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Mesmo assustando quem vê de perto, as libélulas que aparecem no quintal desempenham um papel importante: as larvas vivem na água e comem larvas de mosquito, inclusive do Aedes aegypti
Na fase aquática, a larva da libélula caça larvas de mosquito, mas a faxina semanal contra a água parada segue indispensável no combate ao Aedes
Quem já levou um susto com uma libélula rondando o varal ou a piscina pode ficar tranquilo: esse inseto de asas transparentes é um aliado da casa. A libélula passa boa parte da vida dentro d’água e, nessa fase, come larvas de mosquito, inclusive do Aedes aegypti, o mosquito da dengue. Conhecer esse ciclo ajuda a separar o susto do perigo de verdade.
Por que a libélula que aparece no quintal não oferece perigo?
A libélula não tem ferrão e não pica nem morde pessoas. O serviço de extensão da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, classifica esses insetos como inofensivos e totalmente benéficos para o ambiente.
O susto vem do tamanho, do voo rápido e dos olhos enormes. Na fase adulta, ela caça no ar pequenos insetos voadores, como mosquitos, mosquitinhos e formigas aladas. Quando aparece perto de casa, geralmente está atrás de comida, não de gente.
Como a larva da libélula caça as larvas do Aedes aegypti?
A larva da libélula, chamada de náiade ou ninfa, vive submersa e caça pequenos animais aquáticos, incluindo larvas de mosquito. A informação é do Departamento de Entomologia da Universidade Estadual da Carolina do Norte, que destaca a contribuição desses insetos para o controle natural da praga.
Essa fase aquática é longa. Segundo a universidade de Iowa, a larva pode passar meses, e até três anos, enterrada na lama ou presa a plantas submersas. Por isso, a libélula depende de água permanente, como lagos, brejos e açudes.

A ciência já mediu esse apetite. Um estudo publicado em 2024 no periódico Insects testou seis espécies, entre libélulas e libelinhas, contra larvas do Aedes aegypti em água doce e salobra. Todas mostraram potencial predador, e os autores as apontam como candidatas ao controle biológico do mosquito.
A água parada também pesa em outros projetos caseiros. Uma matéria recente do site mostra como evitar que um sistema de tratamento no quintal vire criadouro.
A libélula substitui a limpeza dos criadouros de mosquito?
Não substitui. Os testes de controle biológico com libélulas foram feitos principalmente em laboratório, e a faxina semanal continua sendo a principal arma contra o Aedes aegypti. O motivo está no próprio comportamento do mosquito.
A fêmea põe os ovos nas paredes de recipientes com água limpa, logo acima da linha d’água. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, o ciclo de ovo a adulto leva de 7 a 11 dias em latas, pratos de vaso, pneus e garrafas. Nesses recipientes pequenos, a larva da libélula dificilmente se instala.

O Ministério da Saúde alerta que os ovos podem sobreviver mais de um ano no seco. A orientação é tirar ao menos dez minutos por semana para vistoriar a casa, com estes cuidados:
- manter a caixa d’água bem tampada;
- guardar garrafas e baldes de boca para baixo;
- limpar as calhas;
- manter os pratinhos dos vasos limpos ou cheios de areia;
- lavar com sabão ou água sanitária os recipientes que não podem ser esvaziados e inspecioná-los toda semana.
Quando não for possível eliminar o recipiente, o ministério orienta pedir ao agente de saúde que avalie a aplicação de larvicida. É ele quem tem o produto certo e sabe a dose segura.
O que fazer quando uma libélula visitar o seu quintal?
O melhor é deixá-la em paz. A libélula não ataca ninguém e ainda caça mosquitos pelo ar. Espantar ou matar o inseto só elimina um predador natural da vizinhança.
A visita dela, porém, não é motivo para relaxar com a água parada, principalmente no calor do verão carioca. A dupla ideal é simples: libélula voando livre e quintal sem criadouro. Que tal aproveitar o próximo fim de semana para dar aquela volta de dez minutos pela casa e conferir cada cantinho?
Se o quintal já virou o seu cantinho preferido, vale conhecer outra história de quem resolveu plantar em casa e precisou de paciência.
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