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Juntos há mais de 50 anos, idosos são internados na mesma UTI e morrem com apenas 3 horas de intervalo no mesmo hospital

História de amor e cumplicidade comoveu Abadiânia após companheiros dividirem a mesma UTI; filha relembra união que durou até o fim da vida

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Casal de idosos, mulher de cabelo branco e homem de boné, posam juntos com expressão neutra
Tereza e Sebastião, o casal de Abadiânia que morreu com apenas três horas de diferença após 50 anos de união: Foto: Arquivo Pessoal

Tereza Rodrigues de Godoi, de 79 anos, e Sebastião Coelho de Amorim, de 72 anos, morreram com uma diferença de apenas três horas no Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana). Os dois viveram casados por mais de meio século e residiam no município de Abadiânia, localizado no interior de Goiás, onde a perda causou forte comoção entre os moradores.

Os falecimentos aconteceram no domingo (1º), e os sepultamentos ocorreram na segunda-feira (2). Filha única do casal, Rosely Rodrigues, de 40 anos, descreveu a rotina inseparável mantida pelos pais: “eles eram muito queridos, eram carne e unha. Os dois não faziam nenhuma refeição a sós e não iam dormir se não fosse no mesmo horário”.

Internação do casal na mesma unidade hospitalar

O quadro começou a mudar quando Tereza sentiu dores estomacais. Exames apontaram a necessidade de uma cirurgia no intestino, motivando a transferência da idosa para a unidade de saúde em Anápolis. Após a intervenção, o estado clínico piorou, exigindo intubação e um período de quase duas semanas na UTI.

O impacto emocional atingiu Sebastião cerca de oito dias depois. O idoso sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico severo com comprometimento de ampla área do cérebro. Por causa da gravidade, a equipe admitiu o marido no mesmo setor intensivo em que a mulher recebia atendimento.

Confirmação das mortes e manifestação

Médicos confirmaram o óbito encefálico de Sebastião pouco antes da morte da mulher. Tereza não resistiu às complicações clínicas agravadas pela idade três horas depois. A filha associou o desfecho ao forte vínculo mantido pelo casal, classificando a relação como “um juramento de ‘até que a morte nos leve'”.

A Prefeitura de Abadiânia divulgou uma manifestação oficial lamentando o caso e desejando aos familiares “conforto e paz neste momento de dor”. Em meio ao luto definido por Rosely como “uma dor que não tem como explicar”, o casal também deixou seis netos e um bisneto.