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Laura Cardoso: relembre a trajetória da atriz que marcou a TV brasileira
Com mais de 80 anos de carreira, Laura Cardoso construiu uma trajetória marcada por papéis no rádio, teatro, cinema e televisão
Laura Cardoso morreu nesta terça-feira (18), em São Paulo, aos 98 anos. A morte foi confirmada pela família nas redes sociais. Com mais de oito décadas de trajetória, ela deixou mais de 100 trabalhos no rádio, no teatro, no cinema e na televisão, atravessando gerações de espectadores e diferentes fases da cultura brasileira.
Dos bastidores do rádio à TV pioneira

Nascida Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni em 13 de setembro de 1927, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, filha de imigrantes portugueses, ela descobriu a vocação ainda criança. Aos 6 anos, já encenava histórias na rua com uma amiga. Aos 15, decidiu fazer disso uma profissão: em 1942, estreou em radionovelas na Rádio Cosmos.
A chegada à televisão veio cedo. Em 1952, quando o meio ainda engatinhava no Brasil, Laura Cardoso estreou no programa “Tribunal do Coração”, da TV Tupi, recém-inaugurada. Passou pelas emissoras Tupi, Record, Excelsior, Bandeirantes e Cultura, acumulando teleteatros, novelas e séries nas primeiras décadas da TV brasileira. Trabalhos como “Um Lugar ao Sol” (1959) e “Ídolo de Pano” (1975) marcaram esse período.
Mais de 60 novelas na Globo

Em 1981, o diretor Daniel Filho a convidou para estrear na Globo. O primeiro papel foi Alda Sampaio, mãe da protagonista de “Brilhante”, novela de Gilberto Braga com Vera Fischer no papel principal. Na emissora, faria mais de 60 novelas ao longo das décadas seguintes.
Na Globo, construiu parceria duradoura com o autor Walther Negrão, passando por “Pão-Pão, Beijo-Beijo” (1983), “Livre para Voar” (1984) e “Fera Radical” (1988). Nos anos 1990, esteve em clássicos como “Rainha da Sucata” (1990), “Felicidade” (1991) e “Mulheres de Areia” (1993), em que viveu Isaura, mãe das gêmeas interpretadas por Gloria Pires. Em “A Viagem” (1994), deu vida à Guiomar, personagem que recebia influência de um espírito — uma das tramas sobrenaturais mais lembradas da televisão brasileira.
Em 1995, foi a cigana Soraya em “Explode Coração”, a primeira novela gravada no Projac, complexo que mais tarde se tornaria os Estúdios Globo. No mesmo ano, viveu Sinhana na segunda versão de “Irmãos Coragem”. Já em 2003, encantou o público com a avó Carmem, do núcleo caipira de “Chocolate com Pimenta”, de Walcyr Carrasco — novela da qual ela guardava memórias afetivas das gravações. Em “Caminho das Índias” (2009), foi Laksmi Ananda, matriarca indiana em uma produção que venceu o Emmy Internacional de Melhor Telenovela. Seu último trabalho em novela foi “A Dona do Pedaço”, em 2019.
Prêmios no teatro, no cinema e na TV

No teatro, colaborou com alguns dos principais diretores do país e conquistou dois Prêmios Shell de Melhor Atriz: em 1990, por “Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu”, e em 1993, por “Vereda da Salvação”.
No cinema, participou de mais de 20 filmes. Por “Através da Janela” (2000), levou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Por “Copacabana” (2001), ganhou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro — hoje Prêmio Grande Otelo. Ao todo, acumulou três troféus Grande Otelo, quatro prêmios APCA, dois Prêmios Shell e dois Troféus Imprensa.
Em 2002, recebeu o Troféu Mário Lago pelo conjunto da obra na televisão. Em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural, uma das mais altas distinções do governo federal para personalidades da cultura. Em 2023, comemorou mais de 80 anos de carreira.
Seu último trabalho foi o curta-metragem “Dona Rosinha” (2025), rodado aos 97 anos, em que interpretou uma idosa abandonada pela filha. No mesmo ano, ganhou uma estrela na calçada da fama dos Estúdios Globo.