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Fazendeiro acha dinossauro de 67 milhões de anos no próprio terreno e o esqueleto é vendido por R$ 259 milhões sete anos depois
Com 70% da estrutura preservada, peça rara de 67 milhões de anos surpreende o mercado e promete desvendar grandes mistérios sobre predadoresO esqueleto de dinossauro Jodi atingiu a marca de US$ 47,3 milhões, equivalente a cerca de R$ 260 milhões, em leilão organizado pela Sotheby’s. As ofertas pelo exemplar superaram a estimativa máxima logo nos primeiros momentos da disputa comercial.
A casa de leilões manteve em sigilo a identidade de quem comprou a peça, sem detalhar se a aquisição partiu de um colecionador individual ou de uma entidade privada. O resultado confirma o aumento na procura por fósseis pré-históricos de grande porte, vistos por compradores particulares como artigos decorativos raros e ativos financeiros duradouros.
Estrutura rara e descoberta em Hell Creek
O espécime se destaca por estar 70% completo, reunindo crânio em bom estado, dentes preservados e ossos dos membros articulados. Essas características fornecem dados biométricos detalhados que costumam ser perdidos quando as peças sofrem esmagamento ou fragmentação.
A fazendeira Jodi Pierson descobriu a ossada em sua propriedade em 2019, na Formação Hell Creek, estrato sedimentar do norte das Grandes Planícies com registros de 67 milhões de anos atrás. Escavadores comerciais trabalharam durante meses para retirar o fóssil das rochas que documentam o ecossistema existente pouco antes da extinção em massa.
Montada, a estrutura mede quase seis metros da cabeça até a cauda e cerca de três metros de altura. Registros históricos da região catalogaram apenas outros três esqueletos de Nanotyrannus em condições de conservação semelhantes.
Debate científico sobre o Nanotyrannus
Pesquisas recentes indicam que o exemplar pertencia a um gênero independente de predador, contrariando a hipótese de que seria uma versão juvenil do Tyrannosaurus rex. O animal possuía porte bem inferior ao do predador maior, mas contava com braços mais longos, garras avantajadas e dentes afilados similares a lâminas.
Essa divisão corporal motivou discussões entre especialistas ao longo de décadas. Um estudo de 2025 contestou a antiga teoria ao comprovar que o Nanotyrannus atingia desenvolvimento pleno em uma linhagem separada.
Outra pesquisa, veiculada em 2026 pelo periódico “PeerJ”, avaliou anéis de crescimento em 17 espécimes de tiranossauros. Jack Horner, pesquisador da Universidade Chapman e coautor do artigo, verificou que o T. rex continuava crescendo até cerca de 40 anos, informação que força a comunidade científica a reavaliar a classificação de fósseis tidos como jovens.
A ida de esqueletos raros para o comércio privado preocupa paleontólogos por limitar pesquisas contínuas e avaliações acadêmicas por pares. Instituições e museus públicos enfrentam dificuldades financeiras para competir com os lances apresentados por particulares.
A responsável pelo setor de história natural da Sotheby’s, Cassandra Hatton, destacou a equipe de campo pelo resgate do exemplar. O valor pago reflete o interesse comercial do setor, em vez de uma avaliação estritamente científica.
O acesso futuro de especialistas à ossada depende da autorização do comprador, que ainda não impôs vetos públicos aos estudos. A comunidade acadêmica aguarda a destinação do fóssil, na expectativa de que a estrutura seja exposta em um museu público ou continue aberta para análises científicas.