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O vulcão que cospe “lava azul” à noite, esconde o maior lago ácido do planeta e fica dentro de uma antiga caldeira em uma montanha na Indonésia
Fogo azul, gases tóxicos e um lago de ácido.
Imagine subir uma montanha no escuro e ver rios de fogo azul-elétrico escorrendo pela encosta. É o que acontece no vulcão Kawah Ijen, na Indonésia, que ainda guarda no topo o maior lago altamente ácido do planeta. Mas aquele azul não é o que parece.
Aquilo é lava azul mesmo?
A cena engana quase todo mundo. Parece lava colorida descendo a montanha, e é assim que muita foto na internet vende o fenômeno. A realidade é outra, e mais curiosa.
O que brilha ali é gás. O vulcão solta gases ricos em enxofre por rachaduras no chão, e eles saem a uma pressão e temperatura altíssimas. Ao encostar no ar cheio de oxigênio, esse gás pega fogo e as chamas queimam em azul.

Por que a chama é azul e só aparece de noite?
O azul não vem do calor, e esse é o detalhe que surpreende. Vem de uma reação química específica da queima do enxofre, o elemento amarelo que dá o cheiro de ovo podre. A cor é da reação, não da temperatura.
O que está por trás desse brilho:
E esse lago ácido no topo, o que tem de especial?
No centro da cratera fica um lago de água turquesa de quase um quilômetro de largura. A cor é linda e o conteúdo é traiçoeiro: é o maior lago altamente ácido da Terra, com acidez que supera a de uma bateria de carro.
Vale ver os números que fazem dele um caso à parte:
| Característica | Detalhe | Nível |
|---|---|---|
| Acidez pH abaixo de 0,5 | Mais corrosiva que ácido de bateria, capaz de dissolver metal. | Extremo |
| Tamanho Quase 1 km de largura | O maior lago altamente ácido do planeta. | Recorde |
| Cor turquesa Metais dissolvidos | A própria acidez e os minerais pintam a água. | Enganosa |
Quem trabalha num lugar desses?
Aqui a beleza dá lugar à dureza. Todo dia, mineradores descem à cratera para arrancar enxofre à mão, cercados por fumaça tóxica. Canos direcionam o gás do vulcão, que esfria, vira líquido vermelho e endurece em blocos amarelos.
Eles quebram esses blocos com barras de ferro e sobem a encosta carregando cargas que passam de 70 quilos, muitas vezes com pouco mais que um pano no rosto. Segundo o relato registrado pela documentação do fenômeno, foi um fotógrafo que ajudou a desfazer o mito da lava azul e a mostrar a rotina desses trabalhadores.
Por que Kawah Ijen fascina tanta gente?
Talvez porque num só lugar cabem os dois extremos. O mesmo vulcão que pinta a noite de azul e guarda uma piscina turquesa esconde um dos trabalhos mais brutais que ainda existem. A imagem de sonho e a realidade pesada dividem a mesma cratera.
Da próxima vez que aparecer uma foto do “vulcão de lava azul”, você já vai saber: não é lava, é gás de enxofre em chamas, sobre uma água que dissolveria uma moeda. E no meio de tudo isso, gente subindo a montanha com o peso nas costas.