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Essa joia próxima à capital do Rio Grande do Norte mistura tranquilidade, natureza e um charme difícil de ignorar
Entre paisagens naturais e clima acolhedor.
Quem chega pelo Aeroporto Internacional Aluízio Alves normalmente segue direto para as praias de Natal, mas acaba desembarcando primeiro em São Gonçalo do Amarante, cidade da região metropolitana potiguar que preserva tradições culturais únicas. Além de servir como principal porta de entrada aérea do Rio Grande do Norte, o município reúne manifestações folclóricas históricas, artesanato em argila e referências ligadas aos primeiros santos canonizados do Brasil.
Por que a cidade é considerada o berço da cultura popular potiguar?
O reconhecimento veio oficialmente pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que concedeu a São Gonçalo do Amarante o título de Berço da Cultura Popular do estado, expressão já utilizada pelo historiador Luís da Câmara Cascudo. A cidade mantém vivas tradições populares transmitidas entre gerações e que ainda fazem parte do cotidiano cultural local.
Entre os destaques estão o Boi Calemba Pintadinho, manifestação ligada ao bumba meu boi potiguar com mais de um século de existência, além do Pastoril Dona Joaquina, que preserva antigas apresentações natalinas nordestinas. Outro símbolo cultural são os Congos de Guerra de Santo Antônio do Potengi, grupo folclórico que mistura música, improviso e encenações inspiradas em batalhas entre reis africanos.

Onde nasceu o Galo Branco, símbolo do folclore do RN
Nos anos 1950, o artesão Antônio Soares, morador de Santo Antônio do Potengi, moldou em barro branco um galo para enfeitar suas quartinhas de cerâmica. A peça ganhou fama, ilustrou o cartaz da III Festa do Folclore Brasileiro em 1975 e se tornou o símbolo oficial do folclore norte-rio-grandense. Em 2016, um monumento de 12 metros de altura foi inaugurado na cidade em homenagem ao Galo Branco.
O distrito de Santo Antônio do Potengi concentra o artesanato em argila mais diversificado do estado. As peças são vendidas no Mercado do Artesanato Dona Neném Felipe, às margens da rodovia RN-160.
O que visitar em São Gonçalo do Amarante?
A cidade combina fé, história e tradição em atrações que pedem ao menos um dia inteiro de visita.
- Monumento dos Santos Mártires: santuário em Uruaçu erguido em homenagem aos 30 mártires canonizados pelo Papa Francisco em 2017. Recebe cerca de 30 mil peregrinos por ano. Missas acontecem todo dia 3 de cada mês.
- Igreja Matriz de São Gonçalo: construída no local da capelinha original do início do século XVIII, ampliada em 1840. Abriga os Santos de Roca e serve de cenário para o Festival do Folclore.
- Monumento ao Galo Branco: escultura de 12 metros erguida em 2016, no ponto que celebra o símbolo do folclore potiguar.
- Mercado do Artesanato Dona Neném Felipe: ponto de venda em Santo Antônio do Potengi com peças em argila, cerâmica decorativa e o próprio Galo Branco em miniatura.
- Comunidade de Utinga: uma das povoações mais antigas do município, com paisagem rural às margens do Rio Potengi.
O vídeo é do canal DRONE POTIGUAR, que oferece belíssimas imagens aéreas da região, e destaca a infraestrutura renovada e os marcos culturais do município:
Os primeiros santos brasileiros nasceram aqui
Em 3 de outubro de 1645, durante a invasão holandesa, cerca de 80 fiéis católicos foram massacrados na comunidade de Uruaçu. Liderados pelo padre Ambrósio Francisco Ferro, recusaram a conversão ao calvinismo. O camponês Mateus Moreira teve o coração arrancado enquanto repetia louvores.
Os 30 Mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 2000 e canonizados pelo Papa Francisco em 15 de outubro de 2017, na Praça São Pedro. A cerimônia reuniu 50 mil fiéis. São os primeiros santos oficialmente reconhecidos do Brasil, e o dia 3 de outubro é feriado estadual no Rio Grande do Norte.
Que sabores provar na terra dos mártires?
A culinária são-gonçalense reflete o interior potiguar com tempero de litoral. O Rio Potengi abastece a mesa com camarão e crustáceos frescos. O Galo Branco de Dona Neném, tradicional ponto gastronômico às margens da rodovia, serve pratos como carne de sol, carneiro torrado, buchada e galinha caipira. Tudo acompanhado de macaxeira, farofa e o inevitável arroz de leite.
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Quando o clima favorece a visita?
São Gonçalo do Amarante tem clima tropical quente, com chuvas concentradas entre março e julho. O calor é constante o ano inteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao berço do folclore potiguar?
O Aeroporto Internacional Aluízio Alves fica dentro do próprio município, a cerca de 22 km do centro de Natal. Recebe voos domésticos das principais capitais e conexões internacionais. De carro, a sede de São Gonçalo está a 17 km de Natal pela BR-406.
Uma parada que vale mais que uma conexão
São Gonçalo do Amarante é daqueles lugares que a maioria dos turistas atravessa sem perceber, a caminho das dunas e praias da capital. O município guarda, porém, uma combinação rara: os primeiros santos do país, um folclore centenário dançado ao som de rabeca e um artesanato em barro branco que virou cartaz nacional.
Você precisa parar em São Gonçalo do Amarante antes de seguir para Natal, nem que seja para ver de perto o Galo Branco e entender por que Câmara Cascudo chamou esta terra de berço da cultura popular.