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O que o calor excessivo faz com o solo e por que as plantas sofrem

Temperatura alta altera umidade, vida e estrutura do solo

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O que o calor excessivo faz com o solo e por que as plantas sofrem
O calor intenso provoca rápida perda de umidade do solo

Quando o calor é excessivo, o solo passa por transformações físicas, químicas e biológicas que nem sempre são visíveis a olho nu. Em períodos de ondas de calor, cada vez mais frequentes até 2025, a terra pode perder água rapidamente, alterar sua estrutura e afetar desde microrganismos até grandes plantas, aumentando o risco de erosão, compactação e até desertificação.

O que o calor excessivo faz com a água e a estrutura do solo?

O efeito mais imediato do calor excessivo no solo é a evaporação acelerada da água. À medida que a temperatura aumenta, a superfície seca mais rápido e a umidade das camadas mais profundas sobe em direção ao topo, evaporando em seguida e deixando o solo endurecido.

Esse movimento constante pode provocar rachaduras visíveis e reduzir a capacidade de infiltração da água em chuvas futuras. Em muitos casos, forma-se uma crosta superficial que dificulta o crescimento das raízes e favorece o escoamento superficial, intensificando processos de erosão.

O que o calor excessivo faz com o solo e por que as plantas sofrem
O calor extremo muda a estrutura do solo e impacta o crescimento

Como o calor altera a matéria orgânica e os nutrientes do solo?

Outro resultado importante é a alteração da matéria orgânica presente no solo. Sob altas temperaturas, resíduos de folhas, raízes e organismos se decompõem mais rapidamente, liberando nutrientes em um ritmo que nem sempre é aproveitado pelas plantas naquele momento.

Se a perda de umidade for muito grande, a decomposição diminui, porque os microrganismos que fazem esse trabalho necessitam de água para sobreviver. Assim, o solo pode ficar pobre, mesmo tendo recebido matéria orgânica, e alguns nutrientes podem ser perdidos por lixiviação quando a chuva chega após um período muito seco.

De que forma o calor excessivo afeta a vida no solo?

A vida subterrânea é diretamente afetada pelas temperaturas elevadas. Insetos, fungos, bactérias e outros organismos do solo têm faixas de temperatura ideais para se desenvolver e, quando o calor ultrapassa esses limites, muitos migram para camadas mais profundas ou não resistem.

Essa redução da biodiversidade interfere em processos essenciais, como a reciclagem de nutrientes e a formação de agregados estáveis. As raízes finas, responsáveis pela absorção de água e minerais, podem morrer em solos muito quentes e secos, reduzindo a capacidade da planta de se alimentar e aumentando o risco de murcha e queda de produtividade agrícola.

O solo pode literalmente “cozinhar” em ondas de calor?

Em situações extremas, alguns solos podem alcançar temperaturas tão altas na superfície que parecem estar “cozinhando”. Em áreas expostas, sem cobertura vegetal, sensores já registraram temperaturas acima de 60 °C na camada superficial em dias de sol forte.

Nessas condições, sementes próximas à superfície podem perder o poder de germinação, e pequenos organismos têm dificuldade para se manter ativos. O aquecimento intenso também acelera transformações químicas, convertendo compostos orgânicos em formas minerais e favorecendo a perda de nutrientes, sobretudo em solos arenosos e pouco protegidos.

Quando o calor se prolonga, o solo começa a reagir de formas que nem sempre percebemos.
Neste vídeo do canal Portal Drauzio, com mais de 933 mil de inscritos e cerca de 1.5 mil visualizações, essa mudança no ambiente chama atenção:

@portaldrauziovarella O que fazer quando a sensação térmica é de estar igual um frango dentro da air fryer? 🥵🌡 #sensacaotermica #calor #drauziovarella ♬ som original – Portal Drauzio

Quais efeitos visíveis indicam que o solo sofre com calor extremo?

Alguns sinais podem ser observados sem equipamentos especiais e funcionam como alerta de que o solo está em estresse térmico e hídrico. Eles mostram perda de estrutura, diminuição da matéria orgânica e redução da capacidade de manter a vida em equilíbrio.

  • Rachaduras largas na superfície da terra;
  • Solo com aparência esbranquiçada ou acinzentada, por perda de matéria orgânica;
  • Dificuldade para enfiar ferramentas, indicando endurecimento e compactação;
  • Acúmulo de poeira fina, facilmente levada pelo vento;
  • Plantas com crescimento reduzido, murcha frequente ou folhas queimadas.

Como a natureza e o manejo humano ajudam o solo a lidar com o calor?

A própria natureza desenvolve mecanismos de adaptação ao calor intenso. Em muitos biomas surgem plantas com raízes profundas, capazes de buscar água em camadas mais baixas, folhas menores que perdem menos água por transpiração e espécies que entram em dormência na estação mais quente.

Práticas humanas de manejo procuram imitar essa proteção natural para preservar fertilidade, umidade e vida no solo. Entre as estratégias mais comuns para reduzir os impactos do calor estão:

  1. Manter cobertura vegetal, com gramíneas, arbustos ou culturas de cobertura para sombreamento;
  2. Utilizar cobertura morta (palhada, folhas secas, restos de poda) para reduzir evaporação;
  3. Evitar revolvimento excessivo da terra, que expõe as camadas internas ao sol direto;
  4. Planejar a irrigação em horários mais frescos, diminuindo perdas por evaporação.