas estratégias podem ser utilizadas para equilibrar rabiscos e atenção. Confira abaixo:

  • Escolher desenhos simples que não exijam decisões complexas;
  • Interromper os rabiscos quando surgir uma informação importante;
  • Registrar datas, tarefas e decisões em anotações objetivas;
  • Evitar desenhos elaborados durante explicações difíceis;
  • Observar se o hábito realmente ajuda a acompanhar a conversa;
  • Priorizar a participação ativa quando a reunião exigir respostas e decisões.
Especialistas em psicologia explicam: “Quem costuma rabiscar durante reuniões pode não estar apenas entediado, mas usando o desenho repetitivo para manter a atenção e ajudar a memória a reter informações”
Rabiscar durante reuniões pode ajudar algumas pessoas a lidar com a monotonia (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Rabiscar durante reuniões significa falta de interesse ou inteligência elevada?

O comportamento não permite concluir que alguém esteja desinteressado, assim como não comprova inteligência superior ou maior criatividade. Algumas pessoas desenham por costume, outras utilizam o papel para aliviar a inquietação e há quem simplesmente goste de realizar movimentos repetitivos enquanto escuta.

Também existem situações em que rabiscar pode prejudicar a concentração, principalmente quando o desenho exige muita atenção visual. Por isso, é importante considerar o contexto antes de interpretar o comportamento de um colega. Permanecer olhando diretamente para o apresentador também não garante, por si só, que todas as informações estejam sendo compreendidas.

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O que esse hábito revela sobre as diferentes maneiras de prestar atenção?

A concentração não acontece exatamente da mesma forma para todas as pessoas. Enquanto alguns indivíduos preferem ambientes silenciosos e permanecem imóveis durante uma explicação, outros conseguem acompanhar melhor determinadas atividades quando realizam movimentos discretos. Reconhecer essas diferenças pode ajudar a construir ambientes de trabalho e aprendizagem mais flexíveis, desde que o comportamento não prejudique a participação nem atrapalhe outras pessoas.

Para a psicologia, rabiscar durante reuniões pode ser uma maneira de lidar com a monotonia e tentar preservar a atenção, mas seus efeitos sobre a memória não são universais. O mais importante é observar se a pessoa continua compreendendo as informações e participando quando necessário. Afinal, um caderno cheio de círculos, linhas e pequenos desenhos não significa necessariamente que alguém deixou de ouvir. Em determinadas situações, pode representar justamente uma tentativa de continuar presente na conversa.