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O segredo geológico de 300 milhões de anos que poucos brasileiros conhecem no Paraná
O que existe no Paraná começou a se formar há 300 milhões de anos e ainda surpreende cientistas.
Há centenas de milhões de anos, quando os continentes ainda formavam uma única massa terrestre e a região sul do Brasil estava próxima das áreas polares do planeta, começaram a surgir as formações rochosas que hoje fazem de Ponta Grossa um dos destinos geológicos mais impressionantes do país. Localizada a cerca de 114 quilômetros de Curitiba, no Paraná, a cidade reúne paisagens esculpidas pela ação do vento e da chuva ao longo do tempo, além de furnas, cachoeiras e áreas naturais que transformaram os Campos Gerais em uma referência do turismo paranaense.
A origem de Ponta Grossa e o episódio que marcou a história do Brasil
O nome de Ponta Grossa surgiu ainda nos tempos dos tropeiros que cruzavam os Campos Gerais transportando mercadorias e rebanhos entre o Sul e o Sudeste do país. De longe, eles identificavam uma grande elevação coberta por vegetação e passaram a usar o local como referência durante as viagens. Com o crescimento do povoado ao redor de uma capela dedicada a Sant’Ana, a região se desenvolveu até se tornar uma das cidades mais importantes do interior paranaense.
Além de sua relevância econômica e cultural, Ponta Grossa também teve participação em um dos momentos decisivos da história brasileira. Em outubro de 1930, tropas lideradas por Getúlio Vargas passaram pela cidade durante a revolução que mudou os rumos políticos do país. Segundo registros históricos, foi ali que Vargas recebeu informações decisivas antes de seguir viagem rumo à então capital federal. O episódio fortaleceu o papel histórico do município e ajudou a consolidar o título de Capital Cívica do Paraná.

O que visitar no parque de 300 milhões de anos?
O Parque Estadual de Vila Velha, criado em 1953, é a principal atração de Ponta Grossa e uma das formações geológicas mais impressionantes do Brasil. A área de mais de 3 mil hectares reúne três atrações conectadas por transporte interno.
- Arenitos: grãos de areia compactados há 300 milhões de anos, esculpidos pelo vento e pela chuva em formas que lembram taça, camelo, garrafa, índio e proa de navio. A trilha principal tem 2,5 km e leva cerca de duas horas.
- Furnas: cavernas verticais formadas há 400 milhões de anos, com vegetação exuberante e água de lençol subterrâneo no fundo. Três das seis furnas estão abertas à visitação.
- Lagoa Dourada: furna em “estado terminal” que se transformou em lagoa de águas cristalinas. O nome vem da coloração dourada que a superfície ganha ao refletir o sol no fim da tarde.
O parque oferece ainda cicloturismo (22 km de trilha autoguiada), caminhada noturna com astrônomo no último sábado de cada mês, passeio de balão e arvorismo. Foi o primeiro parque do Paraná a obter o certificado Aterro Zero, reciclando 100% dos resíduos.
Cachoeiras e furnas além de Vila Velha
Ponta Grossa tem atrações naturais espalhadas pelo interior do município, a maioria acessível por estradas de terra a menos de 40 km do centro.
- Buraco do Padre: anfiteatro subterrâneo com cachoeira de 30 metros formada pelo Rio Quebra Perna. A trilha de 1 km é acessível para cadeirantes. Fica dentro do Parque Nacional dos Campos Gerais.
- Cachoeira da Mariquinha: queda de 30 metros com banco de areia ao redor que lembra uma prainha, cercada por formações de arenito e mata nativa.
- Cânion e Cachoeira do São Jorge: paredões de pedra ideais para rapel e cachoeira de 30 metros em meio a vegetação preservada.
- Furnas do Passo do Pupo: circuito com seis atrações naturais, incluindo Furnas Gêmeas e Furna do Anfiteatro, acessíveis por trilhas ou ciclorrota.
- Mosteiro da Ressurreição: monges beneditinos que entoam canto gregoriano em meio à natureza. A lojinha vende pães, biscoitos e vinhos artesanais.
Cerveja artesanal e a festa com chancela alemã
Ponta Grossa carrega o título de Capital Paranaense da Cerveja e tem diversas cervejarias artesanais espalhadas pela cidade. A MunchenFest, que acontece entre novembro e dezembro, é a única festa do país com chancela do Consulado da Alemanha no Sul do Brasil. São cerca de dez dias de chope, culinária alemã, danças e atrações culturais em celebração aos imigrantes que ajudaram a formar o município.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima é subtropical, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e frios. A altitude média de 975 metros garante manhãs geladas no inverno.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Princesa dos Campos Gerais?
Ponta Grossa fica a 114 km de Curitiba pela BR-376, cerca de 1h40 de carro por rodovia duplicada. O Aeroporto de Ponta Grossa (PGZ) recebe voos da Azul e Voepass com frequência limitada. Para quem chega de avião, o Aeroporto Afonso Pena (CWB), em Curitiba, oferece mais opções. Carro é recomendável para acessar as atrações naturais no interior do município.
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Onde o tempo esculpiu um museu a céu aberto
Ponta Grossa reúne em um único município arenitos de 300 milhões de anos, furnas de 400 milhões, cachoeiras de 30 metros e um festival de cerveja com selo alemão. É raro encontrar um destino que ofereça tanta profundidade geológica e tanta diversão em cima de uma mesma paisagem.
Você precisa caminhar entre os arenitos de Vila Velha, espiar o fundo das furnas e brindar com um chope artesanal na cidade que Getúlio Vargas conheceu a caminho da presidência.