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Meu pé de romã virou o símbolo silencioso da virada do meu ano
Alguns ciclos só se fecham quando a gente observa com calma
Entre as muitas plantas associadas a novos ciclos, o pé de romã ganhou um espaço especial nos meus próprios rituais de fim de ano. Lembro com nitidez da primeira vez em que reparei de verdade em uma árvore de romã (Punica granatum): era dezembro, eu caminhava apressado pela rua, cheio de preocupações com o ano seguinte, quando vi um quintal simples, mas com um pé de romã carregado de frutos vermelhos. Desde então, essa planta passou a fazer parte da minha história, como uma marca simbólica de renovação, planejamento e esperança em relação ao futuro, além de despertar em mim um interesse duradouro por jardinagem doméstica.
Por que o pé de romã é tão associado à virada do ano
Com o tempo, descobri que a palavra-chave que mais ressoava comigo nesse contexto era pé de romã, diretamente ligada à ideia de abundância. Quando abri uma romã pela primeira vez com curiosidade verdadeira — não apenas como fruta, mas como símbolo — fiquei impressionado com a quantidade de sementes agrupadas dentro da casca grossa e passei a compreender melhor esse significado.
Em diversas culturas, a romã é vista como símbolo de fertilidade, prosperidade e longevidade, associada a desejos de saúde e proteção para o novo ciclo. Ao segurar uma romã nas mãos na virada do ano, sinto que estou tocando um lembrete de que o próximo período pode trazer mais oportunidades e resultados positivos em diferentes áreas da minha vida.

Como surgiu a tradição do pé de romã na passagem de ano
No Brasil, descobri que a presença do pé de romã na passagem de ano foi influenciada por tradições trazidas por imigrantes europeus e por práticas de matriz africana. Em noites de réveillon na casa de parentes, vi de perto como frutas e plantas são relacionadas a pedidos específicos, cada uma com um propósito simbólico diferente.
A romã acabou ocupando um lugar de destaque entre outros elementos, como uvas, lentilhas e folhas de louro que também apareciam na mesa da família. Em certo ano, decidi seguir o que minha tia ensinava: comer gomos da fruta exatamente à meia-noite, guardar as sementes e mentalizar metas concretas para o trabalho, a saúde e os relacionamentos no ano que se iniciava.
Quais simpatias com pé de romã são mais usadas na virada do ano
Entre as práticas mais conhecidas envolvendo o pé de romã na virada do ano, várias foram entrando na minha vida quase sem que eu percebesse. No começo, eu repetia gestos familiares, mas com o tempo esses atos se transformaram em rituais pessoais, como pequenas conversas silenciosas que tenho comigo mesmo a cada réveillon.
Algumas dessas simpatias misturam tradição popular, espiritualidade e uma espécie de psicologia prática, ajudando a organizar desejos e intenções para o ano novo. As que mais passaram a fazer sentido para mim foram estas:
- Comer três gomos de romã à meia-noite e guardar as sementes na carteira, mentalizando três pedidos ou áreas da vida que desejo transformar.
- Separar algumas sementes para plantar em vasos ou no quintal de alguém querido nos primeiros dias de janeiro, como símbolo de que os planos precisam criar raízes firmes.
- Colocar uma romã inteira na mesa da ceia, ao lado de outras comidas associadas à fartura, como forma de reforçar gratidão e abundância no ambiente.
- Usar pequenos ramos do meu próprio pé de romã em arranjos com velas e flores, espalhando pela casa essa sensação de proteção simbólica e renovação.
Essas práticas chegaram até mim pelas mãos das pessoas mais velhas da família, que adoram contar histórias do “tempo de antigamente”. Mesmo quando não sigo todas as etapas, acabo mantendo algum contato com a fruta ou com o pé de romã nesse período, seja na decoração, nas conversas ou como um símbolo silencioso na fruteira.
Ver a romã crescer e frutificar no momento certo mudou a forma de enxergar o ano. Neste vídeo do canal
Minuto Horta, com aproximadamente 359 mil de inscritos e mais de 195 mil de visualizações, o conteúdo mostra como a planta acompanhou essa virada:
Como cuidar de um pé de romã em vaso ou no quintal
Além do valor simbólico, o pé de romã (Punica granatum) se revelou uma espécie relativamente amigável para quem está começando na jardinagem. Descobri que a planta se adapta bem a diferentes climas brasileiros e pode ser cultivada tanto no solo quanto em vasos grandes, desde que receba luz, água na medida certa e um solo bem preparado.
Com o tempo, aprendi alguns cuidados que fizeram diferença para manter a planta saudável o ano todo e favorecer a floração e frutificação. Entre eles, os que mais funcionaram para mim foram:
| Aspecto | Cuidados recomendados |
|---|---|
| Escolha do local | O pé de romã precisa receber sol direto por boa parte do dia. Em apartamentos, varandas bem iluminadas e ensolaradas costumam funcionar melhor. |
| Solo e drenagem | Utilizar substrato bem drenado, combinando terra vegetal, areia e matéria orgânica. Em vasos, é essencial ter furos suficientes para evitar acúmulo de água. |
| Rega | Aprecia umidade moderada. Regar com regularidade, permitindo leve secagem do solo entre as regas e evitando encharcamento. |
| Adubação | Aplicar adubo orgânico periodicamente, como composto ou húmus de minhoca, para fortalecer a planta e melhorar a qualidade dos frutos. |
| Poda | Realizar podas de limpeza, retirando galhos secos, doentes ou cruzados, favorecendo a circulação de ar, o equilíbrio da copa e novos brotos. |
O que o pé de romã representa na rotina ao longo do ano
Depois da virada, o pé de romã permanece como presença constante no meu dia a dia, e não apenas como lembrança de uma noite específica de réveillon. A planta me acompanha pelos meses, enfrentando comigo períodos de chuva e seca, de calor intenso e de frio inesperado, funcionando quase como um calendário vivo ao meu lado.
Quando surgem novos frutos, quase sempre retomo mentalmente as conversas que tive comigo mesmo no começo do ano: o que planejei, o que avancei e o que ainda está em construção. Assim, a romã deixou de ser apenas símbolo de um momento e passou a representar um ciclo completo da minha vida, em que cada flor e cada fruto marcam projetos, metas e decisões tomadas em diferentes viradas de ano.