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Estudo aponta que pessoas com diagnósticos de saúde mental semelhantes tendem a formar casais

Estudo aponta semelhanças de saúde mental entre casais

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O que a saúde mental pode revelar sobre a escolha de parceiros
O que a saúde mental pode revelar sobre a escolha de parceiros

Os opostos podem até se atrair, mas, quando o assunto é saúde mental, os casais costumam ser mais parecidos do que se imagina. Um estudo com dados de mais de 4,2 milhões de pessoas na Dinamarca mostrou que pais e mães apresentam diagnósticos psiquiátricos semelhantes com mais frequência do que seria esperado ao acaso. O padrão foi mais forte nos transtornos mentais do que nas doenças físicas, mas os pesquisadores alertam que isso não significa que as pessoas procurem, de propósito, parceiros com o mesmo diagnóstico.

O que o estudo descobriu sobre saúde mental e casais?

A pesquisa, publicada em setembro de 2026 na revista científica JAMA Psychiatry, usou registros nacionais de 4.244.585 moradores da Dinamarca nascidos entre 1969 e 2017. Dentro desse grupo, os cientistas identificaram 549.541 pares de pais e mães e 822.209 filhos, com informações de registros civis, hospitalares e psiquiátricos.

O fenômeno estudado é chamado de acasalamento não aleatório, quando parceiros têm características em comum com mais frequência do que se os casais se formassem totalmente ao acaso. Como não era possível saber o que cada pessoa buscava em um parceiro, a equipe comparou quanto pais e mães se pareciam nos diagnósticos registrados ao longo da vida.

O que a saúde mental pode revelar sobre a escolha de parceiros
O que a saúde mental pode revelar sobre a escolha de parceiros

Quais transtornos tiveram maior semelhança entre os parceiros?

A esquizofrenia teve a maior correlação entre parceiros com o mesmo diagnóstico. Os principais resultados foram:

  • Esquizofrenia com a maior semelhança entre os parceiros
  • TDAH, autismo e transtorno por uso de substâncias também com associações relevantes
  • Associações entre parceiros com diagnósticos psiquiátricos diferentes
  • Redução de parte dessas associações quando outros diagnósticos da mesma pessoa foram considerados
  • Semelhança menor entre os parceiros no caso das doenças físicas

Um exemplo citado foi a associação entre homens com transtorno por uso de substâncias e mulheres com TDAH. Isso não quer dizer que esse tipo de casal seja comum, apenas que a combinação apareceu mais do que o esperado dentro da amostra.

Como os pesquisadores compararam casais reais e simulados?

Para medir o impacto do padrão, a equipe criou famílias fictícias. Os pesquisadores mantiveram as mães reais e trocaram os parceiros por homens escolhidos ao acaso, com idade e localização parecidas, e depois compararam essas famílias com as verdadeiras. O método funcionou assim:

Etapa Como funcionou
Famílias reais Casais e filhos identificados nos registros dinamarqueses.
Casais simulados Parceiros combinados ao acaso, por idade e localização.
Repetições A simulação foi feita 1.000 vezes.
Resultado Aumento estimado de 1,8% na presença de algum transtorno psiquiátrico.

O estudo também encontrou um aumento de 12,5% na estimativa de herdabilidade, medida que indica quanto uma característica se repete entre pais e filhos. O número não significa que os filhos tenham 12,5% a mais de risco genético, porque reflete também o ambiente familiar.

A pesquisa que encontrou um padrão curioso nos relacionamentos
A pesquisa que encontrou um padrão curioso nos relacionamentos

O estudo prova que as pessoas escolhem parceiros iguais?

Não. Os resultados são compatíveis com a ideia de escolha de parceiros parecidos, mas não explicam por que os diagnósticos se repetem. Vários transtornos psiquiátricos começam na infância ou na adolescência e influenciam estudos, trabalho e vida social antes da formação do casal.

Entre as possíveis explicações para o padrão estão:

  • Atração por pessoas com características parecidas
  • Preferência por traços indiretamente ligados aos transtornos
  • Convivência nos mesmos ambientes sociais
  • Semelhanças educacionais, econômicas ou culturais
  • Proximidade geográfica
  • Mudanças que tornam os parceiros mais parecidos depois do início da relação

Quais são os limites e a importância da pesquisa?

Os diagnósticos vieram de registros médicos acumulados ao longo da vida, e alguns podem ter sido feitos anos depois do início do relacionamento. Pessoas sem diagnóstico formal também ficam de fora, e a análise incluiu apenas casais que tiveram filhos, por isso os resultados não valem automaticamente para todos os relacionamentos. Como os dados são da Dinamarca, novas pesquisas em outros países ainda precisam confirmar o padrão.

Ainda assim, entender como os transtornos se agrupam nas famílias pode ajudar serviços de saúde a acompanhar melhor famílias em que vários integrantes enfrentam questões de saúde mental. Os resultados não indicam que relacionamentos entre pessoas com transtornos sejam prejudiciais nem que os filhos vão necessariamente desenvolver alguma condição, já que o risco depende de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e sociais.

Cuidar da saúde mental é cuidar da família. Se você ou alguém próximo enfrenta sintomas de algum transtorno, procure apoio de um profissional de saúde. Compartilhe este estudo com quem se interessa por relacionamentos e comportamento.