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Essa cidade atraí 6 milhões de turistas por ano com o Natal Luz e o primeiro parque de neve das Américas
O destino no Brasil que mistura Natal Luz e o primeiro parque de neve das Américas.
A 115 km de Porto Alegre, no alto da Serra Gaúcha, uma cidade com arquitetura alpina, ruas floridas de hortênsias e lojas de chocolate artesanal desafia a imagem tropical do Brasil. Gramado recebe cerca de 6 milhões de turistas por ano, entrega o Kikito no festival de cinema mais tradicional do país e transforma o Natal luz em espetáculo que dura quase quatro meses. Tudo isso em um município que só se emancipou em 1954.
De campo de tropeiro a Suíça Brasileira
Antes de ser cidade, o território de Gramado era ponto de descanso para tropeiros que tocavam gado pelos campos de cima da serra. O local tinha um campo de grama macia e verde onde o gado repousava, e, segundo historiadores locais, foi essa grama que batizou o lugar. A colonização europeia começou com portugueses em 1875, seguidos por alemães cinco anos depois e por italianos vindos de Caxias do Sul no início do século XX.
Essa mistura de origens explica por que Gramado tem casas em estilo enxaimel ao lado de cantinas italianas e churrascarias gaúchas. O município foi criado pela Lei 2.522 em 15 de dezembro de 1954, desmembrado de Taquara. A vocação turística veio depois: até a década de 1980, a serra era procurada principalmente no inverno e ficava vazia no resto do ano. Faltava um motivo para atrair visitantes o ano todo.

O Natal Luz que começou com uma procissão e 700 cantores
O motivo apareceu em 26 de dezembro de 1986. Inspirada em celebrações natalinas da Alemanha, a prefeitura organizou um caminho iluminado entre o Lago Joaquina Rita Bier e a Igreja Matriz São Pedro. Mais de 700 cantores e 20 Papais Noéis saíram em procissão naquela noite. Era o primeiro Natal Luz. Em 2025, o evento completou quatro décadas e se consolidou como o maior espetáculo natalino do Brasil, com shows de luzes, desfiles, cantatas e espetáculos que duram de outubro a janeiro.
A fórmula resolveu o problema da sazonalidade. O Natal Luz atrai milhões de visitantes na primavera e no verão, períodos que antes eram baixa temporada. A cidade inteira se transforma: ruas ganham iluminação temática, a Rua Torta vira cenário de conto de fadas e o Lago Negro reflete as luzes entre pinheiros trazidos da Alemanha.
Gramado e Canela são destinos incríveis. O canal De fora em Juiz de Fora, com 280 mil inscritos, detalha 80 atrações com Tati Marmon, incluindo Snowland.
O que fazer em Gramado além do Natal?
Gramado funciona o ano inteiro. As atrações cobrem parques temáticos, natureza, gastronomia e cultura.
- Snowland: primeiro parque de neve indoor das Américas, com pista de esqui, snowboard e montanha de neve artificial. Temperatura interna de -5°C.
- Mini Mundo: parque ao ar livre com réplicas em miniatura de construções famosas de diversos países. Funciona desde 1983.
- Lago Negro: cercado por pinheiros e hortênsias, com pedalinhos e trilha curta. Um dos cartões-postais mais fotografados da serra.
- Rua Coberta: galeria com telhado de vidro que reúne restaurantes, cafés e lojas de artesanato. Ponto de encontro nos dias frios e chuvosos.
- Le Jardin Parque de Lavanda: campos roxos com aroma relaxante e produtos artesanais de lavanda.
- Museu de Cera Dreamland e Harley Motor Show: entretenimento para quem busca curiosidades e fotografia temática.

O Kikito e o festival de cinema mais antigo do Brasil
Todo mês de agosto, Gramado sedia o Festival de Cinema de Gramado, o mais tradicional do Brasil. O troféu Kikito, estatueta inspirada em uma figura indígena esculpida em bronze, é o prêmio mais cobiçado do cinema nacional. O festival reúne estreias, debates, homenagens e a presença de diretores e atores que movimentam a cidade durante uma semana.
A programação cultural não se limita a agosto. No inverno (junho a agosto), a geada cria paisagens que atraem casais em busca de fondue à luz de velas. Na Páscoa, as lojas de chocolate da Avenida Borges de Medeiros ganham vitrines temáticas e a cidade se transforma na capital brasileira do chocolate artesanal, com marcas como Prawer e Lugano liderando o cenário.
Café colonial, fondue e chocolate: a mesa da serra
A gastronomia de Gramado mistura influências alemãs, italianas e gaúchas. O café colonial é uma experiência à parte: mesas fartas com mais de 80 itens, incluindo cucas, geleias, bolos, queijos, embutidos, pães caseiros e suco de uva. A sequência de fondue (queijo, carne e chocolate) é o programa clássico das noites frias. O galeto al primo canto, herança italiana, e o churrasco gaúcho completam os cardápios.
O chocolate artesanal de Gramado vai além da lembrancinha. A cidade tem dezenas de chocolaterias que produzem desde trufas e bombons até barras com cacau de origem controlada. A experiência sensorial inclui visitas guiadas às fábricas, onde o visitante acompanha o processo de fabricação e degusta o resultado.

Quando ir a Gramado e como é o clima na serra?
O clima é temperado, com verões amenos e invernos que podem registrar temperaturas negativas. Neve não acontece todo ano, mas geada é frequente entre junho e agosto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à serra mais visitada do Brasil
Gramado fica a 115 km de Porto Alegre, cerca de 2 horas de carro. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul, a 65 km. O Salgado Filho, em Porto Alegre, a 120 km, recebe voos de todo o Brasil. Transfers, ônibus e carros de aplicativo conectam os aeroportos à serra. Canela fica a 8 km e pode ser visitada no mesmo dia, com a Cascata do Caracol (131 metros de queda) como atração principal.
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Vista o casaco e entre na cidade que inventou o Natal brasileiro
Gramado é a cidade que transformou o frio em produto, o chocolate em cultura, o cinema em troféu e o Natal em espetáculo de quatro meses. A serra que era vazia no verão hoje recebe 6 milhões de pessoas por ano, e mesmo assim mantém ruas limpas, faixas de pedestre respeitadas e um charme alpino que não se encontra em nenhum outro lugar do Brasil.
Você precisa ir a Gramado pelo menos uma vez, caminhar pela Rua Torta quando as luzes acendem, pedir um fondue de chocolate num dia de geada e entender por que uma cidadezinha gaúcha fundada por tropeiros virou o destino de inverno mais famoso do país.