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Marcelo Faria relembra cena de nudez em Dona Flor e Seus Dois Maridos e conta como público reagia durante espetáculo
O ator revisitou uma das experiências mais marcantes de sua trajetória no teatro
O ator Marcelo Faria revisitou uma das experiências mais marcantes de sua trajetória no teatro ao recordar os bastidores e as situações inusitadas vividas durante a montagem de Dona Flor e Seus Dois Maridos. Na produção, que percorreu diferentes cidades brasileiras entre 2008 e 2009, ele interpretou Vadinho, personagem conhecido pelo comportamento irreverente e pela sensualidade presentes na obra de Jorge Amado.
A participação no espetáculo representou um momento importante na carreira do artista. A montagem, dirigida por Pedro Vasconcelos, recebeu reconhecimento da crítica e rendeu a Marcelo uma indicação ao Prêmio Shell de Teatro. Além do prestígio profissional, porém, o trabalho também ficou marcado pelo desafio de interpretar um personagem cuja presença em cena exigia bastante exposição.
A nudez fazia parte da concepção original da história, o que levou Marcelo a conversar com Zélia Gattai, responsável pelos direitos da obra de Jorge Amado na época. Segundo o ator, ela foi direta ao explicar que a característica era fundamental para a representação de Vadinho. “Tinha essa questão muito forte. Quando fui falar com Zélia Gattai (detentora dos direitos da obra de Jorge Amado, por ser a viúva), ela autorizou e disse: ‘Se Vadinho não estiver pelado, não é Vadinho’. ‘Vou ter que ficar pelado’, pensei”.
Durante a montagem, a equipe encontrou alternativas para reduzir a exposição do ator em determinadas passagens. Ainda assim, uma das sequências mais emblemáticas do espetáculo mantinha a proposta de levar Vadinho até o público. Marcelo explicou, em entrevista ao programa Persona, que o personagem atravessava os corredores do teatro acompanhado de Dona Flor, criando uma interação bastante próxima com quem estava na plateia.
A situação acabava provocando reações espontâneas dos espectadores, especialmente porque o ator precisava proteger parte do corpo enquanto caminhava entre as poltronas. Ao relembrar o episódio, Marcelo contou, aos risos: “A gente achou uma licença poética para eu não ficar pelado o tempo inteiro. Mas no fim, quando Vadinho volta para falar com a Dona Flor, a gente voltava pela plateia. É uma cena clássica, com o Vadinho com a mão na frente do corpo, tampando o sexo, mas a outra mão ficava na bunda da Flor. A gente vinha pelos corredores, a ponto de ficar tomando tapa na bunda das senhoras”.

Sonho com José Wilker
A relação de Marcelo Faria com Dona Flor e seus dois maridos ganhou ainda outro significado quando ele recebeu a oportunidade de interpretar Vadinho no cinema. Em 2017, o ator participou da nova adaptação da obra, papel que havia sido interpretado por José Wilker na versão cinematográfica de 1976.
A responsabilidade de assumir um personagem tão associado a Wilker fez Marcelo enfrentar um desafio adicional. O ator revelou que chegou a sonhar com o veterano e, durante o sonho, teria recebido uma mensagem de incentivo para seguir seu próprio caminho na interpretação de Vadinho.
“O fato é que sonhei com o Zé Wilker e falei com ele. Ele disse: ‘Marcelo, faça o seu Vadinho. Não se preocupe’. Acordei e parecia que tinha tirado um caminhão das costas. Que bom que tive esse sonho, senti que tive o aval dele. Quem acredita, acredita. Quem não acredita, não acredita. Eu acredito que ele veio me dizer: ‘Faz o seu’”, contou Marcelo.
Assim, Vadinho se tornou um dos personagens mais importantes da trajetória de Marcelo Faria, atravessando diferentes fases de sua carreira e levando o ator do palco para as telas. Anos depois da temporada teatral, as lembranças das apresentações continuam entre as histórias mais curiosas de sua passagem pelos palcos, especialmente pelas reações inesperadas que a montagem provocava na plateia.
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