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Fundada em 1948 por 500 famílias holandesas, a “Capital das Flores” brasileira tem o moinho holandês mais alto da América Latina e hoje atraí turistas a 130 km de São Paulo
Cerca de 500 famílias chegaram em 1948 e fundaram uma cidade.
Na Região Metropolitana no interior de Campinas, a 130 km de São Paulo e a 600 metros de altitude, Holambra nasceu do encontro entre três continentes. O nome mistura as iniciais de HOLanda, AMérica e BRAsil, homenagem à colônia agrícola fundada em julho de 1948 por 500 famílias holandesas que fugiam da Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial. Hoje, com pouco mais de 15 mil habitantes, a cidade ostenta o título federal de Capital Nacional das Flores e abriga o maior moinho holandês típico da América Latina, com 38 metros de altura e cinco andares abertos ao público.
Como 500 famílias holandesas fundaram Holambra em 1948?
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município começou com a chegada dos primeiros imigrantes holandeses em 5 de junho de 1948 à antiga Fazenda Ribeirão, adquirida pela Associação dos Lavradores e Horticultores Católicos da Holanda. As famílias vinham da província de Brabante do Norte, na Holanda, e buscavam recomeçar a vida em terras brasileiras após a devastação da Segunda Guerra Mundial. A propriedade original pertencia ao Frigorífico Armour, e o Brasil concedeu empréstimos para viabilizar a aquisição.
Em 14 de julho de 1948, foi criada a Cooperativa Agropecuária Holambra, marco oficial da fundação da colônia. O nome escolhido pelos imigrantes uniu as iniciais dos três países envolvidos no projeto de integração. A adaptação foi difícil, o gado leiteiro trazido da Holanda não resistiu ao clima tropical e às doenças, o que forçou a comunidade a diversificar a economia para suinocultura, avicultura e depois floricultura. Holambra foi elevada à condição de município em 30 de dezembro de 1991 pela Lei estadual nº 7644, com território desmembrado de Jaguariúna, Cosmópolis, Artur Nogueira e Santo Antônio de Posse.

O que ver no Moinho Povos Unidos e no centro histórico?
O Moinho Povos Unidos é o principal cartão-postal da cidade e um dos pontos turísticos mais visitados. Segundo publicação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), foi construído pela Prefeitura em parceria com o Departamento Estadual de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (DADE) e é o moinho holandês mais alto da América Latina.
Por que a Expoflora é a maior exposição de flores da América Latina?
A Expoflora acontece desde 1981 no Parque da Expoflora e transformou Holambra em ponto obrigatório do calendário turístico paulista. O evento reúne exposições de arranjos florais de todo o país, apresentações de danças folclóricas holandesas, gastronomia típica e a icônica Parada das Flores, quando os desfiles são finalizados com uma chuva de pétalas sobre os visitantes. Realizada anualmente em setembro, é considerada a maior exposição de flores e paisagismo da América Latina.
Fora do período da Expoflora, Holambra mantém programação turística durante o ano inteiro. Em dezembro, o Noeland ocupa o Parque da Expoflora com decoração natalina, luzes e atrações para crianças. Ao longo do ano acontecem eventos esportivos como o Trekker-Trek, competição de arrancada de tratores, a Corrida na Lama com obstáculos naturais e artificiais, e a tradicional Gincana de Charretes, competição em equipes que resgata a memória rural da colônia holandesa.

Quando foi criada a Capital Nacional das Flores?
O título federal de Capital Nacional das Flores foi conferido a Holambra pela Lei nº 12.428, sancionada em 17 de junho de 2011. O reconhecimento consolidou o que a cidade já vinha construindo há décadas na floricultura brasileira. Segundo a Plataforma de Turismo do Governo de São Paulo, o município também recebeu em 1998 a classificação de Estância Turística, categoria que enquadra as cidades paulistas com potencial turístico consolidado.
A história da floricultura em Holambra começou em 1951, quando um novo grupo de imigrantes trouxe as sementes iniciais de gladíolos. A produção se ampliou entre 1958 e 1965 com a chegada de mais colonos, e em 1972 a Cooperativa criou seu departamento específico de floricultura. Em 1989 foi inaugurado o leilão de plantas e flores, sistema herdado direto da tradição comercial holandesa que existe até hoje na Cooperativa Veiling Holambra.
O que comer na gastronomia holandesa de Holambra?
A gastronomia de Holambra preserva receitas trazidas pelos imigrantes originais e adaptadas ao paladar brasileiro ao longo de mais de sete décadas. Restaurantes típicos, confeitarias e docerias artesanais concentram-se principalmente no Boulevard Holandês e nas ruas do centro.
- Queijos holandeses artesanais: produzidos localmente seguindo receitas tradicionais dos Países Baixos, com destaque para variedades como gouda e edam.
- Torresmo holandês: petisco típico servido em restaurantes tradicionais e casas de chá do centro.
- Stroopwafel: biscoito holandês com recheio de calda de caramelo entre duas camadas finas.
- Bitterballen: bolinhos fritos de carne bovina servidos como aperitivo em bares e restaurantes típicos.
- Erwtensoep: sopa grossa de ervilha com linguiça, prato tradicional consumido no inverno.
- Doces caseiros e geleias artesanais: produção local com frutas da região vendida em lojas de artesanato.
Como é o clima de Holambra ao longo do ano?
Holambra tem clima tropical de altitude ameno com verões quentes e chuvosos e invernos secos e frescos. As temperaturas médias variam entre 13°C e 28°C ao longo do ano, e a altitude de 600 metros garante madrugadas frescas mesmo no verão. Segundo dados climatológicos, a média mensal de chuva em agosto fica em torno de 33 mm, o mês mais seco do ano, enquanto janeiro chega a 266 mm. A alta temporada turística coincide com o inverno seco entre junho e agosto e com o período da Expoflora em setembro, quando o clima favorece caminhadas pelo centro histórico e visitas aos campos de flores.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Holambra?
Holambra fica a 130 km da capital paulista e a 40 km de Campinas, com acesso principal pelas rodovias SP-107 e SP-340. Vindo de São Paulo, o trajeto de carro leva cerca de duas horas em condições normais pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) combinada com a SP-107. O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, é o ponto de conexão mais próximo para voos nacionais e internacionais, a cerca de 45 minutos de carro do centro de Holambra. O Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos é a alternativa mais robusta para voos internacionais, com trajeto de duas horas até a cidade. A rodoviária de Campinas opera linhas regulares intermunicipais que conectam a região metropolitana à Cidade das Flores, e serviços de transporte por aplicativo são uma opção prática para percursos curtos dentro do município.
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A Capital Nacional das Flores que resgatou a Holanda no interior paulista
Holambra combina três realidades em um mesmo território de 65 km². Recebeu o título federal de Capital Nacional das Flores pela Lei nº 12.428 em 2011, abriga o Moinho Povos Unidos mais alto da América Latina com seus cinco andares abertos ao público e sedia a Expoflora, maior exposição de flores do continente que acontece anualmente desde 1981. A herança dos 500 imigrantes holandeses que fundaram a colônia em 14 de julho de 1948 se mantém viva no Boulevard Holandês, na gastronomia típica e nos moinhos que ainda giram no interior paulista.
Você precisa reservar pelo menos um fim de semana para conhecer Holambra, subir aos cinco andares do Moinho Povos Unidos ao pôr do sol e caminhar entre os campos de girassóis para entender por que essa cidade a apenas 130 km de São Paulo conseguiu transformar a herança de 500 famílias holandesas em um dos destinos turísticos mais originais do interior brasileiro.