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Maior cidade de Santa Catarina em extensão, a “Princesa da Serra” encanta com frio e manhãs brancas de geada a 900 metros de altitude
Maior em extensão de Santa Catarina.
A 916 metros de altitude, no coração de Santa Catarina, Lages combina chimarrão na praça, fogo de chão nas fazendas e a estrutura de uma cidade de médio porte. Maior município catarinense em extensão territorial, com 2.637 km², a Princesa da Serra aumentou em 40% o índice de desenvolvimento humano em duas décadas e se tornou uma alternativa para quem prefere as manhãs de neblina entre araucárias ao calor do litoral.
Como Lages passou de rota dos tropeiros a cidade universitária?
A história de Lages começou com o bandeirante Antônio Correia Pinto de Macedo, responsável pela fundação da povoação de Nossa Senhora dos Prazeres das Lajens em 22 de novembro de 1766. O núcleo surgiu como ponto de defesa contra possíveis invasões castelhanas e também como apoio às tropas que transportavam gado do Rio Grande do Sul em direção a São Paulo. Em 1820, Dom João VI transferiu a vila da capitania paulista para a de Santa Catarina.
Os vestígios desse passado ainda aparecem na paisagem e nos costumes locais. Taipas de pedra com mais de dois séculos atravessam os campos da Coxilha Rica, enquanto o entrevero lageano continua associado às panelas preparadas no fogo de chão. A cidade também é berço de Nereu Ramos, único catarinense a ocupar a Presidência da República, entre 1955 e 1956.

Como funciona a rotina de quem vive em Lages?
A vida em Lages segue o ritmo de uma cidade média que também atende como polo regional. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tinha 164.981 habitantes no Censo 2022, além de IDHM de 0,770, considerado alto, e taxa de escolarização de 98,57% entre crianças de 6 a 14 anos.
No Centro revitalizado, o comércio se espalha pelo calçadão, que ganhou fiação subterrânea e fachadas padronizadas. O Lages Garden Shopping, inaugurado em 2014, complementa a estrutura com lojas e cinema. Caminhar pelo centro durante a noite continua fazendo parte dos hábitos locais, enquanto o trânsito costuma ser mais tranquilo do que em outras cidades catarinenses de porte semelhante.
Quais bairros se destacam para morar na Princesa da Serra?
A área residencial de Lages se distribui entre o centro revitalizado e bairros planejados que cresceram ao redor dele. Como as distâncias entre as regiões mais afastadas raramente ultrapassam 15 minutos de carro, a localização tende a pesar menos na rotina, enquanto os preços permanecem abaixo dos encontrados no litoral catarinense.
- Centro: concentra comércio, bancos e restaurantes, além de ficar próximo da Catedral Diocesana. É uma escolha para quem prefere fazer boa parte das atividades caminhando.
- Coral: bairro tradicional com perfil residencial e comercial, próximo ao centro e com estrutura escolar.
- Guarujá: região residencial consolidada, com supermercados, transporte público e comércio de bairro.
- Santa Mônica: bairro planejado com ruas arborizadas, imóveis de médio e alto padrão e escolas particulares.
- Conta Dinheiro: área em expansão, com novos loteamentos e custo de vida mais acessível, atraindo principalmente famílias jovens.
- São Cristóvão: região que concentra clínicas, hospitais e diferentes serviços ligados à saúde.
Quais setores movimentam a economia e as universidades de Lages?
A economia de Lages se apoia principalmente em três atividades: a pecuária de gado de corte com genética europeia, a indústria de papel e celulose e o turismo rural. O PIB per capita do município chega a aproximadamente R$ 50 mil, segundo o IBGE, enquanto o campo continua tendo peso importante na identidade econômica da região.
A presença de instituições de ensino superior acrescenta outro movimento ao cotidiano. A cidade abriga a Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC), com cursos de medicina e medicina veterinária, o Centro de Ciências Agroveterinárias da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). A circulação de estudantes movimenta o comércio, os bares do centro e atrai jovens de diferentes municípios da serra e do norte gaúcho.
O que fazer nos momentos de lazer em Lages?
O lazer combina opções urbanas acessíveis com experiências ligadas à vida rural, muitas delas a poucos quilômetros da região central. O Parque Jonas Ramos, conhecido como Tanque, ocupa um lugar tradicional na rotina dos moradores, com lago, pedalinhos, pista de caminhada e eventos entre os pinheiros.
Nos fins de semana, as fazendas de turismo rural da Coxilha Rica também entram no roteiro de famílias que buscam uma programação diferente. Foi nessa região que, em 1984, a Fazenda Pedras Brancas abriu as portas para visitantes e deu início ao modelo de turismo rural que depois se espalhou pelo país. Já a Festa Nacional do Pinhão, considerada o segundo maior evento gastronômico de Santa Catarina, reúne cerca de 350 mil pessoas em até 17 dias de programação. A edição de 2026 acontece de 22 de maio a 7 de junho.
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Como é o clima e quando ver a neve?
O clima subtropical de altitude faz de Lages uma das cidades mais frias do Sul. A média anual gira entre 15°C e 16°C, com geadas frequentes no inverno e episódios de neve em alguns anos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Quais são os principais caminhos para chegar a Lages?
A 226 km de Florianópolis, Lages pode ser alcançada pela BR-282 em aproximadamente três horas de carro. Pela BR-116, o município se conecta a Curitiba, a 340 km, e a Porto Alegre, a 320 km. Para quem prefere viajar de avião, o Aeroporto Regional do Planalto Serrano, em Correia Pinto, está a cerca de 30 km do centro e recebe voos regionais.
Por que Lages conquista quem procura uma vida mais tranquila na serra?
Poucas cidades brasileiras reúnem um inverno tão presente na rotina, tradição tropeira, campos de araucárias no horizonte e um custo de vida que permite morar bem sem disputar espaço com os preços do litoral. Em Lages, a Princesa da Serra, o crescimento acontece em um ritmo próprio, entre chimarrão quente, manhãs frias e a paisagem dos campos.
Mais do que uma mudança de cenário, escolher a serra significa trocar o movimento do litoral pelo cotidiano marcado pelas araucárias e pelo silêncio das áreas rurais. É essa combinação entre estrutura urbana, tradição e clima serrano que ajuda a explicar o interesse crescente por Lages.