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O pedaço da Europa no Brasil que atrai milhões de turistas com Natal Luz e o primeiro parque de neve das Américas
Sem precisar sair do Brasil!
A história de Gramado começa muito antes dos hotéis, das lojas de chocolate e dos eventos que atraem visitantes durante o ano inteiro. No século XIX, a área servia como parada para tropeiros que conduziam rebanhos pelos campos de cima da serra. Um trecho coberto por grama verde e macia, usado pelo gado para descansar, teria inspirado o nome do lugar, segundo historiadores locais. A chegada dos imigrantes portugueses ocorreu em 1875; cinco anos depois, vieram os alemães, seguidos pelos italianos de Caxias do Sul, no início do século XX.
As diferentes influências deixaram marcas na arquitetura, na gastronomia e nos costumes locais. Construções em estilo enxaimel convivem com cantinas italianas e churrascarias gaúchas, compondo uma paisagem que ajuda a explicar a identidade da cidade. A emancipação ocorreu em 15 de dezembro de 1954, quando a Lei 2.522 oficializou o desmembramento de Taquara. O turismo, porém, ainda levaria algumas décadas para se tornar a principal vocação econômica: até os anos 1980, a Serra Gaúcha recebia visitantes sobretudo durante o inverno, enquanto os meses restantes tinham movimento reduzido. Era preciso criar atrações capazes de manter Gramado no roteiro dos viajantes ao longo de todo o ano.

O Natal Luz que começou com uma procissão e 700 cantores
O motivo apareceu em 26 de dezembro de 1986. Inspirada em celebrações natalinas da Alemanha, a prefeitura organizou um caminho iluminado entre o Lago Joaquina Rita Bier e a Igreja Matriz São Pedro. Mais de 700 cantores e 20 Papais Noéis saíram em procissão naquela noite. Era o primeiro Natal Luz. Em 2025, o evento completou quatro décadas e se consolidou como o maior espetáculo natalino do Brasil, com shows de luzes, desfiles, cantatas e espetáculos que duram de outubro a janeiro.
A fórmula resolveu o problema da sazonalidade. O Natal Luz atrai milhões de visitantes na primavera e no verão, períodos que antes eram baixa temporada. A cidade inteira se transforma: ruas ganham iluminação temática, a Rua Torta vira cenário de conto de fadas e o Lago Negro reflete as luzes entre pinheiros trazidos da Alemanha.
O que fazer em Gramado além do Natal?
Gramado funciona o ano inteiro. As atrações cobrem parques temáticos, natureza, gastronomia e cultura.
- Snowland: primeiro parque de neve indoor das Américas, com pista de esqui, snowboard e montanha de neve artificial. Temperatura interna de -5°C.
- Mini Mundo: parque ao ar livre com réplicas em miniatura de construções famosas de diversos países. Funciona desde 1983.
- Lago Negro: cercado por pinheiros e hortênsias, com pedalinhos e trilha curta. Um dos cartões-postais mais fotografados da serra.
- Rua Coberta: galeria com telhado de vidro que reúne restaurantes, cafés e lojas de artesanato. Ponto de encontro nos dias frios e chuvosos.
- Le Jardin Parque de Lavanda: campos roxos com aroma relaxante e produtos artesanais de lavanda.
- Museu de Cera Dreamland e Harley Motor Show: entretenimento para quem busca curiosidades e fotografia temática.

Por que o Kikito se tornou um dos símbolos de Gramado?
A cada agosto, os holofotes do cinema brasileiro se voltam para Gramado, sede do Festival de Cinema de Gramado, considerado o mais tradicional do Brasil. Os vencedores recebem o Kikito, uma estatueta de bronze inspirada em uma figura indígena esculpida. Durante uma semana, a programação reúne lançamentos, conversas sobre cinema e homenagens, enquanto diretores, atores e profissionais do setor circulam pela cidade.
O calendário de eventos segue movimentado nos outros meses. Entre junho e agosto, o frio e as geadas criam o cenário procurado por casais que escolhem restaurantes com fondue para aproveitar as noites de inverno. Na Páscoa, a Avenida Borges de Medeiros ganha vitrines decoradas e concentra parte das atrações ligadas ao chocolate artesanal, com marcas tradicionais como Prawer e Lugano entre os destaques.
Quais sabores representam a gastronomia da Serra Gaúcha?
A mesa de Gramado reúne receitas trazidas por imigrantes alemães e italianos, além de pratos ligados à tradição gaúcha. Uma das experiências mais conhecidas é o café colonial, servido em mesas com dezenas de opções, que podem ultrapassar 80 itens. Cucas, geleias, bolos, queijos, embutidos, pães caseiros e suco de uva compõem a refeição. Nas noites de temperaturas baixas, a sequência de fondue, com versões de queijo, carne e chocolate, também se tornou um programa clássico. Já o galeto al primo canto e o churrasco gaúcho aparecem entre as escolhas tradicionais dos restaurantes.
A produção de chocolate artesanal também faz parte da identidade gastronômica local. As chocolaterias oferecem desde trufas e bombons até barras elaboradas com cacau de origem controlada. Em algumas fábricas, os visitantes podem acompanhar etapas da fabricação em visitas guiadas e provar os produtos ao final do percurso, transformando a compra de chocolates em parte do passeio pela cidade.

Quando ir a Gramado e como é o clima na serra?
O clima é temperado, com verões amenos e invernos que podem registrar temperaturas negativas. Neve não acontece todo ano, mas geada é frequente entre junho e agosto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à serra mais visitada do Brasil
Gramado fica a 115 km de Porto Alegre, cerca de 2 horas de carro. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul, a 65 km. O Salgado Filho, em Porto Alegre, a 120 km, recebe voos de todo o Brasil. Transfers, ônibus e carros de aplicativo conectam os aeroportos à serra. Canela fica a 8 km e pode ser visitada no mesmo dia, com a Cascata do Caracol (131 metros de queda) como atração principal.
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Vista o casaco e entre na cidade que inventou o Natal brasileiro
Gramado é a cidade que transformou o frio em produto, o chocolate em cultura, o cinema em troféu e o Natal em espetáculo de quatro meses. A serra que era vazia no verão hoje recebe 6 milhões de pessoas por ano, e mesmo assim mantém ruas limpas, faixas de pedestre respeitadas e um charme alpino que não se encontra em nenhum outro lugar do Brasil.
Você precisa ir a Gramado pelo menos uma vez, caminhar pela Rua Torta quando as luzes acendem, pedir um fondue de chocolate num dia de geada e entender por que uma cidadezinha gaúcha fundada por tropeiros virou o destino de inverno mais famoso do país.