Entretenimento
Especialistas em psicologia revelam: “Pessoas que sempre desejam o mal aos outros não são pessoas más, mas fazem isso para proteger uma autoestima frágil.”
Quem tenta diminuir os outros pode estar tentando lidar com as próprias inseguranças.
Você conta uma conquista e sente que a pessoa do outro lado não ficou feliz. Ou percebe que ela comemora, quase escondido, quando algo dá errado para alguém. Desejar o mal aos outros parece pura maldade, mas a psicologia tem uma explicação menos simples: muitas vezes, esse sentimento funciona como uma defesa da própria autoestima.
Esse sentimento tem nome?
Tem. Os pesquisadores usam a palavra alemã schadenfreude, que significa algo como “alegria com o dano”. É aquela pontinha de satisfação quando alguém que parecia superior tropeça, perde ou é exposto. Quase todo mundo já sentiu isso alguma vez, nem que seja por um segundo.
A diferença está na frequência e na intensidade. Uma coisa é um sorriso de canto quando o colega arrogante erra. Outra é torcer sempre para que os outros fracassem, e se sentir incomodado quando alguém próximo vai bem.

De onde vem essa vontade de ver o outro cair?
A pesquisa aponta algumas raízes principais, e quase todas têm a ver com a forma como a pessoa se vê:
Isso tem comprovação científica?
Tem. Um estudo liderado pelo psicólogo Wilco van Dijk, da Universidade de Leiden, na Holanda, mostrou a participantes a entrevista de um estudante muito bem-sucedido e depois contou que ele tinha se dado mal. Quem tinha autoestima mais baixa se sentiu mais ameaçado pelo colega brilhante, e sentiu mais prazer com o tropeço dele.
O detalhe mais interessante veio depois: quando os pesquisadores davam aos participantes uma chance de reforçar a própria imagem, lembrando seus valores e qualidades, o prazer com o fracasso alheio diminuía. O resultado foi publicado em 2011 na revista Emotion, e está descrito no estudo sobre autoestima e prazer com o infortúnio alheio. Ou seja, a pessoa precisava do tropeço do outro para se sentir melhor; quando se sentia bem por outra via, a necessidade sumia.
Leia também: O que significa quando o travesseiro fica amarelado, mesmo com as fronhas sempre limpas e trocadas com frequência.
Então quem deseja o mal não é uma pessoa má?
Aqui é preciso cuidado. A pesquisa explica de onde o sentimento vem, mas não diz que ele é inofensivo. Entender a origem ajuda a ter compaixão, só que não apaga o efeito. Compare:
| Situação | Como aparece | Leitura |
|---|---|---|
| Sentimento passageiro Momento isolado | Um alívio rápido quando alguém arrogante erra, que logo passa. | Muito comum |
| Padrão de comparação Insegurança constante | Incômodo frequente com o sucesso de amigos e colegas. | Sinal de autoestima ferida |
| Torcer e agir contra Passa para a prática | Fofoca, sabotagem ou humilhação para derrubar o outro. | Causa dano real |
O que fazer quando você percebe isso em si mesmo?
Sentir não é crime, e reconhecer já é meio caminho. A própria pesquisa dá a pista: quando a pessoa fortalece a relação consigo mesma, precisa menos do fracasso alheio. Algumas atitudes ajudam:
- Perceber o gatilho: com quem e em que situação o incômodo aparece.
- Lembrar das suas próprias conquistas e valores, em vez de medir-se pelo outro.
- Diminuir a comparação constante, inclusive nas redes sociais.
- Buscar ajuda profissional se a inveja ou a raiva estiverem tomando espaço demais.
Então aquela pessoa que parece torcer contra todo mundo, lá do começo, talvez esteja mais em guerra consigo mesma do que com os outros. Isso não torna o comportamento aceitável, mas ajuda a entender e a não levar tudo para o lado pessoal. Este texto é informativo e trata de tendências gerais, não de julgamento individual.