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Morador ignora rejunte solto no box do banheiro por seis meses, água infiltra e reforma forçada do teto do vizinho passa de R$ 12 mil

Morador só percebe o problema quando o teto do vizinho começou a ceder.

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Morador ignora rejunte solto no box do banheiro por seis meses, água infiltra e reforma forçada do teto do vizinho passa de R$ 12 mil
A tarefa não era complicada, o material custava cerca de R$ 50, e ele até sabia como fazer.

Um morador de apartamento notou que o rejunte do box estava escuro e solto num canto, prometeu comprar silicone no fim de semana e nunca comprou. Seis meses depois, o teto do vizinho de baixo estava tomado por manchas escuras, e a conta da reforma passou de R$ 12 mil. A história é fictícia, mas ilustra como a infiltração no vizinho de baixo vira caso na Justiça brasileira.

Como uma frestinha no rejunte virou uma dívida desse tamanho?

Antônio (nome fictício) morava num prédio antigo e reparou, num sábado à noite, que o rejunte perto do ralo do box tinha ficado esfarelado. Fez uma nota mental: comprar tubo de silicone, aplicar num domingo, pronto. A tarefa não era complicada, o material custava cerca de R$ 50, e ele até sabia como fazer.

Só que a semana seguinte veio cheia de compromisso, e a manutenção foi ficando para depois. Passou o mês, passou o outro, e o banheiro continuou funcionando normalmente. Nada vazava aos olhos dele, nada gotejava do chão. O que ninguém via era a água escorrendo silenciosamente por dentro do contrapiso.

Morador ignora rejunte solto no box do banheiro por seis meses, água infiltra e reforma forçada do teto do vizinho passa de R$ 12 mil
Numa manhã de domingo, o casal do andar de baixo tocou o interfone com fotos no celular.

O que aconteceu quando o vizinho de baixo bateu na porta?

Numa manhã de domingo, o casal do andar de baixo tocou o interfone com fotos no celular. O teto do banheiro deles estava com manchas escuras, a pintura descascava em camadas e o projeto de iluminação embutido não acendia mais. O gesso empapado ameaçava desabar sobre a pia.

Antônio ficou pálido. Ligou para um pedreiro na segunda-feira, pediu orçamento, viu o valor e adiou de novo. O vizinho não esperou: procurou um advogado, notificou o condomínio e entrou com ação de reparação de danos.

Mas afinal, o que o Código Civil diz sobre infiltração entre vizinhos?

O Código Civil, no artigo 1.277, trata do chamado direito de vizinhança. O texto diz que ninguém pode usar seu imóvel de forma a prejudicar a segurança, o sossego ou a saúde de quem mora ao lado, embaixo ou em cima. Vazamento que atinge o vizinho entra nessa categoria com folga.

Já o artigo 1.336, inciso IV, coloca entre os deveres do condômino a obrigação de dar às suas partes o uso conforme a destinação e não prejudicar o sossego, a salubridade e a segurança dos demais moradores. Não fazer manutenção também é um jeito de descumprir esse dever.

Quais são as principais consequências para quem deixa a infiltração acontecer?

A responsabilidade não depende de o morador ter agido com má-fé. Basta ter sido negligente, ou seja, ter deixado de fazer o que uma pessoa comum faria diante do mesmo aviso. Os pontos que a lei costuma cobrar em casos assim são estes:

1
Pagamento da reforma do vizinho Cobre teto, pintura, iluminação e tudo o que a umidade tenha danificado.
2
Obra na origem da infiltração Muitas vezes é preciso quebrar o piso do banheiro e refazer a impermeabilização.
3
Danos morais em casos graves Quando a família precisa desocupar cômodos ou conviver com mofo por muito tempo.
4
Custas processuais e honorários Quem perde a ação também arca com os custos do advogado do outro lado.
5
Multa condominial Se a convenção prevê, o síndico pode aplicar multa pelo descumprimento do dever de manutenção.

As regras existem para punir quem esqueceu de uma manutenção?

A lógica não é castigar o distraído, é proteger quem mora embaixo. O apartamento de baixo depende diretamente do cuidado que o de cima tem com o próprio banheiro. Quando um vizinho negligencia a manutenção, o prejuízo cai literalmente sobre a cabeça do outro.

É por isso que a doutrina do direito de vizinhança trata infiltração como um caso clássico de dano infecto, expressão técnica para o prejuízo que se espalha de uma propriedade para outra.

Leia também: Vizinha planta bambu perto do muro, raízes avançam para o terreno ao lado e, 5 anos depois, o jardim vira uma disputa entre os proprietários.

O que muda quando comparamos o caminho de Antônio com o roteiro correto?

A diferença entre a experiência de Antônio e uma manutenção tranquila não está no orçamento, nem em conhecimento técnico avançado, mas em atitudes simples que evitam a bola de neve. A comparação entre o caminho que ele seguiu e o que a cautela recomenda fica clara na tabela:

Etapa O que Antônio fez O que a cautela pede
Rejunte solto no box Primeiro sinal Notou e adiou a compra do silicone. Ignorou o alerta
Manchas no teto do vizinho Aviso recebido Prometeu resolver e voltou a adiar. Sem providência imediata
Notificação formal Do condomínio ou vizinho Não respondeu por escrito nem contratou perícia. Documentar tudo
Reforma da causa Antes de piorar Só agiu depois da ação judicial. Agir na origem

O que se aprende com a história de Antônio?

A vida corrida de Antônio não era o problema. Todo mundo adia manutenção uma vez ou outra, e a intenção dele nunca foi prejudicar ninguém. O erro foi tratar como bobagem um sinal que a lei considera grave, porque a água que escorre no seu banheiro pertence apenas a você, mas o dano que ela causa lá embaixo passa a ser sua responsabilidade jurídica.

Quem realmente quer evitar essa dor de cabeça precisa seguir esse roteiro: refazer o rejunte e o silicone do box a cada dois ou três anos, verificar impermeabilização do piso do banheiro quando o imóvel passar dos dez anos, agir imediatamente ao receber qualquer aviso do vizinho de baixo, contratar uma perícia técnica para localizar a origem exata do problema, e procurar um advogado especialista em direito imobiliário antes que a discussão vá para o Fórum e a conta cresça em zeros.