Esse inseto só aparece depois de chuvas fortes e logo some - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Esse inseto só aparece depois de chuvas fortes e logo some

O aparecimento costuma durar poucas horas

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Esse inseto só aparece depois de chuvas fortes e logo some
Aparição em grande quantidade está associada a chuvas e aumento da umidade

Em muitas cidades brasileiras, é comum que, após chuvas fortes, um tipo específico de inseto apareça em grande quantidade ao redor de lâmpadas, varandas e janelas. Trata-se da efêmera, conhecida na biologia pela ordem Ephemeroptera. Esse animal chama a atenção por surgir de forma repentina, em nuvens, e desaparecer com a mesma rapidez, levantando dúvidas sobre sua origem, seu ciclo de vida e seu papel no ambiente. Assim, a efêmera é um inseto aquático em grande parte da vida, que sinaliza a qualidade da água e o equilíbrio dos ecossistemas.

O que é a efêmera (Ephemeroptera) e por que recebe esse nome

A palavra efêmera vem do grego e remete a algo de duração curta, o que descreve bem a fase adulta desses insetos. Os Ephemeroptera formam uma ordem de insetos alados, geralmente delicados, com corpo alongado, antenas curtas e duas ou três caudas finas na extremidade do abdômen, típicas desse grupo. Nessa fase, o inseto é um organismo alado, extremamente frágil e especializado na reprodução rápida.

Em muitas espécies, o adulto vive apenas algumas horas ou poucos dias, tempo suficiente para realizar a reprodução. Antes disso, o inseto passa a maior parte da vida como ninfa aquática, etapa que pode durar meses ou até anos e ocorre totalmente submersa, com respiração por brânquias e alimentação baseada em algas, detritos e micro-organismos. Essa fase de ninfa é essencial para o crescimento, o acúmulo de energia e a participação na cadeia alimentar aquática.

Esse inseto só aparece depois de chuvas fortes e logo some
Depois da chuva, esse inseto surge – Créditos: depositphotos.com / softkrafts.live.com

Como é o ciclo de vida da efêmera na água e no ar

Na fase aquática, as ninfas de efêmeras vivem em rios, riachos e lagos de água doce, preferencialmente bem oxigenados e com correnteza moderada. Ao se alimentar de material orgânico em decomposição e algas, atuam como importantes recicladoras de nutrientes e ajudam a manter o equilíbrio dos ecossistemas dulcícolas. Esse papel de decompositor faz das ninfas organismos-chave na reciclagem de nutrientes e na manutenção da biodiversidade aquática.

Quando completam o desenvolvimento, as ninfas emergem à superfície e sofrem uma metamorfose para a fase alada, que é muito breve e voltada quase exclusivamente à reprodução. Em muitas espécies, os adultos sequer se alimentam, concentrando energia em formar enxames, acasalar e depositar ovos de volta na água, fechando o ciclo. Esse processo de metamorfose rápida garante a continuidade da espécie e conecta diretamente os ambientes aquáticos e aéreos.

Por que a efêmera aparece principalmente depois de chuvas fortes

O aparecimento da efêmera após temporais está diretamente ligado ao seu ciclo de desenvolvimento e às condições da água. As chuvas intensas alteram rios e lagos, criando um conjunto de estímulos ambientais que favorece a metamorfose e a emergência simultânea de muitos indivíduos. Esses estímulos funcionam como um gatilho natural, associados à chuva e à variação de clima.

Assim, esses eventos funcionam como um gatilho natural para a fase aérea. Entre os principais efeitos das chuvas fortes sobre as efêmeras, destacam-se:

  • Aumento do nível da água em rios e lagos, oferecendo melhores condições para as ninfas completarem o crescimento.
  • Melhora na oxigenação da água, facilitando a respiração dos estágios aquáticos mais sensíveis.
  • Variações de temperatura, correnteza e luminosidade que sinalizam o momento adequado para a metamorfose e a emergência em massa.

Qual é a função ecológica da efêmera nos ecossistemas aquáticos

Embora cause estranhamento quando aparece em grande quantidade, a efêmera tem papel relevante na cadeia alimentar e na manutenção da qualidade da água. Na fase aquática, as ninfas ajudam a processar matéria orgânica, atuando como pequenos “limpadores” naturais de rios e córregos ao consumir detritos e algas. Assim, funcionam como importantes bioindicadores e contribuem para a sanidade e a estabilidade dos ambientes aquáticos.

Na fase aérea, os adultos servem de alimento para aves insetívoras, peixes que saltam à superfície, anfíbios, morcegos e outros insetos predadores. Em períodos de grande emergência, podem representar uma fonte abundante de proteína, funcionando como um elo importante da teia alimentar e sustentando picos de alimentação de vários animais. Nessa etapa, tornam-se um recurso trófico crucial, impulsionando a produtividade e favorecendo o equilíbrio entre predadores e presas.

Há um inseto curioso que só aparece depois de chuvas fortes, chamando atenção pela presença repentina. Neste vídeo do canal Biologia com Samuel Cunha, que reúne mais de 1.7 milhões de inscritos e soma cerca de 1.9 mil visualizações, você entende por que isso acontece:

Como lidar com a presença de efêmeras em áreas urbanas

Em ambientes urbanos, o volume de efêmeras atraídas pela iluminação pode causar incômodo temporário, especialmente em comércios e residências próximos a rios, represas ou canais. Apesar disso, são insetos inofensivos, não picam, não transmitem doenças e não danificam estruturas, sendo mais um problema estético do que sanitário. Portanto, são animais inofensivos, cuja presença está ligada à iluminação artificial e à proximidade com rios e lagos.

Alguns cuidados simples podem reduzir a quantidade de efêmeras ao redor das casas e estabelecimentos, sem interferir no ciclo natural do inseto nem exigir o uso de produtos químicos. Entre as medidas mais recomendadas estão:

  1. Diminuir a intensidade da iluminação externa em noites logo após chuvas fortes, quando possível.
  2. Utilizar lâmpadas com espectro menos atrativo para insetos, como luzes amareladas em áreas abertas.
  3. Manter portas e janelas teladas em regiões próximas a corpos d’água.

O que a efêmera revela sobre a qualidade da água e o meio ambiente

A presença abundante de efêmeras costuma estar associada a corpos d’água relativamente saudáveis, pois as ninfas são sensíveis à poluição intensa e à falta de oxigênio. Por isso, muitas espécies de Ephemeroptera são usadas como bioindicadores em estudos de monitoramento ambiental de rios e córregos. A efêmera passa a ser, assim, um sinal ambiental importante, ligado à conservação e à boa qualidade da água.

Observar o inseto que surge depois de chuvas fortes ajuda a entender a relação entre clima, rios e biodiversidade, além de indicar ecossistemas aquáticos ainda funcionais. O contraste entre o longo período submerso e a brevíssima vida no ar ilustra uma estratégia de sobrevivência moldada ao longo de milhões de anos e reforça a importância de preservar a qualidade da água doce para manter esses ciclos naturais ativos. Dessa forma, a efêmera se torna um lembrete ecológico da necessidade de preservar rios e de proteger toda a biodiversidade associada a eles.