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Gabriel García Márquez, escritor colombiano e Nobel de Literatura, sobre o casamento: “O problema do casamento é que ele termina todas as noites depois do amor e é preciso reconstruí-lo todas as manhãs antes do café.” Uma reflexão sobre o trabalho diário de manter uma relação viva
Trecho de O amor nos tempos do cólera, de 1985, mostra como o autor colombiano via a convivência como um trabalho renovado a cada manhã
O escritor colombiano Gabriel García Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, deixou uma das imagens mais certeiras sobre o casamento. Em O amor nos tempos do cólera, de 1985, ele escreve que a vida a dois acaba todas as noites depois do amor e precisa ser reconstruída todas as manhãs, antes do café. A frase atravessou gerações porque fala de algo que qualquer casal reconhece: amor não se sustenta no piloto automático.
De onde vem a frase de García Márquez sobre o casamento?
A frase vem do romance El amor en los tiempos del cólera, publicado em 1985 e lançado no Brasil como O amor nos tempos do cólera. O trecho aparece na seleção El evangelio según Gabo: 20 frases capitales de El amor en los tiempos del cólera, do Centro Gabo, no bloco dedicado aos mistérios matrimoniais.
No original em espanhol, o fecho diz que “hay que volver a reconstruirlo todas las mañanas antes del desayuno”. Em bom português, é preciso reconstruir o casamento toda manhã, antes do café. A reflexão está ligada à história de Fermina Daza e do médico Juvenal Urbino, casal que passa décadas junto entre afeto, costume e atritos.
O que a imagem da reconstrução diária diz sobre a vida a dois?
A imagem diz que o relacionamento amoroso não é uma conquista feita uma vez só, mas um trabalho de todo dia. O autor separa dois momentos: a noite, da intimidade, e a manhã, da convivência prática, quando a rotina volta a pesar.

Na leitura mais comum, García Márquez não está sendo pessimista. Ele sugere que a união se refaz em gestos pequenos: o bom-dia, a conversa na mesa do café, a paciência com o jeito do outro. Para quem encara trânsito, boletos e dupla jornada, a frase soa muito próxima da vida real. O desgaste existe, e o reparo também precisa existir.
A ideia de que a vida a dois depende mais de cuidado do que de sorte aparece em outros grandes autores. Tolstói, por exemplo, refletiu sobre como os casais lidam com as próprias diferenças.
Como o Nobel colombiano escrevia sobre tédio e rotina no amor?
O Nobel colombiano escrevia sobre o amor sem idealizá-lo, misturando ternura, humor e desencanto. No mesmo romance, segundo a seleção do Centro Gabo, ele afirma que o problema da vida conjugal é aprender a dominar o tédio.
Outra linha do livro vai na mesma direção: o mais importante num bom casamento não seria a felicidade, mas a estabilidade. Lidas juntas, essas frases mostram um autor interessado no amor que dura, com seus desgastes, e não só na paixão do começo.

Essa visão combina com a obra que levou García Márquez ao Prêmio Nobel de Literatura. Segundo a Fundación Gabo, instituição fundada pelo escritor, a Academia Sueca destacou como seus livros refletem os conflitos da América Latina num mundo onde o real se mistura ao fantástico. Nascido em Aracataca, na Colômbia, em 1927, ele morreu na Cidade do México em 2014.
Por que a reflexão de Gabo ainda conversa com os casais de hoje?
A reflexão continua atual porque troca a promessa de “felizes para sempre” por algo mais honesto: o amor como escolha renovada. Na Colômbia de Gabo ou aqui no Rio, a rotina cansa, e o relacionamento amoroso que resiste é aquele que recebe atenção diária.
Isso não significa aguentar tudo calado. Reconstruir a relação pede conversa, divisão justa das tarefas e respeito, e quando o sofrimento é constante, buscar ajuda profissional também faz parte do cuidado. Gabriel García Márquez deixou a pista: que tal, amanhã cedo, fazer do café um momento de verdade a dois e reparar em como o dia começa diferente?
Se você gosta de frases de grandes pensadores, tem mais reflexão esperando por aqui. Esta, de Aristóteles, fala sobre escolhas e responsabilidade.