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O campo magnético da Terra se deslocou mais de 2.250 km, e organizações em todo o mundo já estão se preparando para conter os danos

Bússolas, aviões e celulares dependem do campo magnético atualizado

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O campo magnético da Terra se deslocou mais de 2.250 km, e organizações em todo o mundo já estão se preparando para conter os danos
Campo magnético em movimento desafia sistemas de navegação

O campo magnético da Terra não é uma estrutura fixa. O polo norte magnético, ponto para o qual as bússolas apontam no hemisfério norte, acumula um deslocamento superior a 2.250 quilômetros nas últimas décadas, migrando da região canadense em direção à Sibéria. O número impressiona, mas o que está em jogo não é uma catástrofe geológica: é a precisão dos sistemas de navegação que orientam aviões, navios, submarinos e celulares ao redor do mundo.

Por que o campo magnético da Terra se move?

A origem do movimento está no núcleo externo do planeta, composto por ferro líquido em constante agitação. Essas correntes de material condutor geram o campo magnético terrestre e, como nunca ficam completamente estáveis, alteram continuamente a posição do polo norte magnético. É um processo natural que ocorre há bilhões de anos, muito antes de qualquer instrumento humano existir para registrá-lo.

O que mudou nas últimas décadas foi a velocidade desse deslocamento. O British Geological Survey documentou que o polo acelerou para cerca de 50 km por ano em determinado período e depois desacelerou para aproximadamente 35 km por ano. Esse comportamento é incomum dentro do registro moderno, mas especialistas são categóricos: não indica uma inversão de polos iminente nem um colapso do escudo magnético.

O que é o World Magnetic Model e por que ele foi atualizado?

Para que sistemas de orientação continuem funcionando com exatidão, organismos científicos desenvolvem modelos matemáticos que descrevem o estado atual do campo magnético. O principal deles é o World Magnetic Model, conhecido pela sigla WMM. A versão mais recente, o WMM2025, foi publicada em 17 de dezembro de 2024 pela NOAA em parceria com o British Geological Survey e permanecerá vigente até o final de 2029.

Quais organizações dependem desse modelo?

A lista de usuários do WMM2025 revela o quanto o campo magnético da Terra afeta operações cotidianas e estratégicas. Entre os que dependem diretamente da precisão desse modelo estão:

  • Agências governamentais de Estados Unidos e Reino Unido
  • Forças armadas e sistemas de navegação militar
  • Aviação civil e marítima comercial
  • Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)
  • Organização Hidrográfica Internacional
  • Aplicativos de mapas e sistemas GPS em smartphones

O que essas organizações fazem não é, portanto, responder a uma emergência. É uma atualização técnica periódica para evitar que a deriva do polo norte magnético introduza erros de orientação em sistemas que dependem de décimos de grau para funcionar corretamente.

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A NOAA confirmou que o modelo atual está funcionando bem?

Sim. Em janeiro de 2026, a NOAA publicou seu relatório anual e concluiu que tanto o WMM2025 quanto sua versão de alta resolução demonstraram precisão satisfatória durante o primeiro ano de operação. O monitoramento contínuo é parte do protocolo: se o campo magnético apresentar variações abruptas antes de 2029, uma atualização extraordinária pode ser publicada antes do prazo previsto.

Inversão de polos: o que a ciência diz sobre esse risco?

A inversão magnética, evento em que o polo norte e o polo sul magnéticos trocam de posição, é um fenômeno geológico bem documentado no registro das rochas. O último ocorreu há cerca de 780 mil anos. Pesquisadores estimam que o campo magnético pode enfraquecer antes e durante uma inversão, reduzindo temporariamente a proteção contra radiação solar e partículas cósmicas.

Ainda assim, os dados atuais não sustentam previsões de uma inversão em futuro próximo. O deslocamento do polo norte magnético, por mais acelerado que tenha sido, é apenas um dos indicadores monitorados. Modelos computacionais e análises do núcleo terrestre não apontam para um colapso estrutural do campo magnético nas próximas décadas.

Um planeta em constante ajuste

O deslocamento de mais de 2.250 km é, acima de tudo, um lembrete de que a Terra é um sistema dinâmico. O ferro em ebulição no interior do planeta dita regras que a tecnologia precisa acompanhar, e organismos como a NOAA e o British Geological Survey existem exatamente para fazer essa tradução entre a geofísica e os instrumentos do dia a dia.

Atualizar o World Magnetic Model não é uma medida de emergência: é ciência aplicada funcionando como deveria. Cada vez que um piloto traça uma rota com precisão ou um aplicativo de mapas recalcula uma posição, parte do crédito pertence a pesquisadores que monitoram, modelam e publicam dados sobre o campo magnético terrestre com regularidade.