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Não é a Europa: é a vila brasileira onde 60% de quem vive têm passaporte europeu e o schnitzel divide mesa com a Tirolerfest de 1934
Parece a Europa, mas fica no Brasil e celebra a Tirolerfest desde 1934.
Fundada em 13 de outubro de 1933 por um ex-ministro da Áustria, Treze Tílias mantém o dialeto tirolês, o schnitzel no cardápio e o único consulado austríaco do interior brasileiro. A vila brasileira batizada em homenagem a um poema alemão nunca deixou de ser um pedaço dos Alpes no meio-oeste catarinense.
Os 85 tiroleses do navio Principessa Maria
A história começa em 8 de setembro de 1933, quando 85 imigrantes tiroleses embarcaram no navio Principessa Maria com destino ao Porto de Santos. O grupo era liderado por Andreas Thaler, ex-ministro da Agricultura da Áustria, que buscava terras com clima e relevo parecidos com os Alpes para acolher compatriotas fragilizados pela crise do pós-guerra.
Em 13 de outubro do mesmo ano, o grupo desembarcou no meio-oeste de Santa Catarina. Segundo o Portal Municipal de Turismo, a colônia recebeu o nome de Dreizehnlínden, inspirado no poema épico “Die Dreizehnlinden”, do alemão Friedrich Wilhelm Weber. Até 1938, mais de 780 imigrantes tinham cruzado o oceano para se juntar ao grupo pioneiro.

Como é morar no único município com consulado austríaco?
Desde o fim dos anos 1970, uma casa em estilo alpino próxima à praça central abriga o Consulado Honorário da Áustria, o único do interior brasileiro. O espaço emite passaportes, providencia vistos e orienta descendentes na obtenção da dupla cidadania europeia.
O resultado aparece nas estatísticas locais: cerca de 60% da população de 9.531 habitantes tem cidadania austríaca, segundo dados citados por veículos regionais. Muitos jovens vão estudar na Europa e voltam para reinvestir no município. A cartilha oficial de arquitetura, publicada pela Câmara Técnica de Infraestrutura, orienta cada nova construção a seguir o padrão alpino que fez a fama do lugar.
O Tirol brasileiro que virou premiado internacional
Em outubro de 2024, Treze Tílias entrou na lista dos 14 destinos brasileiros premiados no Top 100 Stories da Green Destinations, organização holandesa que reconhece boas práticas em turismo responsável. A rede hoteleira recebeu cerca de 64 mil visitantes em 2025, alta de 63,6% em relação ao ano anterior.
O turismo já responde por 30,7% das 1.513 empresas ativas na cidade. A herança tirolesa alimenta uma economia que soma agroindústria de laticínios, oficinas de entalhe em madeira e cervejarias artesanais, com PIB per capita superior a R$ 100 mil no levantamento de 2024.
A herança austríaca no oeste catarinense forma um destino único. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 171 mil visualizações, e detalha a arquitetura e gastronomia de Treze Tílias.
O que fazer no pedaço da Áustria no Brasil?
O centro se percorre a pé em uma manhã. Casas alpinas, esculturas em madeira e jardins floridos formam o cenário, com atrações concentradas em raio de 15 minutos de caminhada.
- Castelinho Andreas Thaler: museu municipal construído em 1937 pelo arquiteto Bruno Kracher, inspirado na Escola Agrícola de Rotholz. Preserva mobiliário e biblioteca do fundador.
- Parque Lindendorf: 45 mil m² com minicidade em maquete que reproduz Treze Tílias, lago com peixes coloridos, minizoológico e restaurante de comida típica com apresentações folclóricas.
- Igreja Matriz Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: estilo alpino com santos, bancos e portas entalhados à mão pelos artesãos locais, no ponto mais alto do centro.
- Águia do Tirol: monumento inaugurado em 2017 em homenagem aos imigrantes austríacos, símbolo da força dos pioneiros que atravessaram o Atlântico.
- Mundo Tirolês: maior loja temática de cultura austríaca do Brasil, mantida pelas famílias Ungericht e Astner com artesanato e decoração alpina.
- Tirolerfest: acontece desde 1934 no fim de semana mais próximo ao dia 13 de outubro, maior festa da imigração austríaca do país.
Sabores fiéis aos Alpes servidos no interior catarinense
A mesa mantém receitas trazidas pelos primeiros colonos e reinterpretadas por três gerações. Cerca de 25 estabelecimentos servem comida típica na cidade, e a Laticínios Tirol, fundada em 1974 pelo padre Küng, virou marca nacional.
- Schnitzel: bife de porco empanado servido com salada de batatas, prato mais tradicional das estalagens locais e presença certa em qualquer roteiro.
- Apfelstrudel: torta de maçã servida quente com nata ou sorvete, sobremesa disputada nas confeitarias que abrem cedo no centro histórico.
- Knödel: bolinho de pão típico dos Alpes, aparece como acompanhamento de carnes ensopadas em restaurantes que parecem estalagens tirolesas.
- Cervejas artesanais: a Bierbaum lidera o circuito, seguida pela Pubi Bier e pela Trezetiliense, produzidas nos estilos Pilsen, Weiss, Bock e Vienna.
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Qual o clima da colônia a 796 m de altitude?
A altitude garante clima subtropical temperado com estações bem definidas. O inverno frio é a temporada preferida por quem quer sentir o clima alpino de verdade.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao Tirol Brasileiro?
Treze Tílias fica a 425 km de Florianópolis pela BR-282 e SC-355, cerca de 5 horas de carro. De Chapecó são 180 km pela BR-480. O aeroporto comercial mais próximo é o de Joaçaba, a 35 km do município.
Suba a serra e conheça o Tirol Brasileiro
Poucos destinos entregam consulado europeu, banda centenária criada dentro de um navio e uma cartilha oficial que padroniza a arquitetura de todas as construções. Treze Tílias reúne o dialeto tirolês, o cheiro de strudel e o eco da fundação de 1933 em um único vilarejo catarinense.
Você precisa cruzar a serra em outubro para viver a Tirolerfest e entender por que 85 imigrantes conseguiram manter a Áustria viva a 796 metros de altitude no Brasil.