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Esse fechamento dos estômatos ajuda as plantas a enfrentar dias quentes
A reação acontece mesmo quando a planta parece normal
Em dias muito quentes, muitas plantas passam por mudanças visíveis, como folhas murchas, perda de brilho e fechamento de estruturas microscópicas chamadas estômatos. Esse comportamento está ligado ao risco de perder água em excesso, e não apenas à alta temperatura, pois a planta precisa ajustar continuamente seu equilíbrio hídrico para sobreviver em ambientes secos e quentes.
O que são estômatos e como funcionam nas plantas
Os estômatos são pequenas aberturas formadas por duas células especiais, chamadas células-guarda, localizadas principalmente na parte inferior das folhas. Por meio dessas estruturas, a planta realiza trocas gasosas com o ambiente, absorvendo dióxido de carbono (CO₂) e liberando oxigênio (O₂) durante a fotossíntese.
Ao mesmo tempo, parte da água é liberada na forma de vapor, em um processo conhecido como transpiração, fundamental para o resfriamento da planta e o transporte de nutrientes. De maneira simplificada, os estômatos funcionam como válvulas reguladoras, que abrem e fecham para equilibrar a entrada de CO₂ e a perda de água pela superfície da folha.

Por que as plantas fecham os estômatos em dias muito quentes
Em dias muito quentes e com ar seco, a principal preocupação da planta é evitar a desidratação, pois a evaporação de água pelas folhas se intensifica rapidamente. Se os estômatos permanecessem totalmente abertos nessas condições, a perda de água poderia ser tão intensa a ponto de causar ressecamento dos tecidos e murcha severa.
Para reduzir esse risco, a planta ativa um mecanismo de proteção hídrica que inclui o fechamento parcial ou total dos estômatos. Um dos hormônios envolvidos nesse processo é o ácido abscísico, que atua nas células-guarda, reduzindo sua turgescência e levando ao fechamento da abertura estomática, o que diminui a transpiração, mas também reduz temporariamente a fotossíntese.
Como funciona o mecanismo de proteção hídrica nas plantas
O mecanismo de proteção hídrica não se limita ao fechamento dos estômatos, mas envolve um conjunto de estratégias estruturais e fisiológicas. Além de ajustar as trocas gasosas, a planta pode modificar a orientação das folhas, o crescimento das raízes e a produção de substâncias que ajudam a reter água dentro das células.
Para enfrentar o estresse térmico e a falta de água, muitas espécies desenvolvem características específicas que reduzem a perda hídrica e ampliam a captação de água, especialmente em ambientes como Cerrado e regiões semiáridas. Entre as principais medidas adotadas pelas plantas para preservar água, destacam-se:
- Fechamento estomático: reduz a transpiração nos horários mais quentes do dia.
- Folhas menores ou mais espessas: diminuem a área exposta ao sol e à evaporação.
- Cutícula mais espessa: camada cerosa que reduz a perda de água pela superfície foliar.
- Raízes mais profundas: aumentam a capacidade de buscar água em camadas inferiores do solo.
Em dias muito quentes, as plantas fecham os estômatos como forma de proteção hídrica. Neste vídeo do canal Ramos Hidropônicos, que reúne mais de 91 mil de inscritos e soma cerca de 34 mil visualizações, você entende por que esse mecanismo é tão importante para a sobrevivência vegetal:
Por que as folhas murcham e mudam de posição com o calor
O murchamento das folhas em dias quentes é um dos sinais mais claros de estresse hídrico, resultado da perda de água pelas células e da diminuição da pressão de turgor. Com menor pressão interna, os tecidos foliares se tornam menos firmes, e as folhas passam a ficar caídas ou curvadas, indicando que a planta está em desequilíbrio hídrico momentâneo.
Apesar de parecer apenas um sinal de fraqueza, o murchamento também ajuda na proteção, pois reduz a área diretamente exposta à luz solar e ao aquecimento excessivo. Algumas espécies ainda apresentam movimentos de dobra ou enrolamento das folhas nos períodos mais quentes, o que, somado ao fechamento dos estômatos, contribui para limitar a perda de água e evitar danos permanentes.
Como esse conhecimento ajuda a cuidar melhor das plantas
Compreender por que os estômatos se fecham e por que as folhas murcham com o calor permite ajustar o manejo em jardins e cultivos agrícolas. Em horários de sol muito forte, por exemplo, a rega tende a ser menos eficiente, pois parte da água evapora rapidamente, e a planta já está com os estômatos mais fechados para se proteger.
Por isso, é mais adequado irrigar no início da manhã ou no fim da tarde, quando a transpiração é menor e a absorção de água pelo solo é mais eficiente. Além disso, práticas como monitorar a umidade do solo, oferecer sombreamento em ondas de calor e escolher espécies adaptadas ao clima local ajudam a reduzir o estresse térmico e manter as plantas mais saudáveis.