O maior iceberg do mundo, quase 3x maior que São Paulo, se soltou do fundo do mar e voltou a vagar após 30 anos no Oceano Antártico ao se desprender e entrar na rota marinha - Super Rádio Tupi
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O maior iceberg do mundo, quase 3x maior que São Paulo, se soltou do fundo do mar e voltou a vagar após 30 anos no Oceano Antártico ao se desprender e entrar na rota marinha

Um gigante de gelo desaparece lentamente e deixa para trás condições favoráveis à vida no oceano.

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Uma ilha de gelo maior que São Paulo vagando pelo mar, não é só um recorde curioso. / Imagem ilustrativa

Imagine um bloco de gelo quase três vezes maior que a cidade de São Paulo navegando pelo oceano. É o A23a, o maior iceberg do mundo, que passou mais de 30 anos preso no fundo do mar da Antártida, voltou a vagar e agora, depois de uma longa jornada, encontra seu fim derretendo em águas mais quentes.

Por que um iceberg desse tamanho fascina tanta gente?

Primeiro, pela escala. O A23a chegou a ter cerca de 3.900 km² de área, quase o triplo da capital paulista, e espessura de uns 400 metros. É menos um “pedaço de gelo” e mais uma ilha flutuante com arcos, cavernas e paredões esculpidos pelo mar.

Segundo, pela história. Ele não é novo: desprendeu-se da plataforma de gelo Filchner-Ronne lá em 1986. Logo depois, encalhou no fundo do Mar de Weddell e ali ficou parado por mais de três décadas, como um gigante adormecido preso ao leito do oceano.

O maior iceberg do planeta terminando sua longa viagem não como um desastre, mas como combustível para a vida que floresce na água atrás dele. / Imagem ilustrativa

Como ele ficou preso por mais de 30 anos?

O que segurou o A23a foi o próprio peso. Com uma espessura enorme, a base do iceberg encostou no fundo raso do mar e ancorou ali, como um navio encalhado. Enquanto foi grande e pesado demais, não teve como se soltar.

O que mudou esse quadro:

1
Encalhou pelo peso A base profunda tocou o leito raso do Mar de Weddell e travou ali.
2
Encolheu com o tempo Aos poucos, perdeu massa suficiente para afrouxar o encaixe no fundo.
3
Voltou a se mover Por volta de 2020 começou a deslizar, e em 2023 saiu do Mar de Weddell.

Por que a jornada dele teve tantas reviravoltas?

Porque soltar não foi o fim da aventura. Depois de décadas parado, o A23a entrou numa rota marinha cheia de percalços, sendo empurrado pelas correntes e até ficando preso de novo no caminho. Veja os principais momentos:

Fase O que aconteceu Situação
1986 O começo Desprendeu-se da Antártida e logo encalhou no Mar de Weddell. Preso
2020 a 2023 A soltura Encolheu, soltou do fundo e saiu do Mar de Weddell. Em movimento
2024 O obstáculo Ficou girando preso num vórtice de água por meses, depois soltou. Rodopiando
2025 O destino Encalhou perto da Geórgia do Sul e começou a se desintegrar. Derretendo

Por que cientistas comemoram esse derretimento?

Parece contraditório, mas o fim do iceberg alimenta a vida no oceano. Enquanto se arrastava pelo fundo, o A23a acumulou minerais, e ao derreter ele devolve esses nutrientes à água, principalmente ferro e nitrogênio, que são escassos em boa parte do mar.

O que esses nutrientes provocam:

  • Alimentam o fitoplâncton, as algas microscópicas que estão na base da cadeia alimentar marinha.
  • Esse plâncton, por sua vez, sustenta peixes, aves e até baleias da região.
  • Áreas pouco produtivas do oceano podem virar focos de vida na esteira do iceberg.

Por isso pesquisadores acompanham o A23a de perto. Segundo o levantamento científico da Antártida britânica, esses gigantes de gelo podem transformar trechos pobres do mar em ecossistemas cheios de vida ao passar por eles.

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O que a história do A23a nos ensina?

Que até um bloco de gelo tem uma trajetória, com começo, obstáculos e fim. Ele nasceu de um pedaço da Antártida, ficou décadas imóvel, enfim se libertou, enfrentou correntes e vórtices, e agora se desfaz devolvendo à natureza o que carregava.

Então aquela imagem do começo, uma ilha de gelo maior que São Paulo vagando pelo mar, não é só um recorde curioso. É o retrato de um ciclo natural: o maior iceberg do planeta terminando sua longa viagem não como um desastre, mas como combustível para a vida que floresce na água atrás dele. Este texto é informativo e baseado no acompanhamento científico do iceberg.

💡 Curiosidade O nome A23a segue um código: a letra indica o setor da Antártida onde o iceberg se formou, e o número é a ordem em que foi catalogado, por isso cada gigante de gelo tem uma “placa” própria.