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Gracindo Jr. morre aos 83 anos; relembre a carreira do ator e diretor

Gracindo Jr. morreu na noite de terça-feira (1º), aos 83 anos, no Rio de Janeiro.

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Gracindo Jr.

Gracindo Jr. morreu na noite de terça-feira (1º), aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Ator, diretor e um dos profissionais que participaram dos primeiros momentos da TV Globo, ele deixou uma trajetória de mais de seis décadas dedicada ao teatro, ao rádio, à televisão e ao cinema. A informação sobre a morte foi confirmada pelo filho, Pedro Gracindo. A causa não foi divulgada.

Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, o artista cresceu em um ambiente ligado à dramaturgia e seguiu os passos do pai, Paulo Gracindo, um dos grandes nomes da televisão brasileira. Ainda adolescente, aos 15 anos, iniciou sua experiência profissional na Rádio Nacional, em 1959. Na emissora, trabalhou em diferentes funções, incluindo como ator, redator e disc-jóquei, enquanto também dava os primeiros passos no teatro.

A carreira de Gracindo Jr. foi marcada por um período de forte transformação política e cultural no Brasil. Em 1964, durante a ditadura militar, ele foi cassado por sua atuação política e impedido de trabalhar no rádio. Antes disso, já havia acumulado experiências em emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi. Paralelamente ao trabalho na televisão, manteve sua ligação com os palcos e participou de montagens teatrais desde o início dos anos 1960.

Um dos primeiros nomes da TV Globo

Gracindo Jr. esteve entre os profissionais que participaram da inauguração da TV Globo, em 1965. O ator integrou o elenco inicial da emissora e apareceu em uma série de novelas que ajudaram a estabelecer a dramaturgia televisiva do canal, começando por Rosinha do Sobrado, exibida naquele mesmo ano.

Nos primeiros anos da Globo, também esteve em produções como Padre Tião, A Rainha Louca, A Próxima Atração, Os Ossos do Barão e Supermanoela. Sua presença na televisão se estendeu por diferentes gêneros e períodos, consolidando uma carreira que não ficou restrita à atuação.

Um dos capítulos mais simbólicos de sua passagem pela dramaturgia aconteceu justamente ao lado do pai. Em Os Ossos do Barão e O Bem-Amado, Gracindo Jr. contracenou com Paulo Gracindo. A parceria entre os dois ganhou uma dimensão ainda mais curiosa em O Casarão, novela de 1976 escrita por Lauro César Muniz.

Na trama, Gracindo Jr. interpretou João Maciel durante uma das fases da história, enquanto Paulo Gracindo assumiu o mesmo personagem em outro período da narrativa. Dessa maneira, pai e filho deram vida ao mesmo papel em diferentes momentos, uma escolha que se tornou uma das lembranças mais marcantes da carreira de ambos.

Ator que também se destacou atrás das câmeras

Além de atuar, Gracindo Jr. desenvolveu uma importante trajetória como diretor de televisão e teatro. Em 1978, depois de uma passagem profissional por Portugal, retornou à Globo e assumiu a supervisão do núcleo responsável pelas novelas das 18h. No ano seguinte, esteve à frente da direção de produções como Memórias de Amor e Marron-Glacé.

Seu trabalho atrás das câmeras também alcançou programas de variedades e humor. Em 1983, Gracindo Jr. assumiu a direção de Os Trapalhões, um dos programas mais populares da televisão brasileira naquele período. Ele também participou da produção de videoclipes musicais exibidos pelo Fantástico, acompanhando uma transformação importante na linguagem da televisão.

A relação com o teatro também permaneceu presente. Em 1976, Gracindo Jr. estreou na direção teatral com A Longa Noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho. A experiência ampliou sua atuação artística e reforçou uma característica que acompanharia sua carreira: a capacidade de transitar entre diferentes funções dentro de uma produção.

Passagem pela TV Manchete e retorno à Globo

Em 1984, o artista deixou a Globo e passou a trabalhar na TV Manchete. Na nova emissora, participou de A Marquesa de Santos, interpretando Dom Pedro I e contracenando com Maitê Proença. Dois anos depois, os dois voltariam a dividir a cena em Dona Beija, uma das produções de maior repercussão da Manchete.

Gracindo Jr. retornaria posteriormente à Globo e voltaria a aparecer em novelas, séries e programas da emissora. Entre seus trabalhos estão Tenda dos Milagres, Mandala, O Salvador da Pátria, Rainha da Sucata, Gente Fina, Deus nos Acuda, Explode Coração, Anjo de Mim e Esplendor.

Em Explode Coração, além de fazer parte do elenco, o ator também assumiu posteriormente a direção das cenas relacionadas ao núcleo dos ciganos. Já em 2003, participou de Celebridade, novela de Gilberto Braga, na pele de Ubaldo Quintela, personagem ligado ao passado da protagonista Maria Clara Diniz, interpretada por Malu Mader.

Presença também no cinema

A atuação de Gracindo Jr. não ficou limitada à televisão. O cinema também ocupou um espaço importante em sua trajetória, com trabalhos realizados entre as décadas de 1970 e 2010. Sua filmografia inclui títulos de diferentes estilos, mostrando a versatilidade do artista diante das câmeras.

Entre os filmes dos quais participou estão Os Homens que eu Tive (1973), Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), O Trapalhão na Arca de Noé (1983), Floresta das Esmeraldas (1985), Desterro (1991), A Hora Marcada (2000), Bufo e Spallanzani (2001), A Selva (2004), Primo Basílio (2006) e Segurança Nacional (2010).

Ao longo de mais de seis décadas, Gracindo Jr. construiu uma trajetória que ultrapassou a condição de herdeiro artístico de Paulo Gracindo. Ele estabeleceu seu próprio caminho como ator, diretor e profissional de diferentes áreas da produção audiovisual, acompanhando mudanças profundas na televisão brasileira e participando de momentos importantes da história do meio.

A morte aos 83 anos encerra uma carreira marcada pela longevidade e pela diversidade. Da Rádio Nacional aos grandes estúdios de televisão, passando pelo teatro e pelo cinema, Gracindo Jr. deixou sua marca em diferentes gerações da dramaturgia brasileira, com trabalhos que permanecem ligados à memória da televisão e da cultura nacional.

O texto Gracindo Jr. morre aos 83 anos; relembre a carreira do ator e diretor foi publicado primeiro no Observatório dos Famosos.