Medida simples com iluminação resolve invasão de insetos em casas durante épocas de calor: entenda o que causa esse comportamento coletivo - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Medida simples com iluminação resolve invasão de insetos em casas durante épocas de calor: entenda o que causa esse comportamento coletivo

Medida barata evita a invasão de insetos nas fachadas; entenda como o espectro de luz afeta a navegação desses bichos.

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Lâmpada acesa coberta por muitas mariposas pendurada em uma estrutura de madeira
A intensa luminosidade artificial das cidades desorienta insetos como as mariposas, atraindo-os para ambientes residenciais e varandas. [Créditos/Imagem ilustrativa gerada por IA]

Você pode achar estranho trocar as lâmpadas da varanda por modelos amarelados ou aplicar fitas nas frestas das portas. Esse cuidado simples, contudo, evita que dezenas de insetos voadores tomem os cômodos durante noites quentes e abafadas. O fenômeno ganhou repercussão com a migração das mariposas Bogong no sudeste da Austrália, que cobriu fachadas e janelas em áreas urbanas de Sydney e cidades de Nova Gales do Sul após ventos fortes desviarem os enxames da rota habitual em direção aos Alpes Australianos.

Por que os insetos invadem as casas em certas épocas?

Grandes revoadas costumam coincidir com ciclos reprodutivos e mudanças sazonais de temperatura. Durante esses deslocamentos, que podem cruzar centenas de quilômetros até cavernas montanhosas, os animais utilizam a luz da lua e o campo magnético da Terra para manter a rota correta durante a noite.

No entanto, esse sistema de orientação pode ser prejudicado pela iluminação artificial dos grandes centros urbanos. De acordo com estudos sobre navegação biológica, o pesquisador Eric Warrant, professor de zoologia da Lund University, detalhou como a luminosidade intensa confunde a bússola interna das mariposas. Como consequência, os enxames acabam sendo atraídos para fachadas de prédios, varandas e salas residenciais.

Elas transmitem doenças ou estragam as roupas?

O aparecimento repentino de mariposas com até 3,5 centímetros de comprimento corporal costuma gerar receio de infestações prejudiciais. Além disso, circulam boatos de que esses insetos destroem tecidos guardados nos armários ou carregam agentes transmissores de infecções graves para os seres humanos.

No entanto, entomologistas da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) esclarecem que a espécie adulta não se alimenta de tecidos nem contamina mantimentos. Em pessoas hipersensíveis, o contato com o pó das asas pode provocar apenas irritações mecânicas leves. Além disso, a mariposa está listada como espécie ameaçada desde 2021, após um colapso populacional histórico. Por isso, sua preservação é importante, já que ela desempenha um papel ecológico fundamental na polinização dos ecossistemas e serve de alimento para animais nativos, como o gambá-pigmeu-da-montanha.

Como manter o ambiente protegido sem usar veneno?

O uso de pesticidas aerossóis dentro de casa é ineficaz contra revoadas migratórias passageiras e prejudica a qualidade do ar respirado pela família, além de ameaçar espécies protegidas. A barreira física continua sendo o recurso mais seguro e recomendado por especialistas em controle de pragas.

Leia Mais

Instale telas milimétricas de fibra de vidro nas janelas com fixação magnética ou velcro. Vede vãos inferiores de portas com rodapés de borracha durante a noite, impedindo a entrada daqueles insetos que pousam no chão atraídos pelo brilho interno.

Ajuste também a temperatura de cor das lâmpadas externas e das luminárias de entrada. Lâmpadas de LED brancas ou azuladas emitem comprimentos de onda que desorientam os animais, enquanto fontes de luz amarela ou âmbar passam praticamente despercebidas por eles.

A proteção eficaz contra revoadas noturnas depende de substituir o foco na eliminação química pelo bloqueio mecânico da luz e das entradas da casa.