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O cenário do Paraná com mais de 300 milhões de anos onde torres de pedra formam uma paisagem que parece saída de um filme
O destino paranaense que reúne 300 milhões de anos de história.
Os Campos Gerais guardam formações que começaram a tomar forma há cerca de 300 milhões de anos, quando a região ainda estava próxima do Polo Sul e os continentes formavam uma única massa de terra. Ao longo de milhões de anos, processos naturais transformaram os antigos arenitos em esculturas que lembram uma taça, um camelo e até a proa de um navio. Nesse cenário geológico singular, Ponta Grossa, no Paraná, combina o patrimônio rochoso com furnas, cachoeiras e episódios importantes da história brasileira, a apenas 114 km de Curitiba.
De onde surgiu o nome que virou identidade de Ponta Grossa?
Muito antes de se tornar uma cidade, a região já servia de passagem para tropeiros que percorriam os Campos Gerais conduzindo rebanhos entre o Sul do país e São Paulo. No caminho, uma colina coberta por um capão de mato podia ser vista de longe e acabou servindo como ponto de referência. A expressão “capão da ponta grossa” passou a identificar o lugar, enquanto o povoado se desenvolveu ao redor da capela dedicada a Sant’Ana, construída no alto da colina onde atualmente está a Catedral de Sant’Ana.
A história política do município ganhou um capítulo decisivo em 17 de outubro de 1930, quando Getúlio Vargas chegou à estação ferroviária de Ponta Grossa acompanhado de suas tropas durante a Revolução de 1930, movimento que derrubaria o presidente Washington Luís. Segundo a tradição associada ao episódio, foi ali que Vargas recebeu a informação de que deveria continuar viagem até a capital para assumir a presidência. A passagem contribuiu para o reconhecimento do município como Capital Cívica do Paraná.

Quais atrações conhecer no parque geológico de Vila Velha?
Criado em 1953, o Parque Estadual de Vila Velha concentra a principal paisagem turística de Ponta Grossa e está entre os conjuntos geológicos mais marcantes do Brasil. São mais de 3 mil hectares onde três atrações principais podem ser visitadas com o auxílio do transporte interno do parque.
- Arenitos: antigos depósitos de areia compactados há cerca de 300 milhões de anos ganharam formas curiosas após milhares de anos de ação do vento e da chuva. Taça, camelo, garrafa, índio e proa de navio estão entre as figuras reconhecidas nas rochas. O percurso principal tem 2,5 km e dura aproximadamente duas horas.
- Furnas: essas cavidades verticais, cuja formação remonta a cerca de 400 milhões de anos, combinam paredes rochosas, vegetação e água subterrânea acumulada no fundo. Das seis furnas existentes, três estão abertas à visitação.
- Lagoa Dourada: uma antiga furna chegou a um estágio avançado de transformação e deu lugar a uma lagoa de águas cristalinas. Ao final da tarde, os raios solares refletem na superfície e criam o tom dourado que explica seu nome.
Quais cachoeiras e formações naturais ficam fora de Vila Velha?
O roteiro natural de Ponta Grossa continua para além do parque, com propriedades e áreas de preservação distribuídas pelo interior do município. Muitas dessas atrações ficam a menos de 40 km do centro e podem ser alcançadas por estradas de terra.
- Buraco do Padre: um grande anfiteatro subterrâneo abriga uma cachoeira de 30 metros, alimentada pelo Rio Quebra Perna. O caminho de 1 km possui acessibilidade para cadeirantes e a atração está dentro do Parque Nacional dos Campos Gerais.
- Cachoeira da Mariquinha: a água despenca de aproximadamente 30 metros diante de um banco de areia que forma uma espécie de pequena praia. Arenitos e mata nativa completam a paisagem.
- Cânion e Cachoeira do São Jorge: paredões rochosos criam um cenário procurado para a prática de rapel, enquanto uma queda d’água de 30 metros se destaca em meio à vegetação preservada.
- Furnas do Passo do Pupo: o circuito reúne seis atrações naturais, entre elas as Furnas Gêmeas e a Furna do Anfiteatro, com acesso por trilhas ou por uma ciclorrota.
- Mosteiro da Ressurreição: o espaço reúne monges beneditinos que realizam cantos gregorianos cercados pela natureza. A loja do mosteiro comercializa pães, biscoitos e vinhos artesanais.
Cerveja artesanal e a festa com chancela alemã
Ponta Grossa carrega o título de Capital Paranaense da Cerveja e tem diversas cervejarias artesanais espalhadas pela cidade. A MunchenFest, que acontece entre novembro e dezembro, é a única festa do país com chancela do Consulado da Alemanha no Sul do Brasil. São cerca de dez dias de chope, culinária alemã, danças e atrações culturais em celebração aos imigrantes que ajudaram a formar o município.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima é subtropical, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e frios. A altitude média de 975 metros garante manhãs geladas no inverno.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Quais são as principais formas de chegar a Ponta Grossa?
A ligação com Curitiba é feita pela BR-376, em um percurso de 114 km que leva cerca de 1h40 de carro por uma rodovia duplicada. O Aeroporto de Ponta Grossa (PGZ) também recebe voos operados pela Azul e pela Voepass, embora com frequência limitada. Para quem desembarca na capital paranaense, o Aeroporto Afonso Pena (CWB) oferece uma quantidade maior de opções. Já para explorar as atrações espalhadas pela área rural, ter um carro facilita bastante os deslocamentos.
Por que Ponta Grossa parece um museu moldado pela natureza?
A paisagem de Ponta Grossa guarda marcas de diferentes períodos da história geológica em poucos quilômetros. Arenitos com cerca de 300 milhões de anos, furnas que chegam a 400 milhões de anos e cachoeiras de aproximadamente 30 metros dividem espaço com eventos contemporâneos, como um festival cervejeiro que carrega selo alemão. O resultado é um destino em que formações naturais de enorme valor científico convivem com uma cena de lazer bastante movimentada.
Entre as formações de Vila Velha, o interior das furnas e os bares onde é possível provar chope artesanal, o roteiro também cruza episódios da história política brasileira. Foi por essa cidade que Getúlio Vargas passou quando seguia em direção à presidência, acrescentando outra camada à trajetória de um município marcado tanto pela geologia quanto pela história.