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O “Dedo de Deus” fica nesta cidade serrana que reúne 200 km de trilhas e paisagens entre as mais impressionantes do estado
Com 200 km de caminhos para explorar.
A silhueta do Dedo de Deus surge entre as montanhas enquanto a estrada da BR-116 avança pela serra em direção a Teresópolis. Situada a 871 metros de altitude, a cidade ocupa o posto de município mais alto do estado do Rio de Janeiro e recebeu dois reconhecimentos nacionais: Capital Nacional do Montanhismo e Capital Nacional do Lúpulo.
A conquista que colocou a cidade no mapa do montanhismo
A origem do nome Teresópolis está ligada à imperatriz Teresa Cristina, que costumava procurar o clima serrano para escapar das temperaturas elevadas da capital. Petrópolis, cidade vizinha, homenageia Pedro, seu marido, e as duas localidades continuam atraindo visitantes interessados nas paisagens e no clima da região. Teresópolis tornou-se município independente em 1891, mas um episódio de 1912 consolidou sua ligação com o montanhismo: naquele ano, cinco moradores conseguiram chegar ao topo do Dedo de Deus, pico rochoso de 1.692 metros que alpinistas estrangeiros julgavam impossível de escalar.
A ascensão entrou para a história como o ponto de partida do montanhismo organizado no Brasil. Mais de um século depois, Teresópolis continua recebendo escaladores de diferentes países e mantém uma estrutura voltada à atividade, com escolas especializadas, guias certificados e estabelecimentos dedicados à venda de equipamentos para quem explora as montanhas.

O que explorar no Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Administrado pelo ICMBio, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO) protege mais de 20 mil hectares de Mata Atlântica e recebe anualmente mais de 200 mil visitantes. A rede de trilhas ultrapassa 200 km e inclui desde percursos tranquilos até rotas que exigem experiência em escalada.
- Trilha Cartão Postal (dificuldade média, cerca de 2h ida e volta): termina em um mirante de onde o Dedo de Deus se destaca acima das nuvens.
- Trilha Suspensa (dificuldade baixa): percorre passarelas de madeira instaladas entre 1 e 8 metros acima do solo, junto à copa das árvores. O trajeto é acessível a cadeirantes.
- Travessia Petrópolis–Teresópolis (30 km, 3 dias): cruza vales, rios e cumes de montanha em um percurso considerado um dos mais bonitos do país.
- Pedra do Sino (2.275 m): ponto culminante do parque, oferece uma vista ampla da região e pode revelar a Baía de Guanabara quando o tempo está aberto.
- Piscinas naturais: localizados na sede do parque, os poços formados pelo curso do rio permitem um mergulho refrescante depois da caminhada, embora a água continue gelada até nos dias quentes.
Onde encontrar belas paisagens sem enfrentar uma subida difícil
As montanhas de Teresópolis também podem ser admiradas por quem prefere passeios curtos e acessíveis. Há pontos de observação que permitem contemplar os paredões rochosos sem precisar encarar uma trilha extensa.
Às margens da BR-116, o Mirante do Soberbo oferece acesso gratuito e uma vista privilegiada do Dedo de Deus, do Escalavrado e do Dedo de Nossa Senhora. Quando a visibilidade ajuda, também é possível avistar o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara ao longe. Outra opção é o Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis, onde caminhos de menor dificuldade conduzem à Pedra da Tartaruga. O espaço funciona diariamente, das 9h às 16h.
A tradição cervejeira da Capital Nacional do Lúpulo
Desde 2022, Teresópolis ostenta oficialmente o título de Capital Nacional do Lúpulo e faz parte da Rota Cervejeira RJ, circuito que conecta mais de 20 cervejarias distribuídas por cinco municípios da serra fluminense. No bairro do Alto, estabelecimentos como Villa St. Gallen e Mad Brew recebem visitantes para tours e degustações. A história local da cerveja começou ainda em 1912, quando o dinamarquês Alfredo Claussen lançou a marca Therezópolis, uma das mais antigas da região.
Nos fins de semana, a Feirinha do Alto acrescenta outra parada ao roteiro. Centenas de barracas vendem artesanato, peças de lã e comidas de rua, atraindo tanto moradores quanto turistas. O espaço se tornou um dos pontos tradicionais para passear, fazer compras e experimentar os sabores da cidade.

Outras experiências para aproveitar além dos picos
Fora das trilhas, Teresópolis também oferece passeios ligados ao esporte e à gastronomia. A Granja Comary, complexo de treinamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), reúne um lago artificial e paisagens voltadas para as montanhas. A entrada de visitantes é permitida quando não há períodos de concentração da Seleção. Já a Cremerie Genève, instalada em uma propriedade rural entre Teresópolis e Nova Friburgo, combina a produção artesanal de queijo de cabra com um bistrô de inspiração francesa. Para completar o roteiro, sítios e fazendas da região promovem atividades de turismo rural, como cavalgadas, colheita de produtos orgânicos e cafés coloniais em meio aos vales serranos.
Quando subir a serra
O clima tropical de altitude garante verões úmidos e invernos secos. O inverno é a alta temporada, ideal para trilhas e lareiras. No verão, chuvas frequentes pedem atenção em trilhas de altitude.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme a altitude.

Como chegar à capital do montanhismo
A partir do Rio de Janeiro, são 90 km até Teresópolis pela BR-116, percurso que leva cerca de 1h40 em condições normais de trânsito. A Rodoviária Novo Rio oferece ônibus para a cidade em intervalos próximos de uma hora. Para quem chega de avião, o Galeão fica a 88 km. Já o trajeto desde Petrópolis segue pela BR-485, em um percurso de 58 km por uma estrada panorâmica que conecta as duas cidades serranas. Nas tardes de sexta-feira, vale evitar a subida, período em que o fluxo de veículos costuma provocar congestionamentos na serra.
Uma serra que se escala e se saboreia
Teresópolis reúne desafios de montanhismo e o aconchego de uma cidade pequena em um mesmo destino. Entre a trilha mais exigente do estado e a cervejaria artesanal mais antiga da serra, há experiências para preencher um fim de semana a menos de duas horas da capital.
O caminho pela BR-116 já faz parte do passeio. Pare no Mirante do Soberbo, contemple o Dedo de Deus e entenda por que tanta gente se encanta com essa serra e sente vontade de voltar.