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Mergulhadores recuperaram blocos de 80 toneladas do Farol de Alexandria, uma das 7 Maravilhas da Antiguidade: eles estiveram submersos por séculos

Uma maravilha antiga volta a ganhar forma com tecnologia 3D no Egito

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Mergulhadores recuperaram blocos de 80 toneladas do Farol de Alexandria, uma das 7 Maravilhas da Antiguidade: eles estiveram submersos por séculos
Mergulhadores recuperam blocos de 80 toneladas do Farol de Alexandria

Por séculos, os restos do Farol de Alexandria ficaram espalhados pelo fundo do Mar Mediterrâneo, soterrados pela areia e esquecidos pelo tempo. Agora, uma equipe internacional de mergulhadores, engenheiros e arqueólogos está trazendo essas pedras de volta à superfície, em uma das operações de arqueologia subaquática mais ambiciosas já realizadas no Egito.

O que os mergulhadores encontraram no fundo do mar?

A expedição mais recente recuperou 22 blocos gigantes de pedra que faziam parte da entrada monumental do farol. Alguns desses fragmentos pesam entre 70 e 80 toneladas métricas. Entre as peças resgatadas estão arquitraves, pedras de fundação da torre e elementos de um pilone em estilo egípcio construído com técnicas gregas, uma estrutura que os pesquisadores ainda não conseguem explicar completamente.

Os primeiros fragmentos do Farol de Alexandria foram localizados em 1994 por arqueólogos subaquáticos. Desde então, a equipe catalogou, fotografou e escaneou digitalmente cerca de 5.000 blocos documentados no fundo do mar ao longo de três décadas de trabalho.

Como o Farol de Alexandria foi destruído?

Construído por volta de 280 a.C. durante o reinado de Ptolomeu II, o farol ficou de pé por mais de mil anos. Com altura estimada em mais de 100 metros, era uma das estruturas mais altas do mundo antigo. Uma série de terremotos devastadores ao longo dos séculos foi corroendo sua fundação, e o golpe final veio com o sismo catastrófico de 1303, seguido por outro terremoto em 1323 que destruiu o que ainda restava. As pedras que sobreviveram foram reaproveitadas na construção do Forte Qaitbay, que ainda existe no local original do farol.

O que é o projeto PHAROS e como funciona a reconstrução virtual?

As recuperações fazem parte do projeto PHAROS, uma iniciativa conjunta do Centro Nacional Francês para Pesquisa Científica (CNRS), do Ministério Egípcio do Turismo e Antiguidades e da Fundação Dassault Systèmes. Cada bloco recuperado passa por uma varredura 3D de alta precisão, e os engenheiros estão criando um gêmeo digital do farol, uma reconstrução virtual completa que permitirá testar teorias sobre como a estrutura foi erguida, como funcionava e por que desabou.

As fontes usadas na pesquisa incluem:

  • Blocos recuperados do fundo do mar e os 5.000 já documentados em décadas anteriores
  • Moedas, mosaicos e lâmpadas encontradas na região
  • Descrições árabes medievais do farol
  • Textos de autores greco-romanos como Plínio, o Velho
  • Inscrições e registros numismáticos comparados com os fragmentos físicos
Mergulhadores recuperaram blocos de 80 toneladas do Farol de Alexandria, uma das 7 Maravilhas da Antiguidade: eles estiveram submersos por séculos
Mergulhadores recuperam blocos de 80 toneladas do Farol de Alexandria

Por que essa descoberta é importante para a história da arquitetura?

Nenhum outro farol da Antiguidade sobreviveu em forma significativa. O de Alexandria foi o protótipo que inspirou todas as construções seguintes do tipo, mas seu design completo ainda era desconhecido. Não existem plantas originais e quase nada foi escrito pelos construtores. Todas as representações anteriores eram baseadas em interpretações artísticas, não em evidências físicas. Com o gêmeo digital fundamentado em peças reais, os pesquisadores poderão responder perguntas que ficaram abertas por séculos: a luz era refletida por espelhos ou lentes? O design mudou ao longo do tempo? Como exatamente a torre desabou?

Quais foram as outras 7 Maravilhas do Mundo Antigo?

O Farol de Alexandria integrava a lista das sete maravilhas do mundo antigo, compilada por autores gregos. Das sete, apenas uma ainda existe:

  • Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, a única que sobreviveu até hoje
  • Jardins Suspensos da Babilônia, cuja existência ainda é debatida pelos historiadores
  • Templo de Ártemis em Éfeso, destruído e reconstruído várias vezes antes de desaparecer
  • Estátua de Zeus em Olímpia, obra do escultor Fídias, feita de ouro e marfim
  • Mausoléu de Halicarnasso, que deu origem à palavra “mausoléu”
  • Colosso de Rodes, destruído por um terremoto menos de um século após sua construção

Uma janela para o mundo antigo que ainda tem muito a revelar

O Farol de Alexandria não era apenas um instrumento de navegação. Era o símbolo de uma cidade que rivalizado com Roma e Atenas como centro cultural do mundo mediterrâneo, a mesma cidade que abrigava a Grande Biblioteca e recebia navios de todos os cantos do mundo conhecido. Recuperar suas pedras é, de certa forma, recuperar uma parte da memória da civilização ocidental que se acreditava perdida para sempre.

O projeto PHAROS prevê continuar as expedições subaquáticas nos próximos anos. À medida que novos blocos forem resgatados e incorporados ao modelo digital, a reconstrução virtual do farol vai ganhando detalhes que nenhuma fonte escrita conseguiria fornecer sozinha. É arqueologia e engenharia trabalhando juntas para reconstruir, pedra por pedra, um dos maiores monumentos que o ser humano já ergueu.