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Fundada em 1767, esta cidade paulista preserva a maior escola de agronomia da América Latina e um salão de humor com 50 anos
Do antigo Engenho Central ao Pantanal Paulista.
O Rio Piracicaba corta a paisagem urbana com uma queda d’água que chama a atenção de quem passa pelo centro. Às margens do rio, casarões coloridos ganharam novos usos e hoje funcionam como restaurantes. Piracicaba também preserva a instituição mais antiga de ensino agrícola do Brasil e realiza, há cinco décadas, o principal salão de humor gráfico do país.
Como o açúcar abriu caminho para a ciência e o ensino
A história de Piracicaba começou oficialmente em 1º de agosto de 1767, mas foi no fim do século 19 que a cidade alcançou um de seus períodos de maior prosperidade. Na época, o Engenho Central chegou a ser a maior usina de açúcar do estado de São Paulo, com produção anual de 100 mil sacas de açúcar e 3 milhões de litros de álcool sob administração francesa.
Uma nova etapa começou em 1901, quando a família Queiroz doou terras para a criação da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ). Atualmente integrada à Universidade de São Paulo (USP), a instituição tornou-se referência mundial em pesquisa agrícola. Sua presença ajudou a consolidar a relação de Piracicaba com a indústria, a ciência e o agronegócio.

Qual é a rotina de quem mora em Piracicaba?
Piracicaba oferece serviços e estrutura de uma cidade de médio porte sem abrir mão da tranquilidade do interior. Localizada a aproximadamente 164 km da capital paulista, tem acesso por rodovias duplicadas que facilitam as viagens até Campinas e o Aeroporto de Viracopos.
O rio e as áreas verdes fazem parte da rotina dos moradores. Nos fins de semana, o Parque do Mirante e o calçadão da Rua do Porto atraem famílias e visitantes. Até o jeito de falar tem identidade própria: o sotaque caipira piracicabano recebeu reconhecimento como patrimônio cultural imaterial do município em 2016.
Cinco passeios para conhecer Piracicaba de perto
Grande parte dos atrativos turísticos está concentrada no entorno do rio, onde a queda d’água e os antigos casarões compõem uma das paisagens mais conhecidas do interior paulista. Muitos desses pontos podem ser visitados a pé, em trajetos curtos.
- Rua do Porto: calçadão às margens do rio, com restaurantes instalados em casarões do século 19. É conhecido pelo peixe assado no tambor e pela tradicional pamonha piracicabana.
- Engenho Central: antiga usina inaugurada em 1881, transformada em complexo cultural com 80 mil m² de área verde. O espaço recebe festivais, exposições e o salão de humor.
- Parque do Mirante: oferece vista panorâmica do salto, do Engenho Central e da Ponte Pênsil, além de contar com um aquário municipal anexo.
- ESALQ-USP: campus centenário aberto à visitação, com jardins, museus e construções históricas cercadas por áreas de mata.
- Tanquã: área alagada do rio situada a 30 km do centro. Conhecida como Pantanal Paulista, chama a atenção pela variedade de aves e pela vegetação abundante.
Por que Piracicaba é conhecida como capital mundial do humor gráfico?
A tradição começou em 1974, quando um grupo de artistas se reuniu no Café do Bule e criou o Salão Internacional de Humor, durante a ditadura militar. Ao longo das décadas, o evento tornou-se uma das iniciativas mais antigas do gênero no mundo e ajudou a revelar artistas como Angeli e Laerte.
Em 2023, o salão recebeu registro como patrimônio cultural imaterial, consolidando o reconhecimento internacional de Piracicaba como capital mundial do humor gráfico. O evento acontece todos os anos no Engenho Central, com obras vindas de dezenas de países.

O que comer em Piracicaba?
A gastronomia local mistura herança caipira, peixes de rio e a forte presença de imigrantes italianos e portugueses chegados no ciclo do açúcar. Os pratos típicos giram em torno do que sai do Rio Piracicaba.
- Peixe no tambor: pacu, dourado ou tilápia assados em tambores metálicos sobre brasa, prato símbolo dos restaurantes da Rua do Porto.
- Pamonha piracicabana: vendida em barracas tradicionais ao redor do calçadão, é uma das pamonhas mais cremosas do interior paulista.
- Cachaça artesanal: a região mantém alambiques centenários, herança direta do auge canavieiro do século 19.
- Doces caseiros: pé de moleque, paçoca e doce de leite aparecem nas feiras e no Mercado Municipal.
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Como chegar à cidade do interior paulista?
Piracicaba fica a 164 km da capital pela Rodovia dos Bandeirantes e pela SP-308, cerca de 2 horas de carro. Ônibus partem da rodoviária do Tietê a cada hora, e o aeroporto de Viracopos, em Campinas, está a 80 km do centro.
A cidade onde o rio para
Piracicaba significa, em tupi, lugar onde o peixe para. A cidade traduz bem o nome: uma pausa entre o agronegócio paulista e o turismo cultural, com cachoeira no meio do centro, salão de humor cinquentenário e a maior escola de agronomia da América Latina às margens do rio.
Você precisa caminhar pela Rua do Porto, ouvir o sotaque piracicabano e entender por que essa cidade do interior virou referência em ciência, humor e gastronomia caipira.