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O que faz certas árvores resistirem a ventanias enquanto outras caem facilmente
Flexibilidade, raízes e formato ajudam a explicar essa resistência natural
Entre as muitas curiosidades da natureza, uma das que mais chama atenção é a forma como certas árvores conseguem suportar ventos fortes sem tombar ou se partir. Em tempestades intensas, é possível observar algumas espécies balançando de um lado para o outro e, mesmo assim, permanecendo firmes no solo, graças a características físicas, adaptações ao ambiente e estratégias de sobrevivência desenvolvidas ao longo de muitos anos.
Por que algumas árvores resistem melhor a ventos fortes
A resistência das árvores aos ventos não depende de um único fator, mas da combinação entre flexibilidade e estabilidade. Em vez de enfrentar o vento de forma rígida, muitas espécies se curvam e balançam, dissipando a energia das rajadas sem quebrar o tronco ou arrancar as raízes.
Altura, tipo de madeira, formato da copa, profundidade das raízes e condições do solo atuam em conjunto para definir o quanto uma árvore suporta tempestades. O histórico de exposição a ventos da região também funciona como um “treinamento” natural, influenciando a forma como as árvores crescem e se organizam na paisagem.

Quais características estruturais aumentam a resistência ao vento
Árvores com troncos mais elásticos e copas aerodinâmicas tendem a sofrer menos danos em temporais. Em locais com ventos frequentes, como regiões litorâneas, é comum que cresçam mais inclinadas e com copas assimétricas, ajustadas à direção predominante das rajadas para reduzir a área de impacto do ar.
Além disso, tanto a parte visível quanto a parte subterrânea da planta contribuem para a resistência ao vento. O solo, o tipo de madeira e a arquitetura da copa criam, juntos, um sistema de ancoragem e amortecimento que explica por que algumas árvores permanecem de pé mesmo sob rajadas intensas:
- Sistema radicular profundo ou amplo: raízes que penetram em maior profundidade ou se espalham horizontalmente aumentam a ancoragem da árvore no solo.
- Madeira mais densa e resistente: espécies com fibras lenhosas compactas rompem menos sob esforços mecânicos repetidos.
- Copa menos densa: galhos mais espaçados permitem a passagem do ar, reduzindo a pressão sobre o tronco e os ramos principais.
- Tronco flexível: certo grau de elasticidade evita que a madeira se quebre quando submetida a movimentos contínuos causados pelo vento.
Como as árvores se adaptam ao vento ao longo do tempo
A forma como as árvores interagem com o vento revela um processo de aclimatação e seleção ao longo dos anos. Em regiões ventosas, indivíduos jovens que não desenvolvem estruturas adequadas tendem a tombar ou partir, enquanto os mais adaptados sobrevivem e deixam descendentes com características semelhantes.
Com o passar das gerações, algumas espécies se destacam pela alta resistência ao vento, o que se torna uma vantagem evolutiva clara. Em costas litorâneas, por exemplo, são comuns árvores com copas em forma de bandeira, sempre voltadas para o lado oposto ao vento predominante, simbolizando como a natureza ajusta formas e estruturas para garantir a sobrevivência.
Em dias de vento forte, algumas árvores balançam bastante e ainda assim permanecem firmes, sem quebrar. Esse comportamento chama atenção de quem observa áreas verdes e quintais.
Neste vídeo do canal Canal Descomplicado, com mais de 39 mil de inscritos e cerca de 34 mil visualizações, essa cena comum da natureza aparece em registros que despertam curiosidade:
De que forma a ação humana influencia a resistência das árvores ao vento
A intervenção humana pode reforçar ou comprometer a capacidade das árvores de enfrentar ventos fortes. Manejos inadequados, como podas mal planejadas ou obras muito próximas às raízes, enfraquecem estruturas que a natureza levou anos para construir e aumentam o risco de queda durante tempestades.
Por outro lado, o planejamento do paisagismo urbano e rural, com escolha correta de espécies e técnicas de manejo, contribui para copas equilibradas e troncos saudáveis. Entre os principais fatores humanos que influenciam a resistência das árvores aos ventos intensos, destacam-se:
- Escolha da espécie: plantar árvores sensíveis ao vento em áreas muito abertas amplia a chance de danos em temporais.
- Podas mal planejadas: cortes excessivos ou concentrados em um lado da copa alteram o centro de gravidade da árvore.
- Compactação do solo: trânsito de veículos e construções próximas às raízes reduzem a capacidade de ancoragem.
- Retirada de árvores de proteção: eliminar barreiras naturais, como fileiras de árvores, expõe exemplares isolados a ventos mais fortes.
O que a resistência das árvores ao vento revela sobre equilíbrio na natureza
A capacidade de algumas árvores permanecerem de pé sob ventos fortes mostra como a natureza busca equilíbrio entre força e flexibilidade. Em vez de apostar apenas na rigidez, muitas espécies combinam troncos firmes com a possibilidade de se curvar, distribuindo esforços entre copa, tronco e raízes.
Observar esse comportamento em florestas e áreas urbanas ajuda a compreender melhor a relação entre clima, solo, espécies vegetais e intervenção humana. Essa curiosidade da natureza se transforma em oportunidade para estudar, planejar e conviver com as árvores de forma mais segura e consciente, especialmente em um período de aumento de eventos climáticos extremos até 2026.