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Frase do dia da Psicologia: “Curar não é apagar o passado, mas impedir que ele continue comandando o presente”, a poderosa reflexão sobre recuperação emocional

Frase do dia mostra como o passado pode deixar de comandar o presente.

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Essa distância entre o que a razão entende e o que o corpo faz é o cerne da proposta dele.

Muita gente entra em terapia esperando esquecer o que aconteceu. A frase “curar não é apagar o passado, mas impedir que ele continue comandando o presente” vira meme, print de story e legenda de perfil justamente porque contraria essa expectativa. Ela é inspirada no trabalho do psiquiatra Bessel van der Kolk, referência mundial em trauma.

Por que essa frase circula tanto entre quem faz terapia?

Quem já passou por algo pesado conhece a rotina. A cena volta na hora de dormir, um cheiro na rua desperta a lembrança inteira, uma frase inocente do parceiro dispara reação desproporcional. A pessoa se pergunta por que ainda sente aquilo, se já se passou tanto tempo.

É esse cansaço que faz a frase colar. Ela não promete apagar nada, promete tirar o controle da mão do passado. Uma diferença que parece pequena e, para quem vive com trauma, muda o dia.

A frase corre risco de virar chavão de rede social quando alguém a repete sem entender o trabalho por trás.

Quem é Bessel van der Kolk e por que ele importa nessa conversa?

Bessel van der Kolk é psiquiatra holandês radicado nos Estados Unidos, professor de psiquiatria na Boston University e fundador do Trauma Research Foundation. Ele dedicou décadas ao estudo de veteranos de guerra, sobreviventes de abuso e crianças em situação de risco.

Seu livro The Body Keeps the Score, lançado em 2014, virou um dos títulos mais vendidos sobre trauma no mundo. A tese central é simples e desconfortável: o corpo lembra do que a mente tenta esquecer.

O que ele quer dizer com “o corpo guarda a conta”?

Van der Kolk mostra que experiências traumáticas ficam registradas em regiões do cérebro ligadas à sobrevivência, não à linguagem. Por isso, muita gente sabe intelectualmente que o perigo passou, mas continua reagindo com o coração disparado, sudorese e vontade de fugir.

Essa distância entre o que a razão entende e o que o corpo faz é o cerne da proposta dele. Curar, nesse sentido, não é esquecer, é ensinar corpo e mente a conversarem de novo. As bases dessa abordagem são estas:

1
Reconhecer a marca no corpo Perceber onde o trauma se instalou fisicamente: peito, garganta, sono, respiração.
2
Nomear a experiência Dar palavras ao que aconteceu, num ambiente seguro, sem pressa de fechar o assunto.
3
Regular o sistema de alarme Trabalhar respiração, movimento e presença para acalmar o corpo em modo defensivo.
4
Construir vínculos seguros Relações que dão previsibilidade emocional ajudam o cérebro a confiar de novo.
5
Recuperar autonomia Voltar a tomar decisões práticas devolve à pessoa o senso de que a vida é dela.

Qual a diferença entre esquecer o trauma e não ser mais governado por ele?

É aqui que a frase encontra sua força real. Esquecer implicaria fingir que aquilo não aconteceu, o que raramente é possível e nunca é saudável. Não ser mais governado é outra história: a lembrança segue existindo, só que perde o poder de sequestrar o presente.

Na prática, isso muda o funcionamento do dia a dia de formas concretas:

Situação Passado no comando Passado no lugar dele
Discussão em casa Gatilho comum Reação explosiva desproporcional ao motivo real. Resposta ao presente
Novo relacionamento Vínculo afetivo Desconfiança automática, mesmo sem sinal de perigo. Curiosidade e cuidado
Ambiente de trabalho Cobrança comum Culpa antecipada, medo constante de errar. Erro comum de aprendizado
Lembranças espontâneas Ao longo do dia Paralisia, choro repentino, dissociação. Memória sem sequestro

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Como aplicar essa ideia sem cair no otimismo forçado?

A frase corre risco de virar chavão de rede social quando alguém a repete sem entender o trabalho por trás. Van der Kolk nunca prometeu solução rápida, e o próprio livro dedica centenas de páginas a mostrar que a cura passa por corpo, terapia, movimento e vínculo, não por afirmações positivas ditas ao espelho.

O ponto útil da frase é este: tirar da pessoa o peso de precisar esquecer. Ninguém precisa apagar a própria história para viver bem, precisa apenas encontrar o caminho para que ela deixe de decidir cada reação do dia seguinte. É um alívio menos glamoroso, mas muito mais possível.

💡 Curiosidade The Body Keeps the Score ficou mais de 250 semanas na lista dos livros mais vendidos do New York Times, quase uma década depois do lançamento original em 2014.