Homem descobriu que a maçã que plantava no quintal era patenteada e foi proibido de cultivá-la sem licença. US$ 8 milhões explicam por quê - Super Rádio Tupi
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Homem descobriu que a maçã que plantava no quintal era patenteada e foi proibido de cultivá-la sem licença. US$ 8 milhões explicam por quê

Cultivar uma maçã patenteada sem licença pode levar à Justiça e até à destruição das árvores

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Homem descobriu que a maçã que plantava no quintal era patenteada e foi proibido de cultivá-la sem licença. US$ 8 milhões explicam por quê
A maçã que parecia comum só pode ser cultivada com autorização do titular

Plantar uma macieira no quintal parece o mais inofensivo dos hobbies. Para algumas variedades, porém, esse gesto esbarra em um direito que vale milhões. A famosa Cosmic Crisp é protegida por uma patente que só permite seu cultivo comercial em um único estado americano. Quem multiplica a planta sem autorização corre risco real de processo, e a realidade já mostrou árvores arrancadas por causa disso.

Como uma simples maçã vira propriedade de alguém?

Ela vira propriedade quando alguém cria uma variedade nova e registra esse trabalho como propriedade intelectual. A lei trata a planta inédita como uma invenção e concede ao criador o direito exclusivo de explorá-la.

Nos Estados Unidos, o Plant Patent Act, de 1930, abriu essa porta. A patente de planta dura 20 anos e funciona quase como um aluguel: o dono decide quem vai produzir a variedade e em que condições.

Esse direito não é simbólico. Ele entrega ao titular um conjunto de poderes bem concretos sobre a planta.

  • Definir quem recebe licença para produzir e vender as mudas.
  • Cobrar royalties por árvore plantada e por caixa de fruta colhida.
  • Restringir a região onde a variedade pode ser cultivada comercialmente.
  • Acionar a Justiça contra quem multiplica a planta sem autorização.
Plantar uma maçã famosa sem licença pode levar até a processo judicial

Por que a Cosmic Crisp só nasce em Washington?

Porque os produtores daquele estado financiaram a pesquisa e ganharam exclusividade. A variedade pertence à Washington State University, que controla onde ela pode ser plantada.

Segundo a Capital Press, a universidade estendeu essa exclusividade até a expiração da patente, marcada para 26 de maio de 2032. O retorno impressiona: só no ano fiscal de 2025, a instituição arrecadou mais de 8 milhões de dólares em royalties com a fruta, hoje entre as mais vendidas do país.

O que acontece com quem cultiva a fruta sem licença?

Responde na Justiça e pode perder tudo o que plantou. Viveiros que multiplicaram a variedade sem autorização viraram alvo de ações por violação da patente.

De acordo com a Good Fruit Grower, um produtor chegou a destruir as próprias árvores para não ser incluído em um desses processos. A tabela abaixo separa o que é permitido do que infringe o direito do titular.

SituaçãoÉ permitido?Motivo
Comprar e plantar uma muda licenciadaSimA árvore foi vendida com autorização
Enxertar e multiplicar a variedadeNãoA propagação depende de licença do titular
Vender mudas sem contratoNãoConfigura violação da patente
Plantar após o fim da patenteSimO direito exclusivo expira em 2032

E no Brasil, dá para patentear uma maçã?

Não exatamente. A lei brasileira não concede patente a plantas, mas protege variedades por outro instrumento, o certificado de proteção de cultivar.

Essa proteção segue a Lei 9.456/1997 e é administrada pelo Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC), ligado ao Ministério da Agricultura. Como aponta o portal jurídico Migalhas, o certificado é a única forma capaz de barrar a livre utilização do material de reprodução ou de multiplicação de uma planta no país.

A variedade de maçã protegida por patente surpreende quem decide plantar

O foco recai sobre quem reproduz e comercializa a variedade, não sobre o vizinho que cultiva um pé no fundo do quintal. Mesmo assim, alguns cuidados evitam dor de cabeça antes de plantar uma variedade famosa.

  1. Verifique se a variedade tem patente ou certificado de cultivar ativo.
  2. Confirme se a muda saiu de um viveiro licenciado.
  3. Evite enxertar ou propagar a planta para repassar a terceiros.
  4. Guarde a nota de compra como prova de origem autorizada.

Vale a pena conhecer a origem do que você planta?

A história da maçã patenteada mostra que até uma fruta no quintal pode carregar décadas de pesquisa e um contrato por trás. Conhecer a procedência da muda protege o seu bolso e respeita o trabalho de quem inovou. Que tal checar a origem antes da próxima visita ao viveiro?