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Frida Kahlo, em seu diário: “Pés, para que os quero, se tenho asas para voar?” Uma reflexão sobre liberdade escrita depois da amputação
Frida Kahlo e as asas para voar: a frase do diário ganha sentido com a amputação da perna direita, em 1953
foi o ano em que Frida Kahlo perdeu a perna direita, fase em que o diário fala de asas para voar.
Fonte: Diário de Frida Kahlo, publicado em 1995
Em agosto de 1953, os médicos amputaram a perna direita de Frida Kahlo na altura do joelho, por causa de uma gangrena. No diário que manteve na última década de vida, ela deixou uma página com o desenho de um par de pés. Ao lado, escreveu: “Pés, para que os quero, se tenho asas para voar?”. O diário só chegou ao público em 1995, com introdução do escritor mexicano Carlos Fuentes. A frase virou uma das mais citadas da pintora mexicana.
Qual era a situação de Frida quando escreveu a frase?
A frase nasce de um corpo marcado por quase três décadas de dor, tratamentos e internações. Os marcos dessa trajetória incluem:
- o acidente de ônibus de setembro de 1925, que fraturou a coluna e a pelve da jovem estudante;
- uma longa série de cirurgias ao longo da vida;
- os coletes ortopédicos que usou por anos e chegou a pintar;
- a amputação da perna direita, em agosto de 1953, por gangrena.

O que o diário revela sobre a Frida dos últimos anos?
O diário revela uma artista que alternava dor, humor e desejo de continuar criando. Em fevereiro de 1954, ela registrou que a amputação tinha acontecido seis meses antes e descreveu o período como séculos de tortura. As páginas dessa fase trazem esqueletos, anjos e figuras aladas, desenhados com lápis de cor e aquarela. A frase sobre as asas aparece nesse mesmo caderno, como resposta desenhada e escrita à perda. Mesmo nesse período, ela voltou a pintar quando a saúde permitia, muitas vezes presa à cama ou à cadeira de rodas.
A frase ganha outro peso quando vista ao lado dos últimos anos da artista. A linha do tempo abaixo reúne os marcos principais.
Por que a frase virou símbolo de liberdade?
A frase virou símbolo porque troca a perda do corpo por uma imagem de voo, sem negar a dor. Leitores e críticos costumam ver nela a ideia de que a imaginação continua livre quando o corpo falha. Para quem convive com deficiência, doença crônica ou luto, a leitura é direta. Não se trata de fingir que está tudo bem, e sim de procurar outro caminho para seguir criando. O próprio diário, cheio de cor até o fim, reforça essa leitura. A pintura dela sempre usou o próprio corpo como tema, e o diário segue o mesmo caminho.
Onde conhecer a obra e o diário de Frida hoje?
A Casa Azul, em Coyoacán, onde Frida nasceu e morreu, virou museu em 1958 e recebe cerca de 25 mil visitantes por mês. Ali, o público vê o ateliê, a cama e os coletes usados pela artista. O diário ganhou edições em vários idiomas desde 1995.
Algumas obras conversam diretamente com o tema do corpo e da dor, presente em toda a carreira. Estas ajudam a entender a frase das asas:
- As Duas Fridas, de 1939;
- O Sonho, também chamada de A Cama, de 1940;
- A Coluna Partida, de 1944;
- as páginas do diário, escritas entre a década de 1940 e 1954.
O que a frase de Frida ensina sobre recomeçar?
Ensina que a perda pode mudar o caminho sem apagar a vontade de seguir. Escrita na fase final da vida, a frase continua viva porque fala de um limite real e de uma saída pela imaginação. Os detalhes dessa trajetória estão na biografia de Frida Kahlo.
E para você, o que essa frase significa? Vote na enquete abaixo e conte nos comentários qual obra de Frida mais toca você.
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