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Mulher do campo apostou nas búfalas e transformou a fazenda
Produção de leite nutritivo com baixo custo e manejo simples
No cenário atual da pecuária brasileira, a criação de búfalas deixou de ser raridade e passou a integrar o planejamento de muitas propriedades que buscam produtividade com menor custo. Em uma fazenda de médio porte no interior de Minas Gerais, por exemplo, uma produtora fictícia, chamada aqui de Clara Souto, reorganizou toda a atividade leiteira a partir da chegada dos primeiros animais bubalinos, como resposta prática à necessidade de manter renda mesmo em períodos de seca e instabilidade de preços no mercado do leite bovino.
O que diferencia a criação de búfalos da bovinocultura tradicional
Em termos de manejo diário, a criação de búfalos apresenta particularidades importantes em relação à bovinocultura tradicional. Enquanto muitas linhagens bovinas respondem de forma sensível a variações de clima e qualidade de pasto, os búfalos são mais tolerantes à estiagem moderada, desde que tenham acesso constante a água, sombra e áreas de descanso adequadas.
Na fazenda de Clara, o sistema foi organizado em piquetes rotacionados, garantindo forragem verde por mais tempo e reduzindo o uso de ração concentrada. O comportamento de rebanho também se destaca: os lotes de búfalas se movimentam em grupo, seguem rotinas fixas na ordenha e, quando acostumados desde jovens ao contato com pessoas, apresentam postura estável, o que favorece um manejo mais calmo e seguro.

Quais são os principais ganhos na criação de búfalos leiteiros
Na criação de búfalos leiteiros, produtores costumam avaliar quantidade de leite, custo de produção e preço de venda, priorizando o rendimento por hectare. Mesmo com produção diária moderada por búfala, um sistema a pasto bem manejado permite bom volume total, com custo alimentar relativamente baixo, aumentando a margem de lucro por litro e a resiliência econômica da atividade.
Com o avanço da cadeia de laticínios, o leite bubalino passou a ser visto como matéria-prima estratégica para produtos específicos. Surgiram contratos com pagamento por teor de sólidos e qualidade microbiológica, e não apenas por volume, beneficiando propriedades que investem em higiene de ordenha, resfriamento imediato, controle de mastite e boas práticas de bem-estar animal.
Por que o leite de búfala interessa tanto à indústria de laticínios
O leite de búfala apresenta composição que agrada especialmente o setor de queijos, graças ao maior teor de proteína e gordura em comparação ao leite de vaca. Isso se traduz em melhor rendimento industrial, maior aproveitamento do soro e possibilidade de produzir queijos com textura, sabor e cremosidade diferenciados para nichos de maior valor agregado.
Na prática, o leite bubalino é muito usado em muçarelas, queijos de massa filada, queijos frescos e alguns tipos de queijos maturados, muito valorizados em regiões turísticas, restaurantes e empórios. Entre os principais atributos industriais e nutricionais desse leite, destacam-se:
- Maior teor de sólidos, favorecendo o rendimento na produção de queijos.
- Boa concentração de cálcio, fósforo e outros minerais essenciais.
- Perfil de gordura adequado para produtos de textura macia e cremosa.
- Cor mais branca e derretimento uniforme em preparações quentes.
- Potencial de atuação em nichos de mercado com maior retorno financeiro.
Como planejar o manejo reprodutivo e a formação do rebanho de búfalos
Na criação de búfalos, o manejo reprodutivo exige atenção específica, pois os ciclos e a duração da gestação diferem dos bovinos. Em muitas propriedades, os partos se concentram em determinadas épocas do ano, gerando picos e quedas de produção de leite; por isso, produtores como Clara adotam calendário reprodutivo, controle de estação de monta e seleção de fêmeas com boa fertilidade.
A formação do rebanho segue a lógica de reter fêmeas de melhor desempenho e descartar machos para abate ou venda, buscando docilidade, persistência de lactação e adaptação ao sistema de pasto. São avaliados idade ao primeiro parto, intervalo entre partos, produção por lactação e comportamento na ordenha, o que permite moldar gradualmente um rebanho produtivo, saudável e bem adaptado à realidade da fazenda.
Ela começou com algumas búfalas leiteiras quase por acaso, mas logo transformou a criação em parte essencial da rotina na fazenda. Entre ordenhas diárias e cuidado com o rebanho, encontrou nas chamadas “pérolas negras” uma atividade produtiva e cheia de significado.
Neste vídeo do canal Canal do Boi – Oficial, com mais de 216 milhões de inscritos e cerca de 6.1 milhão de visualizações, essa história de dedicação no campo ganha espaço e destaca uma escolha que trouxe resultados surpreendentes:
Quais desafios ainda limitam a expansão da pecuária de búfalos no Brasil
A pecuária de búfalos ainda enfrenta entraves estruturais, como a falta de informação ao consumidor sobre diferenças entre leite e carne de búfalo e de bovinos. Em algumas regiões, o abate de búfalos ocorre junto com bovinos, sem identificação clara da origem da carne, dificultando a construção de uma marca própria e a valorização dos produtos bubalinos no varejo.
Outro desafio está na infraestrutura e na assistência técnica específica para a espécie. Búfalos exigem cercas firmes e bem aterradas, sombra em regiões muito quentes e acesso a água em quantidade e qualidade adequadas. Nem todas as redes de extensão rural estão preparadas para orientar nutrição, sanidade e reprodução bubalina, obrigando produtores a buscar centros de pesquisa, associações de criadores e grupos de troca de experiências para qualificar o manejo.
Qual é o papel da presença feminina na criação de búfalas leiteiras
Na fazenda de Clara, assim como em diversas outras propriedades, a gestão da criação de búfalas leiteiras está diretamente ligada à atuação feminina. A produtora participa das decisões de compra de insumos, venda de leite, escolha de reprodutores e organização da mão de obra, somando conhecimento prático a conteúdos técnicos adquiridos em cursos, dias de campo e consultorias especializadas.
Em 2026, observa-se aumento da presença de mulheres em associações de criadores, cooperativas e grupos de estudos focados em bubalinocultura. Esse movimento fortalece debates sobre bem-estar animal, qualidade do leite, rastreabilidade e inserção dos produtos de búfala em mercados mais exigentes, contribuindo para uma atividade em crescimento, mais profissionalizada e com melhor aproveitamento do potencial produtivo dos búfalos em diferentes regiões do país.