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O motivo de certas plantas dispararem no crescimento logo após tempestades

Água, nutrientes e estímulos naturais se combinam após a chuva

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O motivo de certas plantas dispararem no crescimento logo após tempestades
Chuvas fortes aumentam a disponibilidade de água no solo facilitando a absorção de nutrientes

Em diferentes regiões do mundo, moradores costumam comentar que determinadas plantas “disparam” no crescimento depois de uma boa tempestade. Esse fenômeno chama a atenção porque parece fugir à rotina do dia a dia da jardinagem e do cultivo agrícola, mas pode ser explicado por uma combinação de fatores físicos, químicos e biológicos que se intensificam durante chuvas fortes, trovoadas e mudanças bruscas de clima.

Por que algumas plantas crescem mais rápido após tempestades?

Em vez de representar apenas um evento climático passageiro, a tempestade funciona como um pacote completo de estímulos para as plantas. Chega água em grande volume, o ar se renova, a temperatura baixa um pouco e o solo é “revirado” por ventos e enxurradas. Somados, esses elementos criam um ambiente propício para que raízes, folhas e caules respondam com maior vigor, manifestando um crescimento perceptível em poucos dias.

A principal explicação para o crescimento acelerado de algumas espécies após tempestades está ligada à maior disponibilidade de nutrientes e à qualidade da água da chuva. Diferentemente da água encanada, que pode conter resíduos de tratamento, a água de chuva costuma ser mais “leve” para o sistema radicular, além de carregar partículas do ar e do solo que enriquecem a superfície onde as raízes se alimentam.

O motivo de certas plantas dispararem no crescimento logo após tempestades
O que a tempestade traz que faz certas plantas crescerem tão rápido

Como o nitrogênio dos relâmpagos favorece o desenvolvimento das plantas?

Durante descargas elétricas, como relâmpagos, parte do nitrogênio presente na atmosfera é transformada em compostos reativos que podem ser incorporados pela água da chuva. Esse nutriente é essencial para o desenvolvimento vegetal, pois participa diretamente da formação de proteínas, clorofila e novos tecidos, o que explica o crescimento mais intenso observado após tempestades.

O processo não acontece de forma isolada: a chuva transporta esses compostos para o solo, onde microrganismos os convertem em formas assimiláveis pelas raízes. Assim, após uma sequência de tempestades, muitas plantas encontram um verdadeiro “banquete” de nitrogênio disponível, otimizando a fotossíntese e a produção de biomassa em curto período.

Como a água da chuva e o solo influenciam esse crescimento acelerado?

A água da chuva costuma infiltrar-se com maior profundidade no solo, alcançando camadas onde as raízes ainda não tinham acesso pleno. Essa infiltração favorece principalmente espécies com raízes mais profundas, que passam a explorar novos espaços, encontrando reservas de minerais antes pouco acessíveis e aumentando a absorção de água e sais minerais.

Além disso, tempestades podem provocar aeração do solo, ajudando a reorganizar partículas de terra e abrir pequenos espaços por onde o ar circula melhor. Para entender de forma objetiva como essas mudanças físicas beneficiam o sistema radicular das plantas, é possível destacar alguns efeitos comuns observados após chuvas intensas:

  • Maior penetração da água em camadas profundas, ampliando o volume de solo explorado.
  • Reorganização das partículas do solo, reduzindo a compactação excessiva.
  • Melhor circulação de ar na região das raízes, favorecendo a respiração radicular.
  • Lavagem de sais em excesso na superfície, em alguns casos, evitando estresse salino.

Qual é o papel da temperatura, da umidade e das trovoadas nesse processo?

Tempestades costumam vir acompanhadas de queda de temperatura e aumento da umidade relativa do ar, criando condições mais amenas para a fotossíntese. Em ambientes menos quentes e mais úmidos, a planta reduz a perda de água pelas folhas, processo conhecido como transpiração, e consegue direcionar mais energia para o crescimento de novos brotos, raízes e estruturas reprodutivas.

As descargas elétricas alteram ainda a composição química do ar, facilitando a formação de compostos nitrogenados que se incorporam ao ciclo de nutrientes do ecossistema. Em sequência, a chuva carrega parte desses compostos para o solo, microrganismos do solo os transformam em nutrientes assimiláveis e, por fim, as plantas utilizam esse nitrogênio para formar novos tecidos e intensificar o crescimento em poucos dias.

Há momentos em que a natureza responde rápido depois de mudanças no clima.
Neste vídeo do canal Cantinho de casa, que soma mais de 2.9 milhões de inscritos e ultrapassa 14 mil de visualizações, esse crescimento acelerado aparece de forma natural:

Por que algumas espécies reagem mais às tempestades do que outras?

Nem todas as plantas respondem da mesma maneira às tempestades, pois cada espécie possui adaptações ao ambiente em que evoluiu. Espécies típicas de florestas tropicais e regiões de clima monçônico tendem a aproveitar de forma mais intensa cada período chuvoso, enquanto plantas adaptadas a ambientes secos ou estáveis apresentam reação mais discreta e crescimento mais contido.

Também há diferença na forma como as raízes se comportam diante da maior infiltração de água e da melhor aeração do solo. Plantas com sistemas radiculares extensos ou profundos conseguem aproveitar melhor os novos espaços e nutrientes, enquanto espécies mantidas em vasos muito pequenos ou em solos excessivamente compactados podem não apresentar o mesmo ganho de crescimento por limitações físicas e de circulação de ar no substrato.

Quais cuidados práticos adotar com as plantas após temporais fortes?

Após tempestades, é comum que parte dos nutrientes seja lavada das camadas superficiais do solo, principalmente em áreas inclinadas ou sem proteção. Por isso, muitos cultivadores observam bons resultados ao combinar chuvas fortes com práticas de manejo, como cobertura morta, terraceamento leve e uso de compostos orgânicos que ajudam a reter nutrientes e reduzir erosão.

Outra medida importante é observar como cada espécie reage a eventos climáticos intensos, identificando tanto o potencial de crescimento quanto os riscos de encharcamento, quebra de galhos ou surgimento de fungos. Entender os motivos de certas plantas crescerem mais rápido após tempestades ajuda a ajustar a drenagem, escolher o local de plantio e monitorar o solo, garantindo que o excesso de água não cause apodrecimento de raízes nem problemas sanitários ao cultivo.