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Essa aranha venenosa pode estar presente em 9 de cada 10 casas: especialistas explicam como diminuir os riscos dentro de casa
Calçados e roupas pouco usados podem esconder aranha-marrom e aumentar o risco de picadas
A aranha-marrom pode passar despercebida atrás de um quadro ou dentro de um sapato guardado há semanas. A estimativa de “9 em cada 10 casas”, divulgada no Chile, se refere à situação chilena e não serve para medir a presença do aracnídeo nas residências brasileiras. Dentro de casa, o cuidado mais útil é reduzir a chance de pressionar a aranha contra a pele ao se vestir, calçar um sapato ou mexer em objetos guardados.
O que os levantamentos dizem sobre a presença da aranha-marrom?
Aranha-marrom é o nome popular de espécies do gênero Loxosceles. No Chile, a espécie Loxosceles laeta é conhecida como aranha de canto e costuma se abrigar em lugares secos e pouco iluminados. No Brasil, a presença dessas aranhas varia conforme a região e o ambiente. Até dentro de uma mesma cidade, os esconderijos disponíveis podem mudar de uma construção para outra.
Em Curitiba, uma pesquisa encontrou aranhas do gênero ou vestígios delas em 97% das 60 casas vistoriadas, no interior ou nos arredores imediatos. O percentual descreve aquela amostra e inclui vestígios, além de exemplares. Portanto, ele não indica quantas casas brasileiras têm aranhas vivas hoje.

Onde a aranha-marrom costuma se esconder?
O Ministério da Saúde indica que o aracnídeo tem hábitos noturnos e costuma ocupar pontos com pouca luz e movimentação. Uma caixa de mudança que ficou fechada por meses oferece um tipo de abrigo diferente de uma gaveta aberta todos os dias. Na hora da limpeza, preste atenção aos locais que ficam fora da rotina:
- Atrás de quadros, estantes e móveis encostados na parede.
- Nos vãos dos rodapés e nas frestas de paredes ou do assoalho.
- Entre caixas empilhadas, roupas pouco usadas e objetos guardados em depósitos.
- Sob telhas, tijolos ou madeira acumulados na garagem ou no quintal.
Por que vestir uma roupa guardada pode provocar uma picada?
A picada costuma ocorrer quando a aranha é comprimida contra o corpo. Isso pode acontecer ao enfiar o pé num calçado que estava guardado, vestir uma peça sem olhar as dobras ou apertar uma caixa contra o braço. O contato passa facilmente despercebido quando a pessoa põe a mão num vão escuro para puxar algo.
A cor também pode confundir. O Instituto Butantan explica que algumas espécies chamadas de aranha-marrom têm tonalidade avermelhada e que outras aranhas apresentam cores parecidas. Se encontrar um exemplar, observe de longe. Tentar pegá-lo com as mãos para confirmar a espécie aumenta a chance de contato.
Quais cuidados reduzem o risco dentro de casa?
Comece pelos pontos onde as mãos e os pés entram sem que você consiga ver o fundo. Uma lanterna ajuda a examinar uma caixa antes de retirar o conteúdo, e o aspirador facilita a limpeza de cantos pouco acessíveis. Outras medidas recomendadas para reduzir o contato são:
Medidas para inspecionar roupas, proteger áreas de descanso e diminuir esconderijos dentro e fora de casa
- 1Sacuda roupas e inspecione calçados antes de usá-los, sobretudo após muito tempo guardados;
- 2Afaste camas e berços das paredes e evite que lençóis e cobertas arrastem no chão;
- 3Vede frestas, conserte rodapés soltos e retire materiais acumulados no quintal;
- 4Use luvas grossas e sapatos fechados ao manusear caixas antigas, telhas ou pilhas de madeira.
Uma picada pouco dolorosa também precisa de avaliação
A picada de aranha-marrom pode doer pouco no início. Ardor, vermelhidão e alteração na cor da pele podem aparecer horas depois. Em caso de suspeita, lave o local com água e sabão e procure atendimento de saúde imediatamente, sem esperar a lesão escurecer.
Evite espremer, cortar ou passar receitas caseiras sobre a área atingida. Uma foto tirada a distância pode ajudar na identificação se o animal estiver visível e o registro puder ser feito com segurança. A prioridade é chegar ao serviço de saúde, mesmo quando não foi possível fotografar a aranha.