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Muita gente mata o gambá que aparece no quintal por medo, mas poucos sabem que ele come escorpiões, ratos e baratas, e que matá-lo é crime ambiental
Gambá que aparece no quintal pode ajudar a reduzir pragas durante a noite
Quando um gambá aparece no quintal, muita gente reage com medo, pedras ou veneno. Mas o animal é um dos maiores aliados da casa no controle de pragas: come escorpiões, baratas, pequenos roedores e insetos que circulam à noite. Além disso, ele é fauna silvestre protegida, e matá-lo é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais.
Que animal é o gambá brasileiro?
O gambá brasileiro é um marsupial do gênero Didelphis, parente distante dos cangurus. As espécies mais comuns são o gambá-de-orelha-branca, presente no Cerrado, na Caatinga e em boa parte do Centro-Sul, e o gambá-de-orelha-preta, típico da Mata Atlântica. Como os outros marsupiais, as fêmeas carregam os filhotes numa bolsa no ventre nas primeiras semanas de vida.
Apesar do nome, ele não é o mesmo animal do cangambá, ou zorrilho, conhecido por borrifar um líquido de cheiro forte. O gambá também libera odor quando se sente ameaçado, mas sua principal defesa é outra: fingir de morto, ficando imóvel e de boca aberta até o perigo passar.
O que o gambá come à noite
O gambá é onívoro e oportunista, o que faz dele um controlador natural de pragas em áreas urbanas. Ao longo da noite, ele percorre quintais, telhados e terrenos atrás de alimento, e o cardápio inclui:
- escorpiões, inclusive o escorpião-amarelo, responsável pela maioria dos acidentes graves no país;
- baratas, besouros, grilos e outros insetos;
- filhotes de ratos e pequenos roedores;
- caramujos, lesmas e até pequenas serpentes;
- frutas caídas, ovos e restos de alimento.
Ao comer frutas, ele também espalha sementes, ajudando a regenerar áreas verdes. Em cidades com problemas de escorpião, a presença de predadores naturais como o gambá é um reforço importante, ainda que não substitua a limpeza de entulhos e a vedação de ralos.
Matar um gambá é crime?
Sim. O artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais, a Lei 9.605, de 1998, proíbe matar, perseguir, caçar ou apanhar animais da fauna silvestre nativa sem autorização, com pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa. Na esfera administrativa, o Decreto 6.514, de 2008, prevê multa a partir de R$ 500 por animal, valor que sobe quando a espécie é ameaçada. Usar veneno ou ferir o bicho também pode configurar maus-tratos, previstos no artigo 32 da mesma lei.

Gambá transmite doença?
O gambá não é agressivo e raramente ataca pessoas ou pets, mas, como qualquer animal silvestre, pode carregar parasitas. Ele é apontado como reservatório natural do protozoário causador da doença de Chagas e da leishmaniose, o que não significa que transmita essas doenças pelo simples convívio, já que a transmissão depende de insetos vetores. A orientação é não tocar no animal, evitar contato com as fezes e manter a comida dos pets recolhida à noite.
O que fazer quando um gambá aparece em casa
Na maioria das vezes, ele está só de passagem e vai embora sozinho antes do amanhecer. O melhor é deixar uma saída livre, afastar cães e gatos e apagar as luzes do local. Se o animal estiver ferido, preso no forro ou com filhotes dentro de casa, o caminho é acionar o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar Ambiental ou o órgão ambiental da cidade. O Ibama também recebe denúncias e pedidos de orientação pela Linha Verde, no 0800 061 8080.
Para evitar visitas frequentes, vale fechar bem o lixo, não deixar ração exposta durante a noite, vedar aberturas no telhado e no forro e recolher frutas caídas no quintal. Essas medidas reduzem a oferta de comida e abrigo sem colocar o animal em risco.