Nem o derretimento do gelo nem o efeito estufa: o nível do mar está subindo e o verdadeiro culpado está escondido debaixo d'água. - Super Rádio Tupi
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Nem o derretimento do gelo nem o efeito estufa: o nível do mar está subindo e o verdadeiro culpado está escondido debaixo d’água.

NASA aponta oceanos como destino de mais de 90% do calor

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Nem o derretimento do gelo nem o efeito estufa: o nível do mar está subindo e o verdadeiro culpado está escondido debaixo d'água.
Oceanos aquecidos explicam boa parte do avanço do mar

Quando se fala em subida do nível do mar, a primeira imagem que vem à mente costuma ser o derretimento de geleiras e calotas polares. Mas uma revisão recente de registros oceanográficos, publicada na revista Science Advances, aponta outro protagonista nesse processo: a expansão térmica dos oceanos, fenômeno que responde por boa parte do aumento medido nas últimas décadas.

O que é a expansão térmica e por que ela importa tanto?

A expansão térmica ocorre quando a água absorve calor e suas moléculas passam a se mover mais, ocupando um volume maior. Não se trata de água nova entrando no oceano, mas da mesma massa de água passando a ocupar mais espaço por causa do aquecimento.

Segundo a NASA, mais de 90% do calor retido pelos gases de efeito estufa acaba absorvido pelos oceanos. Esse calor não desaparece: ele se acumula nas camadas oceânicas e eleva gradualmente o volume da água, mesmo sem qualquer geleira derretendo na superfície.

Quanto a água quente contribui para o nível do mar subir?

De acordo com o levantamento publicado na Science Advances, o aquecimento interno da massa oceânica representa 43% da subida total registrada nas últimas décadas. Esse percentual é maior do que a soma de várias fontes de degelo isoladas, o que ajuda a explicar uma diferença que pesquisadores tentavam resolver há tempos entre o aumento observado e a contribuição de cada fator separadamente.

O restante do aumento vem de fontes distintas, cada uma com peso diferente no balanço final:

O degelo deixou de ser relevante para o nível do mar?

Não. O estudo não descarta o papel do degelo, mas mostra que a subida do mar resulta de vários mecanismos atuando juntos. Parte da água vem de fora, liberada por geleiras e calotas polares. Outra parte já estava dentro do oceano e simplesmente passou a ocupar mais volume com o aumento de temperatura.

Essa segunda parcela é menos visível do que um bloco de gelo se rompendo, mas tem sido, historicamente, a maior contribuição acumulada para o nível médio global do mar. O calor estava ali, armazenado nas profundezas, elevando lentamente a superfície da água.

Como a expansão térmica se relaciona com o efeito estufa?

A expansão térmica não é um fenômeno paralelo ao aquecimento global, mas uma consequência direta dele. Os oceanos absorvem grande parte do excesso de energia retido na atmosfera pelos gases de efeito estufa, e essa energia, ao elevar a temperatura da água, faz com que ela ocupe mais espaço.

O que esses dados mudam na forma de medir o nível do mar?

A pesquisa também ajudou a refinar o cálculo do nível médio global do mar, conhecido pela sigla GMSL. Até então, havia um descompasso entre o aumento total observado nos oceanos e a soma das contribuições isoladas de cada fator, um problema metodológico que dificultava projeções mais precisas.

Com a expansão térmica reconhecida como o maior componente isolado, cientistas conseguem ajustar com mais precisão os modelos que tentam prever a velocidade da subida do mar nas próximas décadas. Esse refinamento é importante porque a aceleração recente do fenômeno também tem componentes distintos: o aquecimento oceânico explica cerca de 41% dessa aceleração, enquanto mudanças no armazenamento terrestre de água, ligadas a represas, lençóis freáticos e variações de chuva, respondem por outros 21%, com efeito que varia bastante ao longo do tempo.

Nem o derretimento do gelo nem o efeito estufa: o nível do mar está subindo e o verdadeiro culpado está escondido debaixo d'água.
Oceanos aquecidos explicam boa parte do avanço do mar

Por que essa descoberta importa para o futuro das águas

Reconhecer o calor acumulado nas profundezas como o principal motor da subida do mar muda a forma de monitorar esse processo. Não basta observar geleiras encolhendo nas imagens de satélite, é preciso acompanhar também a temperatura das camadas oceânicas mais profundas, que armazenam energia de forma silenciosa e contínua.

Esse calor acumulado ao longo de décadas não desaparece rapidamente, o que significa que a expansão térmica continuará influenciando o nível do mar mesmo que as emissões de gases de efeito estufa sejam reduzidas no curto prazo. A água que já absorveu esse excesso de energia carrega consigo um efeito que se estende por muito tempo.