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O Cristo Redentor mais antigo do Brasil não está no Rio, mas sim na 4a cidade mais antiga do Brasil
Antes do Rio, outro Cristo Redentor já marcava a história no Brasil.
Cinco anos antes de o mundo conhecer o cartão-postal carioca, uma escultura de braços abertos, o Cristo Redentor, já observava a quarta cidade mais antiga do país do alto de uma colina sergipana. São Cristóvão guarda, a apenas 25 km de Aracaju, mais de quatro séculos de história em ladeiras de pedra, igrejas barrocas e uma praça que não existe igual em nenhum outro lugar do Brasil.
A praça que uniu dois impérios em solo brasileiro
A Praça São Francisco é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2010 e carrega um traçado único nas Américas. Construída entre os séculos XVI e XVII, ela segue as Ordenações Filipinas, código urbano espanhol aplicado durante a União Ibérica (1580-1640). O resultado é uma fusão entre a Plaza Mayor hispânica e o padrão urbano português colonial.
Ao redor do quadrilátero, estão a Igreja e Convento de São Francisco, a antiga Santa Casa de Misericórdia, o Museu Histórico de Sergipe e casarões dos séculos XVIII e XIX. Os primeiros tombamentos pelo IPHAN ocorreram na década de 1940, e o conjunto urbano inteiro foi protegido em 1967.

O Cristo que veio antes do cartão-postal carioca
No alto da colina de São Gonçalo, a 90 metros de altitude, o Cristo Redentor sancristovense observa a cidade desde janeiro de 1926. A escultura de 16 metros foi encomendada pelo governador Graccho Cardoso ao arquiteto italiano Bellando Bellandi. A pose é diferente da versão do Rio de Janeiro: um braço acolhe, o outro aponta para a cidade.
Pesquisadores da Faculdade de Belas Artes de São Paulo identificaram, em 1984, o exemplar sergipano como o mais antigo e original entre mais de 1.200 monumentos semelhantes catalogados no país. O mirante foi revitalizado e reaberto ao público com nova estrutura de acesso e vista panorâmica do centro histórico.
Viaje no tempo ao visitar São Cristóvão, a cidade mais antiga de Sergipe e a quarta do Brasil. O vídeo é do canal Hugo Corelli:
O que visitar na cidade mãe de Sergipe?
O centro histórico concentra as principais atrações em poucas quadras, todas acessíveis a pé. Meio dia é suficiente para percorrer os pontos principais, mas o ritmo calmo da cidade convida a ficar mais.
- Museu de Arte Sacra: instalado na antiga Ordem Terceira de São Francisco, reúne mais de 500 peças dos séculos XVII ao XX. É considerado um dos três mais importantes do país.
- Museu Histórico de Sergipe: funciona no antigo Palácio Provincial, onde Dom Pedro II se hospedou em 1860. Restaurado e reaberto em 2025 pelo Governo de Sergipe.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória: templo mais antigo de Sergipe, erguido em 1608. Sobreviveu à invasão holandesa e foi elevado a Santuário em 2023.
- Igreja do Rosário dos Homens Pretos: fundada em 1746 por negros escravizados, carrega séculos de resistência em sua arquitetura.
- Parque Natural Bica dos Pintos: área verde com nascentes de água natural, pausa refrescante entre os passeios históricos.
Biscoito suíço e queijada de senzala: os sabores que só existem aqui
A gastronomia sancristovense gira em torno de receitas que cruzaram oceanos e ganharam sabor local. Duas iguarias carregam o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe.
- Bricelet: biscoito fino e crocante de origem suíça, trazido por freiras beneditinas que viveram na antiga Santa Casa. Leva farinha de trigo, ovos e suco de laranja. Fora de São Cristóvão, só na Suíça. A Prefeitura de São Cristóvão oficializou o reconhecimento em 2021.
- Queijada: apesar do nome, não leva queijo. Criada por pessoas escravizadas que substituíram o ingrediente por coco, abundante na região. A Casa da Queijada, na Praça da Matriz, mantém a receita há quatro gerações.
- Beijú: herança indígena feita com farinha de tapioca e coco, vendido na Casa do Beijú, no centro histórico.

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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima é tropical litorâneo, quente o ano inteiro. As chuvas se concentram no meio do ano, mas o calor persiste em todas as estações.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade histórica saindo de Aracaju?
São Cristóvão fica a 25 km de Aracaju, cerca de 30 minutos de carro. Micro-ônibus partem da Rodoviária Velha da capital com destino ao centro histórico e param na Praça São Francisco. Uma corrida de aplicativo a partir da Orla de Atalaia custa em torno de R$ 40.
Conheça a cidade onde o tempo parou em pedra e fé
São Cristóvão reúne, em poucas quadras, o que poucos destinos brasileiros conseguem oferecer: um patrimônio reconhecido pelo mundo, sabores centenários e a surpresa de um Cristo Redentor que veio antes de todos.
Você precisa subir a ladeira, provar um bricelet ainda morno e sentir por que a cidade mãe de Sergipe continua de braços abertos.