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MasterChef Brasil 2026 chega ao fim desgastado, mas final salva temporada problemática

13ª edição apostou demais em conflitos e provas coletivas, perdeu parte do foco na gastronomia, mas encontrou em Jéssica e Carla uma final competitiva e coerente

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Crítica MasterChef 2026

O MasterChef Brasil 2026 chegou ao fim nesta terça-feira, 29 de setembro, deixando uma sensação contraditória. A 13ª temporada mostrou que o formato ainda tem força e consegue produzir bons momentos, mas também evidenciou sinais claros de desgaste. Entre mudanças na dinâmica, excesso de provas coletivas e uma tentativa cada vez mais evidente de explorar os conflitos entre os participantes, a gastronomia nem sempre ocupou o espaço que deveria.

Jéssica Cechella foi consagrada campeã ao derrotar Carla Araújo em uma final exclusivamente feminina. A bombeira catarinense apresentou um menu inspirado no litoral de Santa Catarina, enquanto Carla levou referências do Nordeste e de sua própria trajetória para os pratos. As duas receberam elogios de Erick Jacquin, Helena Rizzo e Henrique Fogaça, e Jéssica terminou a competição com o troféu.

O resultado encerrou a temporada de maneira positiva. Jéssica e Carla estiveram entre os nomes de destaque da competição e chegaram à decisão apresentando propostas gastronômicas com identidade. Na véspera da final, o crítico gastronômico Arnaldo Lorençato, da Veja São Paulo, definiu as duas como competidoras fortes durante a temporada.

Mas uma boa final não apaga os problemas enfrentados pelo programa nos meses anteriores.

MasterChef tentou ser mais reality e menos competição culinária

O principal problema da edição de 2026 foi uma aparente inversão de prioridades. Em vários momentos, o MasterChef pareceu mais interessado nas estratégias, rivalidades e discussões entre os participantes do que na evolução deles dentro da cozinha.

Essa percepção não ficou restrita ao público. A crítica especializada também chamou atenção para o excesso de provas em grupo e para a aproximação do programa com a linguagem de realities de convivência. O Notícias da TV avaliou que a atração tentou se aproximar do estilo do BBB ao explorar conflitos e insistir em desafios coletivos, enquanto Claudia apontou críticas às provas repetitivas e ao excesso de dinâmicas.

Até participantes demonstraram incômodo. Depois de deixar a competição, Marcelo Pereira criticou publicamente a quantidade de atividades em grupo e afirmou que os concorrentes queriam cozinhar, mas frequentemente eram colocados diante de dinâmicas que considerava mais próximas de uma “gincana”.

Curiosamente, essa direção já estava presente na apresentação oficial da temporada. Antes da estreia, a diretora-geral Marisa Mestiço ressaltou que o MasterChef também era um jogo, enquanto Erick Jacquin observou que, naquele contexto, o “personagem” poderia ter importância semelhante à técnica. A declaração ajuda a compreender algumas das escolhas narrativas vistas posteriormente.

Os conflitos ganharam espaço demais

É natural que o MasterChef tenha personagens, rivalidades e discussões. Isso faz parte do entretenimento e sempre esteve presente no programa. O problema aparece quando esses elementos passam a disputar protagonismo com aquilo que deveria ser o centro da atração: cozinhar.

A edição de 2026 teve episódios de forte repercussão negativa nas redes sociais. Reinaldo Bockor, por exemplo, foi criticado após declarações consideradas racistas por participantes e telespectadores. O caso provocou grande reação nas redes e acabou ultrapassando os limites das tradicionais rivalidades de um reality culinário.

O MasterChef funciona melhor quando as personalidades aparecem naturalmente durante a competição. Criar situações capazes de estimular tensão pode render cortes para as redes sociais, mas, quando isso se torna frequente, o programa corre o risco de enfraquecer sua própria identidade.

A cozinha ainda consegue salvar o programa

Apesar dos problemas, seria exagerado decretar que o formato perdeu completamente sua força.

A estreia de 2026, por exemplo, aumentou em 38% a audiência da Band na comparação com as quatro semanas anteriores e ficou 31% acima da estreia da temporada de 2025. Ao longo da competição, entretanto, os números oscilaram: até a semifinal, a média registrada na Grande São Paulo estava em aproximadamente 1,2 ponto, com episódios variando entre 0,8 e 1,6 ponto.

Além disso, o trio formado por Erick Jacquin, Helena Rizzo e Henrique Fogaça continua sendo um dos maiores patrimônios do programa. Sem um apresentador exclusivo, os três também assumiram a condução da atração nesta temporada. A química construída ao longo dos anos permite que o formato funcione mesmo depois de tantas edições.

Quando o programa reduz as interferências e simplesmente permite que bons cozinheiros enfrentem boas provas, o MasterChef ainda entrega televisão de qualidade. E a final mostrou exatamente isso.

Jéssica e Carla apresentaram menus autorais ligados às próprias origens. Não era necessário criar uma grande briga ou inventar uma dinâmica mirabolante. Duas cozinheiras, três pratos e a obrigação de demonstrar tudo o que aprenderam durante meses foram suficientes para construir uma decisão interessante.

A vitória de Jéssica também movimentou as redes sociais. O resultado ficou entre os assuntos mais comentados do X, com manifestações favoráveis à campeã e também comentários sobre a derrota de Carla, mostrando que a competição ainda consegue mobilizar sua comunidade de fãs.

MasterChef precisa voltar a confiar no próprio formato

Depois de 13 temporadas de amadores, reinventar um programa é necessário. O problema é confundir renovação com descaracterização.

O MasterChef não precisa virar um reality de convivência para continuar relevante. Seu diferencial sempre esteve justamente na combinação entre histórias pessoais, pressão, conhecimento, evolução técnica e gastronomia.

A temporada de 2026 teve bons competidores, provas interessantes e uma final satisfatória, mas ficou marcada pelo excesso de dinâmicas e pela sensação de que, algumas vezes, produzir conflito parecia mais importante do que produzir boa comida.

Jéssica encerra a edição como uma campeã coerente com a proposta original do programa: alguém que evoluiu, mostrou identidade e conseguiu transformar suas referências em um menu autoral. Sua vitória foi bastante celebrada nas redes e recebeu elogios dos jurados.

O maior desafio do MasterChef daqui para frente, portanto, talvez seja mais simples do que parece: não tentar ser aquilo que ele nunca precisou ser.

Depois de mais de uma década no ar, ainda existe espaço para o MasterChef Brasil. Mas a temporada de 2026 deixa um alerta. Para continuar relevante, o programa não precisa necessariamente de mais conflitos, mais regras ou mais reviravoltas. Precisa, sobretudo, voltar a confiar na cozinha.

O texto MasterChef Brasil 2026 chega ao fim desgastado, mas final salva temporada problemática foi publicado primeiro no Observatório da TV.