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Fundada após a descoberta de ouro em 1727, esta cidade goiana virou berço da imprensa estadual e mantém uma festa por quase 60 dias
Entre igrejas do século XVIII e cavalhadas medievais.
Cidades do ouro costumam preservar igrejas, mas poucas guardam também a memória da imprensa. A 150 km de Brasília, Pirenópolis viu circular entre 1830 e 1834 o Matutina Meiapontense, primeiro jornal de Goiás, e mantém desde 1819 uma Festa do Divino que transforma o centro histórico em palco por quase dois meses.
Como o ouro fez nascer Pirenópolis?
A cidade surgiu da busca por minas no interior do Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1727 uma bandeira chefiada por Manoel Rodrigues Tomar e guiada por Urbano do Couto Menezes chegou à Serra dos Pireneus e, diante da quantidade de ouro, fundou as Minas de Nossa Senhora do Rosário ao pé da montanha.
O núcleo cresceu em volta de três igrejas e virou distrito de Meia Ponte em 1734. O nome atual só chegou em 1890, em homenagem à serra que, por sua vez, foi batizada com o nome da cordilheira entre França e Espanha, conforme a Goiás Turismo. Uma serra goiana, portanto, carrega o nome de montanhas europeias a mais de 8 mil km de distância.

O que visitar no centro histórico e arredores de Pirenópolis?
O roteiro combina construções do ciclo do ouro, protegidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com áreas de Cerrado preservado a poucos km do centro. Os pontos abaixo aparecem no levantamento oficial da Goiás Turismo.
Por que a Festa do Divino é tão importante em Pirenópolis?
A festa organiza o calendário e a vida social da cidade há mais de dois séculos. Segundo o IPHAN, a celebração acontece todos os anos desde 1819, dura cerca de 60 dias e tem seu ponto alto no Domingo de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa. O registro como patrimônio imaterial veio em 2010, e a Fundação Nacional de Artes (Funarte) destaca que ela foi a segunda celebração inscrita no Livro de Registro das Celebrações.
O momento mais esperado são as Cavalhadas, encenação a cavalo da batalha medieval entre mouros e cristãos, com cavaleiros divididos em times azul e vermelho. A Goiás Turismo aponta a versão pirenopolina como uma das mais significativas do país, a ponto de servir de modelo para outras cidades.
Onde fica o segundo ponto mais alto de Goiás?
Ele está no Parque Estadual dos Pireneus, a cerca de 20 km da cidade. Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (SEMAD), o Pico dos Pireneus chega a 1.385 m de altitude, e no alto da serra devotos celebram missas desde 1927, quando a primeira foi rezada em um altar improvisado.
Criado em 1987, o parque protege 2.834 hectares, área equivalente a quase 4 mil campos de futebol, com cerrado rupestre, vegetação que cresce diretamente sobre as rochas. Da serra nascem córregos que formam o Rio das Almas e o Rio Corumbá, e o relevo funciona como divisor entre as bacias do Tocantins e do Paraná.
Qual a melhor época para visitar Pirenópolis?
A região tem duas estações bem marcadas: chuvas de outubro a março e seca de abril a setembro. Julho é o mês mais seco, com média de apenas 1 mm de chuva, enquanto setembro e outubro registram as máximas mais altas do ano, de 31°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Pirenópolis saindo de Brasília ou Goiânia?
A cidade fica a 150 km de Brasília e a 120 km de Goiânia, proximidade que a Goiás Turismo aponta como um de seus maiores diferenciais. O acesso a partir das duas capitais é rodoviário, o que permite viagens de fim de semana sem grandes deslocamentos.
Pirenópolis está aos pés da Serra dos Pireneus e às margens do Rio das Almas, dentro da região turística Ouro e Cristais. O Parque Estadual dos Pireneus recebe visitantes todos os dias, das 8h às 17h, e cabe facilmente no mesmo roteiro do centro histórico.
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O Cerrado que guarda três séculos de fé e ouro
Pirenópolis une a herança das minas, uma festa que atravessa gerações e uma serra que separa duas das maiores bacias do país. Poucas cidades do Centro-Oeste reúnem tanta história a uma viagem curta das capitais.
Você precisa conhecer Pirenópolis e caminhar sem pressa por uma cidade onde o Cerrado e o ciclo do ouro ainda dividem a mesma paisagem.