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Na Suíça, pobres vivem em “favelas” que oferecem qualidade de vida superior à de muitas cidades em todo o mundo
As “favelas” da Suíça que surpreendem pela qualidade de vida
Basileia, no noroeste da Suíça, derruba a imagem que muita gente tem de pobreza urbana. Na região, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) passa de 0,964, e mesmo os bairros apelidados de “favelas suíças” nas redes sociais mantêm saneamento, segurança e transporte público em um padrão que não existe nem em áreas nobres de muitos países. Entenda por que o termo engana e como vivem os moradores das áreas mais baratas da cidade.
Por que o termo favela suíça confunde os brasileiros?
Nas redes sociais, a palavra “favela” é usada para descrever regiões com muitos moradores e prédios simples, bem diferentes dos chalés dos Alpes que aparecem nos cartões-postais. Em Basileia, a diferença entre um bairro nobre e uma área operária está no tamanho dos apartamentos e no visual das fachadas, e raramente na ausência do Estado ou na falta de serviços.
Em bairros como Klybeck, o planejamento urbano privilegia a eficiência da moradia em vez da arquitetura histórica. Os prédios de linhas simples abrigam muita gente, mas contam com:
- Isolamento térmico moderno
- Água potável para todos os moradores
- Manutenção rigorosa dos edifícios
- Subsídios de políticas públicas de habitação

Como vivem os moradores dos bairros mais baratos?
A vida nesses bairros é movimentada pela forte presença de imigrantes, que dão às ruas uma energia pouco comum na Suíça. Enquanto os bairros tradicionais são silenciosos, as áreas populares reúnem:
- Moradores vindos da Turquia, dos Bálcãs, da Ásia e da América Latina
- Comércios étnicos e barbearias sempre cheias
- Convivência constante entre vizinhos
- Habitação social com regras rígidas de limpeza e conservação
Morar nessas regiões costuma ser uma escolha estratégica para juntar dinheiro em um dos países mais caros do mundo. Um trabalhador que ganha perto de 4 mil francos suíços consegue ter acesso a tecnologia, lazer e boa alimentação, com um padrão de vida que a mesma classe social não alcança em outros países. O canal Lima Experience, com 120 mil inscritos no YouTube, visitou esses bairros e mostrou as diferenças no dia a dia dos moradores.
Qual a vantagem de morar perto da Alemanha e da França?
A localização de Basileia traz um benefício único para quem vive nesses bairros e para toda a região: a cidade fica colada às fronteiras da Alemanha e da França. O chamado turismo de compras permite que as famílias reduzam bastante o custo de vida atravessando a fronteira para comprar mantimentos em euro, aproveitando a diferença de câmbio.
Com isso, o orçamento da casa rende mais e sobra dinheiro para viagens e outros bens de consumo. Ter um carro popular estacionado na rua nesses bairros não é sinal de risco, mas uma forma prática de se locomover, já que a criminalidade na cidade é baixa na comparação mundial, embora fique acima da média suíça.
Veja como é a realidade de quem vive nos bairros considerados mais pobres da Suíça. O vídeo do canal Lima Experience (120 mil inscritos) visita as zonas menos favorecidas de Basileia para mostrar as diferenças de estilo de vida:
O que sustenta a qualidade de vida nesses bairros?
Andar pela periferia suíça revela uma cidade menos idealizada e mais humana, em que a integração social acontece na prática. A habitação social não é sinônimo de abandono, e os conjuntos residenciais para refugiados e trabalhadores seguem padrões rígidos de conservação.
| Pilar | O que garante |
|---|---|
| Diversidade | Klybeck e Kleinbasel são polos multiculturais, longe da imagem homogênea da Suíça |
| Transporte | Os bondes ligam o bairro mais pobre ao centro financeiro com a mesma pontualidade e conforto |
| Segurança | Policiamento discreto, mas eficiente, que permite às crianças brincar na rua |
| Serviços básicos | Sem racionamento de água, falta de luz ou esgoto a céu aberto, qualquer que seja a renda do bairro |
Por que a periferia de Basileia virou modelo urbano?
A realidade desses bairros mostra que a desigualdade de renda não precisa virar miséria quando existem políticas públicas sólidas. Em Basileia, a infraestrutura de primeiro mundo está ao alcance de todas as classes sociais, e a dignidade é tratada como um direito de todos, e não como privilégio de quem mora no endereço certo.
Outros fatores reforçam esse modelo. O ambiente multicultural costuma acolher bem quem chega de fora, inclusive brasileiros em fase de adaptação, e a estabilidade da economia local abre uma possibilidade real de crescer financeiramente. Conhecer esse lado menos turístico da Europa ajuda a entender o que significa, de fato, desenvolvimento urbano.
Nem toda periferia é igual. O exemplo de Basileia mostra como investimento público muda a vida de quem tem menos. Compartilhe esta reportagem com quem sonha em morar fora do Brasil.