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Suíça x Brasil: o que muda na prática para quem mora
Enquanto a Suíça historicamente investiu em cooperativas habitacionais, ambos os países enfrentam hoje grandes desafios no acesso à moradia
A Suíça, conhecida por seu alto padrão de vida, oferece um contraponto histórico ao modelo de moradia brasileiro, mas o país europeu enfrenta atualmente uma severa crise habitacional. Em cidades como Zurique, a taxa de imóveis vagos chegou a apenas 0,07% em 2024, a menor da Europa. Enquanto no Brasil o termo “moradia popular” ainda remete a conjuntos habitacionais precários, na Suíça, os bairros de cooperativas oferecem alta qualidade, embora o acesso a eles seja cada vez mais restrito.
Essa diferença não é fruto do acaso, mas de uma política pública histórica que tratou a moradia como um direito. Contudo, hoje, até mesmo o elogiado modelo suíço — onde 58% da população vive de aluguel — está sob forte pressão, mostrando que nenhum sistema está imune a desafios complexos.
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Como funciona a moradia social na Suíça?

Longe de serem guetos, os complexos habitacionais de cooperativas suíças são bem projetados e integrados à malha urbana. A gestão é realizada por cooperativas sem fins lucrativos, que recebem incentivos do governo. No entanto, o acesso é um grande obstáculo: para se tornar membro, é preciso contribuir com uma parcela de capital significativa, que pode chegar a 28 mil francos suíços. Atualmente, a demanda é tão alta que existem longas filas de espera e sorteios com milhares de candidatos para um único apartamento.
O sistema incentiva a diversidade social, mas o modelo de subsídio não é universal. Apenas uma parte das cooperativas, cerca de um quinto em alguns casos, recebe subsídios diretos. Nesses casos específicos, o aluguel é calculado com base na renda dos moradores, garantindo que seja acessível sem comprometer outras necessidades básicas.
O cenário brasileiro e seus desafios
No Brasil, a questão habitacional é marcada por um déficit histórico e pela proliferação de assentamentos informais. As favelas e periferias, que abrigam milhões de pessoas, surgiram pela ausência de políticas públicas eficazes e pelo crescimento desordenado das cidades. A falta de saneamento básico, mobilidade e segurança são problemas crônicos.
Programas como o “Minha Casa, Minha Vida”, retomado em 2023, tentam reduzir essa lacuna, mas enfrentam desafios de escala, financiamento e execução. Frequentemente, os novos conjuntos habitacionais são construídos em áreas remotas, longe de empregos e serviços, o que acaba por aprofundar a segregação espacial.
Principais diferenças em destaque
A comparação entre os dois modelos evidencia caminhos distintos e desafios em comum. O que podemos aprender com a abordagem suíça se resume em alguns pontos-chave:
- Planejamento integrado: historicamente, a moradia social na Suíça foi pensada como parte do desenvolvimento da cidade. No Brasil, muitas vezes é uma solução isolada e emergencial.
- Qualidade construtiva: o padrão europeu foca em durabilidade e bem-estar, enquanto o modelo brasileiro frequentemente prioriza a quantidade em detrimento da qualidade.
- Gestão e acesso: o modelo cooperativo suíço garante a manutenção dos imóveis para seus membros, mas cria uma barreira de entrada, gerando exclusão entre os “de dentro” e os “de fora” do sistema.
- Inclusão social: enquanto a Suíça busca misturar perfis de moradores, o acesso limitado ao modelo cooperativo gera uma nova forma de privilégio. No Brasil, a tendência histórica é a segregação de populações de baixa renda em áreas periféricas.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.